4 de junho de 2026

Pfizer enviou 81 mensagens oferecendo ajuda ao governo no combate à covid-19

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) contabilizou todas as correspondências enviadas, e 90% delas não foram respondidas pelo governo Bolsonaro
Vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Jornal GGN – O governo de Jair Bolsonaro ignorou pelo menos 90% das mensagens enviadas pela farmacêutica Pfizer, que ofereceu ajuda ao país no combate à covid-19.

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Durante a sessão da CPI da Pandemia desta quarta-feira (09/06), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) contabilizou todas as mensagens enviadas desde 17 de março de 2020, quando foi feito o primeiro contato falando de suprimento de medicamentos e se colocando à disposição para ajudar o governo do Brasil no enfrentamento da covid.

O ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, afirmou que seu primeiro contato com a Pfizer se deu em 06 de agosto, por meio de videoconferência. Até então, pela contagem de Randolfe, 41 mensagens já tinham sido enviadas às autoridades brasileiras.

Segundo o senador, o primeiro retorno do governo à Pfizer só ocorreu em novembro de 2020. “Foram 81 correspondências, e pelos documentos, ao que me parece, 90% dessas sem resposta”.

Randolfe lembrou que foram enviados quatro e-mails em meados de julho pedindo audiência com o governo, no que Elcio disse que a audiência aconteceu – em 06 de agosto. “Eles tiveram uma reunião em junho, tiveram uma reunião em 06 de agosto. Houve também uma reunião em 06 de julho, e houve reunião 20 e 21 de julho”.

Segundo Elcio, algumas dessas mensagens enviadas eram respostas às demandas brasileiras, “Outras, tiveram e-mails que eles enviavam repetidamente para o Ministério com o mesmo conteúdo, que eles mandaram quatro, cinco vezes, inclusive no mesmo dia chegaram a mandar quatro e-mails no mesmo teor”.

Randolfe também apresentou documentos em que a Pfizer apresentou sugestão de medida provisória em dezembro de 2020 e pedindo respostas do governo federal para, inclusive, liberar os imunizantes para outros países caso a resposta brasileira fosse negativa.

Depois de Elcio justificar o atraso das respostas a um problema tecnológico, Randolfe comentou que “esse governo deve ter alguma incompatibilidade séria com o computador. Ora o general Pazuello vem aqui e diz que um tal de um hacker, agora o sistema saiu, outra hora é um vírus que não é o coronavírus. Tem que fazer um curso rapidamente de manutenção dos dispositivos de computador do governo”.

“Quero reiterar: esse ofício de 02 de dezembro é desesperador. O CEO da Pfizer diz claramente ‘se o governo brasileiro não quiser, vamos disponibilizar para os outros países da região’. E sabe o que aconteceu? Uma semana depois, o Chile começou a vacinar e, hoje, o Brasil tem 11% de vacinados, e o Chile tem 56% de sua população vacinada”.

Acompanhe a CPI da Covid-19 na TV GGN

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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