5 de junho de 2026

Lista de Livros: Teogonia: A Origem dos Deuses – Hesíodo

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Lista de Livros: Teogonia: A Origem dos Deuses – Hesíodo

Editora: Iluminuras

ISBN: 85-7321-230-6

Estudo e tradução: Jaa Torrano

Opinião: bom

Páginas: 168

      “A força do Sábio esta em saber dizer o já dito com o mesmo vigor com que foi dito pela primeira vez.” (Jaa Torrano)

*

“Ele reina no céu

tendo consigo o trovão e o raio flamante,

venceu no poder o pai Crono, e aos imortais

bem distribuiu e indicou cada honra.”

*

“Eros: o mais belo entre Deuses imortais,

solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos

ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.”

*

“Quem fugindo a núpcias e a obrigações com mulheres

não quer casar-se, atinge a velhice funesta

sem quem o segure: não de víveres carente

vive, mas ao morrer dividem-lhe as posses

parentes longes. A quem vem o destino de núpcias

e cabe cuidosa esposa concorde consigo,

para este desde cedo ao bem contrapesa o mal

constante. E quem acolhe uma de raça perversa

vive com uma aflição sem fim nas entranhas,

no ânimo, no coração, e incurável é o mal.”

*

“Não se pode furtar nem superar o espírito de Zeus

pois nem o filho de Jápeto o benéfico Prometeu

escapou-lhe à pesada cólera, mas sob coerção

apesar de multissábio a grande cadeia o retém.”

*

“Ávido de guerra o ânimo

ainda mais, e despertaram o triste combate

todos — Deusas e Deuses — naquele dia:

os Deuses Titãs, quantos nasceram de Crono,

os que Zeus do Érebos sob a terra lançou à luz,

terríveis, poderosos, com bem-armada violência.

Deles eram cem braços que saltavam dos ombros

de cada um, cabeças de cada um cinquenta

brotavam dos ombros sobre grossos membros.

Eles impuseram aos Titãs lúgubre batalha

agarrando íngremes pedras com os grossos braços.

Os Titãs defronte fortificavam as fileiras

com ardor. Ambos os lados mostravam obras

braçais violentas. Terrível mugia o mar infinito,

retumbava forte a terra, o vasto céu gemia

sacudido, no solo estremecia o alto Olimpo

sob golpes dos imortais, o abalo pesado atingia

o Tártaro nevoento, e o surdo estrondo de pés

de indizíveis assaltos e ataques brutais.

E uns contra outros lançavam dardos gemidosos,

vinda de ambos atinge o céu constelado

a voz exortante, e batiam-se com grande grito.

 

Não mais Zeus continha seu furor e deste

furor logo encheram-se suas vísceras e toda

violência ele mostrava. Do céu e do Olimpo

relampejando avançava sempre, os raios

com trovões e relâmpagos juntos voavam

do grosso braço, rodopiando a chama sagrada

densos. A terra nutriz retumbava ao redor

queimando-se, crepitou ao fogo vasta floresta,

fervia o chão todo e as correntes do Oceano

e o mar infecundo, o sopro quente atava

os Titãs terrestres, a chama atingia vasta

o ar divino, apesar de fortes cegava-os nos olhos

o brilhar fulgurante de raio e relâmpago.

O calor prodigioso traspassou o Caos. Parecia,

a ver-se com olhos e ouvir-se com ouvidos a voz,

quando Terra e o Céu amplo lá em cima

tocavam-se, tão grande clangor erguia-se

dela desabada e dele desabando-se por cima,

tal o clangor dos Deuses batendo-se na luta.

Os ventos revolviam o tremor de terra, a poeira,

o trovão, o relâmpago e o raio flamante,

dardos de Zeus grande, e levavam alarido e voz

ao meio das frentes, estrondo imenso erguia-se

da discórdia atroz. Mostrava-se o poder dos braços.

A batalha decai. Antes, uns contra outros

atacavam-se tenazes em violentas batalhas.

Na frente despertaram áspero combate

Cotos, Briareu e Giges insaciável de guerra.

Trezentas pedras dos grossos braços

lançavam seguidas e cobriram de golpes

os Titãs. E sob a terra de amplas vias

lançaram-nos e prenderam em prisões dolorosas

vencidos pelos braços apesar de soberbos,

tão longe sob a terra quanto é da terra o céu,

pois tanto o é da terra o Tártaro nevoenta.”

*

“Nove noites e dias uma bigorna de bronze

cai do céu e só no décimo atinge a terra

e, caindo da terra, o Tártaro nevoento.

E nove noites e dias uma bigorna de bronze

cai da terra e só no décimo atinge o Tártaro.

 

Cerca-o um muro de bronze. A noite em torno

verte-se três vezes ao redor do gargalo. Por cima

as raízes da terra plantam-se e do mar infecundo.

 

Aí os Deuses Titãs sob a treva nevoenta

estão ocultos por desígnios de Zeus agrega-nuvens,

região bolorenta nos confins da terra prodigiosa.

Não têm saída. Impôs-lhes Posídon portas

de bronze e lado a lado percorre a muralha.

Aí Giges, Cotos e Briareu magnânimo

habitam, guardas fiéis de Zeus porta-égide.

 

Aí, da terra trevosa e do Tártaro nevoento

e do mar infecundo e do Céu constelado,

de todos, estão contíguos as fontes e confins,

torturantes e bolorentos, odeiam-nos os Deuses.

Vasto abismo, nem ao termo de um ano

atingiria o solo quem por suas portas entrasse

mas de cá para lá o levaria tufão após tufão

torturante, terrível até para os Deuses imortais

este prodígio. A casa terrível da Noite trevosa

eleva-se aí oculta por escuras nuvens.

 

Defronte, o filho de Jápeto sustem o Céu amplo

de pé, com a cabeça e infatigáveis braços

inabalável, onde Noite e Dia se aproximam

e saúdam-se cruzando o grande umbral

de bronze. Um desce dentro, outro vai

fora, nunca o palácio fecha a ambos,

mas sempre um deles está fora do palácio

e percorre a terra, o outro está dentro

e espera vir a sua hora de caminhar,

ele tem aos sobreterrâneos a luz multividente,

ela nos braços o Sono, irmão da Morte,

a Noite funesta oculta por nuvens cor de névoa.

 

Aí os filhos da Noite sombria têm morada,

Sono e Morte, terríveis Deuses, nunca

o Sol fulgente olha-os com seus raios

ao subir ao céu nem ao descer o céu.

Um deles, tranqüilo e doce aos homens,

percorre a terra e o largo dorso do mar,

o outro, de coração de ferro e alma de bronze

não piedoso no peito, retém quem dos homens

agarra, odioso até aos Deuses imortais.

Defronte, o palácio ecoante do Deus subterrâneo

o forte Hades e da temível Perséfone

eleva-se. Terrível cão guarda-lhe a frente

não piedoso, tem maligna arte: aos que entram

faz festas com o rabo e ambas as orelhas,

sair de novo não deixa: à espreita

devora quem surpreende a sair das portas.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. altamiro souza

    19 de dezembro de 2015 7:09 pm

    não tenho fé suficente para

    não tenho fé suficente para ser ateu, pois deus não joga dados.

    lembrei dessa frase ao ler esse texto da teogonia…

    talvez para inventar outra:

    deus não joga dados..

    mas esses deuses antigos eram péritos no jogo de DARDOS ..

    1. Bruno Cabral

      19 de dezembro de 2015 11:28 pm

      Sua frase me lembrou outra

      Sou ateu, graças a deos.

      1. Orlando Fogaça Filho

        20 de dezembro de 2015 1:57 pm

        Ateu, Graças a Zeus!

        Ateu, Graças a Zeus! Vê que coisa mais incrível e gostosa que é crer em multiplos deuses. Para que um deus só se podemos ter dezenas?

    2. Doney

      20 de dezembro de 2015 2:10 pm

      Minha esposa diz que as

      Minha esposa diz que as histórias dos deuses gregos, de paixão, traições, heróis, insídias, mais parece uma novela mexicana.

  2. Tiago Azevedo

    20 de dezembro de 2015 2:32 pm

    Deuses e mitos

    É incrível o potencial de exploração do divino como tema, seja em poesia, literatura, teologia, filosofia, psicologia. Desde pequeno gostei de mitologia grega, e de mitologia cristã (apocalipse de João). Agora vejo de formas bem difrerentes..

     

    http://psicoativo.com/2015/12/nascimento-dos-deuses-moralizantes.html

    http://psicoativo.com/2015/11/max-weber-carisma-desencantamento-do-mundo.html

    http://psicoativo.com/2015/11/eros-e-thanatos-instintos-de-vida-morte-freud.html

     

     

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