4 de junho de 2026

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em um Estado falido, por Roberto Bitencourt

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em um Estado falido

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Por Roberto Bitencourt da Silva

Conquistada a condição de sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, as diferentes autoridades públicas alegaram almejar “legados sociais” para promover a realização do grande evento esportivo no Rio de Janeiro.

A cidade torna-se, assim, a primeira na América do Sul a organizar as Olimpíadas e as Paralimpíadas. Aproveitando o ensejo, a peça publicitária veiculada pela Prefeitura do Rio de Janeiro tem feito uma deselegante e infantil ironia com os argentinos: “Estamos à frente da Argentina”, diz a propaganda.

Ironia que apenas demonstra a sofrível e mesquinha qualidade dos homens públicos em posição de poder na cidade e no estado do Rio de Janeiro.

Uma contrapropaganda, por outro lado, seria bem favorável aos hermanos, precisamente por não sediarem os Jogos. Senão vejamos.

Eis o “legado” dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, até o momento: desapropriações de casas de milhares de famílias das classes populares, gentrificação, caos urbano – em que se torna cada dia mais difícil transitar no Rio –, degradação ambiental, especulação imobiliária e falência do caixa do governo estadual. Fiquemos exclusivamente com este aspecto que nos tem sido “legado”.

Nos últimos dias, a rede de saúde mantida pelo governo do estado entrou em colapso absoluto. Falta de pagamento de funcionários, de higiene, insumos elementares e condições mínimas de funcionamento dos hospitais, tem implicado em suspensão dos atendimentos à população.

Escolas e universidades estaduais penando, meses a fio, com cortes de vagas públicas aos estudantes, de pagamentos de trabalhadores terceirizados e suspensão de energia elétrica e telefones. Salários dos servidores congelados no curso do ano.

Os salários de novembro do funcionalismo estadual foram parcelados em duas vezes. O 13º salário foi pago, na quinta-feira. Detalhe: apenas 1/5 a que os servidores têm direito.

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) efetuou um empréstimo junto ao Bradesco, na ordem de R$ 500 milhões, afirmando pretender sanar o problema.

As decisões mais desencontradas e estapafúrdias têm sido oferecidas pelo governo estadual em relação ao 13o. A última estabelece que os servidores precisam ir ao banco assinar carta de empréstimo, a ser ratificada pelo governo.

O desrespeito com o funcionalismo e com a população, ao sistematicamente degradar os serviços públicos, têm sido a tônica.

Contudo, analisando as informações disponíveis nos orçamentos do governo estadual, desde 2010, é possível identificar uma razão importante para a penúria em que se encontram os serviços e os servidores públicos estaduais. Trata-se precisamente dos gastos com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

No intervalo de tempo entre 2010 e 2014, o orçamento estadual reservou, de maneira indiferente, cerca de R$ 1 bilhão à Copa do Mundo e às Olimpíadas/Paralimpíadas.

Com menção exclusiva às Olimpíadas/Paralimpíadas, nos orçamentos de 2015 e 2016, estão previstos gastos estaduais diretos que, somados, giram em torno de R$ 2 bilhões. Especificamente para o orçamento do ano vindouro, está estimada a destinação de R$ 1.996.720.118.

Gastos que podem ser considerados realmente passíveis de melhorar a qualidade de vida do povo carioca, como os direcionados à conservação ambiental, são muito tímidos.

Não estão aí computados os incentivos fiscais, que incidem em uma desoneração tributária para os investimentos privados nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Incentivos que, igualmente, comprometem a arrecadação futura do Estado do Rio de Janeiro. Olimpíadas para quem? Qual o seu “legado”?

Somem-se aos valores mencionados R$ 7,07 bilhões de isenção fiscal às montadoras de automóveis e distribuidoras de bebidas, projetados no orçamento estadual de 2016, como noticiou O Dia.

Adicionem-se ainda cerca de R$ 1,3 bilhão para os setores de siderurgia, metalurgia, mineração, material de construção, energia elétrica, produtos alimentícios, farmacêuticos e de perfumaria, apenas nas regiões centro-sul fluminense e metropolitana.

Outros setores, em diferentes macrorregiões do estado, não deixam de receber as mesmas benesses às custas do povo e dos servidores.

A sistemática desoneração tributária concedida ao grande capital e os vultosos gastos envolvidos nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, em boa medida, explicam o estado de falência a que chegou o Rio de Janeiro, sob a batuta peemedebista.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político. 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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13 Comentários
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  1. Beijão do CW

    19 de dezembro de 2015 1:50 pm

    o mesmo negativismo do ¨não

    o mesmo negativismo do ¨não vai ter copa¨ cujo fracasso foi retumbante ante o sucesso estrondoso da copa

    1. evandro condé de lima

      19 de dezembro de 2015 3:32 pm

      Que tal uma pesquisada?
      Veja o que não foi feito, e nem será, o que está inacabado, o que já se perdeu, os elefantes brancos, os tradicionais superfaturamentos, etc. Não era o momento para nenhum dos eventos. Vamos e estamos pagando caro.

    2. anac

      19 de dezembro de 2015 3:55 pm

      Ou seja, a culpa é da

      Ou seja, a culpa é da Olimpiadas, do Lula, da Dilma. Olimpiada so podem ser promovidas em países ricos e estaveis. O Mexico realizou duas, mas o mexico é quintal do USA, então pode se dar ao luxo. As olimpiadas é  culpada de toda as degraças que assolaram o Rio e porque não dizer  país, ou seja, culpa de Lula, de Dilma que vai erceber mais um coro de VTNC. O país  se encontra paralisado economciamente  por força  do terrorismo mdiatico e juridicio promovido desde  a eleição de Dilma, em que um processo – LAVA JATO – é dividido em fases para formentar a crise politica e economica e provocar o GOLPE. Fica cansativa essa lenga lenga.  Não conseguem ver um palmo a frente do nariz.

    3. agincourt

      19 de dezembro de 2015 5:27 pm

      “o sucesso estrondoso da copa”

      “o sucesso estrondoso da copa”

      O que é um belo indicativo do elevado grau de alienação conseguido pela propaganda ideológica do PT, de seus aliados e até mesmo de seus adversários.

      Eventos esportivos que beneficiam primordialmente o grande capital e seus assalariados na máquina pública são vendidos como verdadeiros empreendimentos sociais.

      Pois é: se os dados reais são “negativistas”, danem-se os dados.

      (…E nem estou falando dos 7 x 1…)

  2. maria rodrigues

    19 de dezembro de 2015 1:57 pm

    Para se candidatar ao governo

    Para se candidatar ao governo os políticos nunca dizem, ao certo, o que terá que enfrentar, enganando a população com manobras. Uma vez empossado, aquele mesmo político passa a contradizer-se. Infelizmente até mesmo Dilma agiu dessa forma. O mais grave é vermos que o povo, iludido, dá seu voto baseado nas mentiras que ouviu, e somente ele, o povo, é quem vai ter que pagar a conta, com juros e correção monetária. Já estamos cansados de assistir a esse filme cruel, quando o funcionalismo público fica sem perspectivas e sem dinheiro porque um determinado governador ou prefeito vem a público, justo no finalzinho do ano, dizer que o caixa está baixo e que não poderá pagar o salário, o 13º salário, etc. Isto é muita safadeza dessa cambada de ordinários. Por fim, Pezão sai-se pior que seu antecessor. Este, pelo menos, nunca atrasou, sequer, o salário dos servidores. 

  3. Daniel Klein

    19 de dezembro de 2015 2:51 pm

    Paciência, sempre foram assim

    Desde o Império, o RJ viveu de privilégios da Corte, após a República, de privilégios da União. A diferença entre RJ e ES, seu estado gêmeo, é a somatória de todos as mesadas que o Estado recebeu do resto do país. Estão aí os faustosos royalties de petróleo, extraído a coisa de 200, 300 km da praia, que foram criados especificamente para favorecer a eterna corte. O Rio vai se safar, a conta virá para a federação. 

    1. Daniel Blóim

      19 de dezembro de 2015 8:19 pm

      Como a ignorância aliada à burrice geram inveja e preconceito

      A sua única real verdade é o sentimento hepático e o pensamento intestino. Vejamos os fatos distorcidos por vc e por muita gente falsificando a História:

      1) Vc faz uma grande mistura e confusão entre corte, república e União com estado, cidade e povo.

      2) A cidade sempre foi a maior ou segunda maior do país por praticamente toda a História do país (515 anos). A hoje maior só passou a sê-lo na década de 1960, sendo pouco relevante até o inicio do século passado.

      3) O PIB (da cidade) sempre foi o maior ou o segundo maior do país, até ser juntado com o (então pobre) estado do Rio de Janeiro, mantendo-se (o estado) ainda assim como segundo ou terceiro em revezamento com MG.

      3) Vc inverte privilégios, pois a cidade então mais desenvolvida do país sofreu com a invasão e confiscos da corte portuguesa em 1808. E prosseguiu servindo de puteiro aos políticos de todo o país, com a reconhecida mediocridade que lhes reconhecemos. Desde 1960, mudaram o puteiro para Brasília e agora denigrem a cidade (DF) por causa de seus invasores que com algumas exceções, só têm compromisso com seus pedaços de origem, não com o país.

      4) Durante o império, os privilégios eram da corte e não da cidade ou seu povo. Corte essa que deu privilégios a pessoas amigas, com terras férteis e títulos diversos como os de barões (do café), os quas passaram a ter privilégios de:

      4.1) Explorar internacionalmente uma das bebidas mais tomadas no mundo, sonegando impostos até à corte, quanto mais o que deveria chegar ao povo (do Rio e do restante do Brasil)

      4.2) Riqueza imensa esta privilegiadamente obtida com mão de obra escrava. Produzida por ela, mas com os privilégios usufruidos pelos “barões” (os agraciados).O enorme atraso e vergonha que acabaram até derrubando o império foi defendido por este barões que não tinham onde gastar tudo, até uma “privilegiada” da Corte proclamar-lhes a liberdade.

      4.3) Ou seja, privilégio mesmo é ganhar boas terras (ou grilar em conluio), explorar com escravos, pouco ou nada compartilhar com o país da imensa riqueza gerada, usufruir subsdios quando necessário e ainda fazer futrico, lobby e corrupção na capital do país (Rio ou Brasilia) em proveito próprio (o estilo café com leite que começou a, mas ainda não terminou de) acabar em 1930, pois a resistência ainda se vê na míRdia diariamente.

      5) A lei original dos royalties já existia muito antes de se descobrir petróleo no (estado do) Rio. Portanto se houve alguma “malandragem ou oportunismo”, foi a de querer mudar a lei para dividir a riqueza DEPOIS dela ter sido descoberta.

      6) Após o pré-sal, os royalties (pela lei original) também privilegiariam outros estados, como ES, SP e BA. A (acertada) mudança para privilegiar saúde e educação mudou o cenário (para melhor e para o país). Quem perdeu foi … o estado. Que por sinal não é o que tem maior dívida com a União…

      7) A cidade-estado do Rio (então 2o.maior PIB do país) teve o “privilégio” de se juntar à um estado pobre (o que acho acertado, pois deve-se pensar país), dividindo com ele seus resultados. 

      Portanto meu caro, vc sabe pouco ou nada de História, além da visão que lhe injetam na cachola os espertos, travestidos de “trabalhadores”, de 515 anos. Mas tem bastante bílis pra vomitar.

      É verdade, sempre foi assim, mas de um jeito um tanto “diferentim” 

      E ainda fica revoltadim…

  4. Ozzy

    19 de dezembro de 2015 3:45 pm

    Sim, o governo do Pezão tem

    Sim, o governo do Pezão tem sido calamitoso, mas tem algumas pérolas nesse texto. O cara fala das universidades do Rio de Janeiro, mas as federais por aqui estão em petição de miséria também. O Museu Nacional e o Hospital do Fundão pararam atividades, por exemplo.

    E o tal caos urbano parece argumento dos ditos “coxinhas”. Ora, o Centro do Rio está todo quebrado para as obras do VLT, que se ficarem prontas têm tudo pra melhorar e muito a circulação das pessoas no Centro.

    E, bem, quanto à desoneração para o grande capital… Concordo, mas também não é exclusividade carioca.

  5. Sérgio Rodrigues

    19 de dezembro de 2015 5:01 pm

    Ave Zeca e Sílvio da Silva!…

    Mas digo sinceramente…na vida a coisa mais feia
    É gente que vive chorando de barriga cheia
    É gente que vive chorando de barriga cheia..
    É gente que vive chorando…
    De barriga cheia

  6. Frederico69

    19 de dezembro de 2015 5:20 pm

    como pode estar quebrado, cadê os royalties do petróleo?

    como pode estar quebrado, cadê os royalties do petróleo?

  7. LUIZ CLAUDIO DA SILVA LEAO

    19 de dezembro de 2015 9:35 pm

    Acho que o caos é inevitável

    Moro no Rio e por sorte consigo chegar ao trabalho de Metrô. Realmente a situação do trânsito está muito complicada por conta das obras. Sobre isso costumo utilizar um argumento que considero razoável.

    Quem nunca fez uma obra no banheiro da casa?

    Cito este exemplo somente para ilustrar meu ponto de vista. Todo mundo sabe que uma simples obra coloca a casa de cabeça para baixo e isso mesmo conseguimos planejar o melhor momento para fazer.

    A cidade do Rio de Janeiro está sofrendo intervenções que não sofria seguramente há décadas. O sistema de transporte está sendo remodelado pois não sofria uma mudança acredito eu desde a década de 60.

    Achar que uma cidade de 10 milhões de habitantes não sofreria com as obras, chega a ser ingenuidade.

    Com todo respeito a quem considera que a prefeitura erra em fazer as coisas ao mesmo tempo, discordo desta ideia pois as obras ou ocorriam agora aproveitando a Copa e a Olimpíada ou não ocorriam.

    Sendo realistas sabemos que existe um tempo político que no caso das obras do Rio tiveram um marco que foi a Copa e outro agora que são os jogos olímpicos e obviamente o timing das eleições de 2016.

    Dizer também que nada ficou de legado, considero um exagero pois moro em frente a Trabscarioca e vejo como está obra foi importante. Além dela temos também a TransOeste que não posso dizer o benefício mas uma coisa é certa, está lá construída e funcionando.

    No momento os maiores problemas são causados pelas obras da TransBrasil e pelo VLT que acho que ninguém pode dizer que não serão legados importantes para a população.

     

    1. André Luiz Villares Monteiro

      9 de janeiro de 2016 4:02 pm

      Resposta ao sr. Luiz Claudio da Silva Leão

      Não se está discutindo a questão das obras. Obras existem e lógico que deixam o quadro meio caótico!

      O que se está discutindo é a SAÚDE FINANCEIRA do Estado em fazer as Olimpíadas!! Isso NÃO é qualquer obra. Sim, qualquer obra faz parte da vida do Poder Público decidindo SOBERANAMENTE no que vai intervir na paisagem urbana. Obras com fins dos Jogos Olímpicos implicam em obras em instalações esportivas que já sofreram VÁRIAS OBRAS ANTERIORES E QUE NUNCA ACABAM. Isso tudo aumenta E MUITO  o lucro das empreiteiras, o sr. entende?!

       

  8. Horácio Ribeiro

    21 de dezembro de 2015 8:44 pm

    Lava Jato e o Rio de Janeiro

    o Pezão e o Sérgio Cabral – que está quietinho – já foram citados várias vezes na lava jato.  Agora querem que eu pegue um empréstimo para eu pagar ou meu salário…… Ainda vamos vê-los junto ao José Dirceu e seus campangas….. é lamentável.  

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