Enviado por Edson Marcon

Alguns motivos:
“O projeto foi, desde sempre, furiosamente combatido por forças internas e externas. A começar (eles sempre) pelos EUA, que em 1997 impediram a FIAT de empreender uma joint venture com o Brasil (então representado pela Infraero) e a Ucrânia (representada pela Yuzhnoye) para o lançamento desse mesmo Cyclone-4 a partir de Alcântara.”
“São os mesmos EUA que, com o objetivo claro de prejudicar nosso projeto, proíbem (comunicado do Departamento de Estado a um cliente) o lançamento por Alcântara de quaisquer satélites contendo componente de sua fabricação. Milita ainda contra o projeto Cyclone a Rússia, que, para além das mais que explícitas disputas com a Ucrânia, pretende vender-nos seu próprio lançador.”
Sim, assim fica difícil, mas se houvesse um esforço continuado, um esforço de ESTADO, não de governo, que mantivesse um projeto totalmente nacional, capacitando técnicos e cientistas nas últimas décadas, hoje teríamos satélites e lançadores.
Afinal, outros países os tem, e tem inclusive bombas nucleares, muito mais controladas internacionalmente.
Se eles conseguem, porque aqui é tão difícil?
Exploração espacial
A crassa inaptidão para projetos estratégicos
Da CartaCapital
Por Roberto Amaral
O projeto da Alcântara Cyclone Space (ACS) – o caminho para ingressar no restrito grupo dos países que exploram o espaço – acaba de fechar suas portas com a denúncia, pelo governo brasileiro, do tratado firmado em 2003 com a República da Ucrânia, de que resultou a cooperação dos dois países na exploração espacial.
Esses fatos objetivos nos colocam poucas alternativas. Ou nos conformamos com a condição de dependentes de outros países para a construção e lançamento de nossos satélites, ou, finalmente, cederemos nossa soberania para que aqui os EUA instalem sua estação de lançamento, nos moldes de subserviência e renúncia à soberania caracterizados pelo tratado firmado no governo FHC, e cuja tramitação no Congresso Nacional o presidente Lula, em hora sábia, soube paralisar.
Com nossa importância territorial (e responsabilidade continental), econômica e estratégica, somos o único país do mundo – dentre os que possuem esse peso geopolítico – sem programa espacial próprio, quando mais crucial se torna o domínio do espaço, instrumento de controle do território, do mares, das riquezas minerais, das florestas e do desmatamento, das comunicações (inclusive militares), das variações meteorológicas, do controle das safras e de nossa segurança.
Qual o objetivo do encontro do Brasil com a Ucrânia na exploração do espaço? Saltar etapas, nos associando a quem detinha tecnologia e com poderia ela construir um projeto de interesse comum.
República mais industrializada da União Soviética, a Ucrânia domina tecnologia de construção de foguetes e lançamentos há quase 60 anos. Desde a independência (1991) tornou-se importante concorrente no mercado lançador de satélites. Pelo acordo firmado conosco primeiro, lançaríamos o já vitorioso Cyclone IV, construiríamos (como estávamos fazendo) o Centro de Lançamentos em Alcântara com tecnologia ucraniana, e, no segundo momento, projetaríamos e construiríamos, juntos, o Cyclone V.
Desde o primeiro momento, as instalações industriais ucranianas estiveram franqueadas aos técnicos brasileiros, inclusive militares. O convívio entre técnicos ucranianos e brasileiros, o aperfeiçoamento em comum do foguete, entre outras atividades, representariam efetiva transferência de tecnologia. O Brasil estaria adquirindo o conhecimento necessário para dominar uma das áreas mais importantes da indústria aeroespacial. Esta a questão.
O encontro de interesses se conjugava na medida em que o Brasil construísse sua própria base (para exploração comum), e a Ucrânia desenvolvesse o veículo, montando a plataforma de lançamentos, em nosso território. Tudo isso no município de Alcântara, Maranhão, a 02º18′ de latitude sul do Equador (Kourou, na Guiana, onde está o centro de lançamento europeu, nosso concorrente comercial, a segunda melhor localização, está a 5 graus ao norte) o que confere a qualquer objeto na superfície uma velocidade tangencial elevada, um impulso inicial muito favorável aos lançamentos equatoriais, como é o caso dos satélites de comunicação. Isso se traduz em aumento de 30% da capacidade de transporte (ou o correspondente em economia de combustível) tornando nossos lançamentos mais competitivos comercialmente.
Estima-se que o mercado global de lançamentos de satélites movimente 6 bilhões de dólares por ano, e sabe-se que na disputa de mercado o Cyclone se apresentaria premiado por vantagens comparativas, a começar pelo menor custo de seus lançamentos.
A ACS alimentava a expectativa de disputar de quatro a seis lançamentos anuais, ao preço médio de 50 milhões de dólares. Nossa posição geográfica privilegiada fazia do Brasil peça-chave no setor. Todos os centros de lançamentos se encontram no hemisfério norte. O Brasil era a única expectativa de sucesso ao sul do equador (tendo, portanto, melhor acesso ao seu mercado), agregando vantagens ausentes, por exemplo, nos EUA e na Rússia.
O projeto foi, desde sempre, furiosamente combatido por forças internas e externas. A começar (eles sempre) pelos EUA, que em 1997 impediram a FIAT de empreender uma joint venture com o Brasil (então representado pela Infraero) e a Ucrânia (representada pela Yuzhnoye) para o lançamento desse mesmo Cyclone-4 a partir de Alcântara.
Os EUA tentaram ainda nos impor um acordo de subalternidade para instalar sua própria estação em Alcântara (tratado de lesa-pátria firmado no governo FHC, relembro) e em memorandum, atendendo a consulta, dizem à República da Ucrânia ‘continuarem entendendo que o Brasil não deve ter programa espacial’.
São os mesmos EUA que, com o objetivo claro de prejudicar nosso projeto, proíbem (comunicado do Departamento de Estado a um cliente) o lançamento por Alcântara de quaisquer satélites contendo componente de sua fabricação. Milita ainda contra o projeto Cyclone a Rússia, que, para além das mais que explícitas disputas com a Ucrânia, pretende vender-nos seu próprio lançador.
Foram incontáveis as pressões de grupos ditos ecológicos/fundamentalistas, a ação de órgãos governamentais, como a Fundação Palmares, açulando quilombolas contra o investimento, a incompreensão de setores da FAB que entendiam que os recursos gastos deveriam ser alocados na ressurreição do VLS, de dirigentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, que entendiam que todos os recursos deveriam ser carreados para o acordo com a China, e incompreensões dentro do governo, como resistências da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, aquela querendo tratar a ACS como se uma sociedade anônima fosse, esse deixando de repassar recursos autorizados pela Presidência da República. A estrutura burocrática não consegue, e não deseja, entender o significado de um programa estratégico.
A ACS se instala em dezembro de 2007 e logo no início de 2008 é surpreendida por decisão judicial proibindo a ação de seus técnicos em Alcântara. A sentença, lavrada sobre ‘laudo antropológico’, dizia que aqueles técnicos, com suas ações (coletas de exemplares da fauna e da flora e amostras do terreno, requeridas pelo IBAMA para avaliar a licença de instalação) haviam incomodado os antepassados dos quilombolas. Essa interdição, cretina e impune, consumiu 14 meses de despesas e inatividade. A licença de instalação, atribuição do Ibama, levou nada menos que 461 dias para ser concedida.
Na sequência, o incra, por meio de portaria, condenada pelo Presidente da República, mas nem por isso revogada, declara território quilombola 68% do município de Alcântara, deixando a salvo apenas o distrito-sede e a área já ocupada pelo Centro de Lançamentos do VLS, da FAB. A ACS não tinha mais onde instalar-se! Foi salva, após meses de negociações, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que determinou seu acolhimento, sob aluguel (!), em área do Centro de Lançamentos de Alcântara-CLA, sob comando da Aeronáutica. Em setembro de 2010 o IBAMA emite a licença que permite o início das obras do sítio de lançamentos da ACS. A construção do Centro de Lançamentos da ACS é iniciada em outubro de 2010 e finalmente interrompida em março de 2013 para nunca mais ser retomada.
A questão central, não é o fim do programa espacial, em si grave, mas a dificuldade brasileira de acompanhar o progresso tecnológico de seus parceiros, principalmente nas chamadas áreas sensíveis, ou que requerem alta tecnologia, como a cibernética e a nuclear, ao lado do Programa espacial as áreas declaradas como prioritárias pela Estratégia Nacional de Defesa (Decreto nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008) onde se lê (item 6)
“(…) Como decorrência de sua própria natureza, esses setores [o espacial, o cibernético e o nuclear] transcendem a divisão entre desenvolvimento e defesa, entre o civil e o militar. Os setores espacial e cibernético permitirão, em conjunto, que a capacidade de visualizar o próprio país não dependa de tecnologia estrangeira e que as três Forças, em conjunto, possam atuar em rede, instruídas por monitoramento que se faça também a partir do espaço”.
Parece sem remédio a inaptidão da sociedade brasileira para desenvolver projetos estratégicos, aqueles que definem os grandes objetivos que concertam os valores nacionais e condicionam os planos e as ações governamentais, a saber, as táticas necessárias para atingir tais objetivos.
Leia mais em www.ramaral.org
carlos afonso quintela da silva
7 de agosto de 2015 6:59 pmComo se vê muito se conspira
Como se vê muito se conspira contra o desenvolvimento tecnológico do Brasil. O entreguismo tucano não age apenas na Petrobras, mas também em outras áreas, como esta da tecnologia aeroespacial. FHC tentou entregar aos EUA parte de nosso território e não duvido que a denúncia do tratado que mantinhamos com a Ucrania seja fruto da transferência daquela nação para a órbita norteamericana, com a ascenção ao poder de militares linhados com a OTAN. O dedo podre dos “amigos” do norte estão por toda parte e comandam politicos brasileiros como se fossem seus empregados.
[email protected]
7 de agosto de 2015 7:00 pmPeitar os EUA e desenvolver os foguetes!
Falta coragam para peitar os EUA e assumir um projeto em conjunto com a Rússia. Esqueçam a Ucrânia, agora, um satélite dos EUA.
jc.pompeu
7 de agosto de 2015 7:15 pmPara pergunta de ENEM uma resposta de ENEM
“Projetos estratégicos no Brasil: por que não vão adiante?“
Porque nos finalmente os projetos estratégicos no Brasil não são assim assim tãooo estratégicos para as cabeças pensantes futuristas dos governantes e políticos e poderosos em Brasilia, a capital estratégica do atraso nacional.
Ivan de Union
7 de agosto de 2015 7:28 pmSo os analfas da direita.
So os analfas da direita. Como sempre.
Athos
7 de agosto de 2015 7:37 pmPrecisa perguntar?
Porque há
Precisa perguntar?
Porque há sabotagem E…
Porque nosso governo é SEMPRE submisso! PT inclusive!
Exemplo, Angra 3. Almirante preso!… e por aí vai. São projetos e iniciativas NACIONAIS que deveriam ter o acompanhamento e a DEFESA contínua por parte de QUALQUER GOVERNO!
Então, quando sabotam, o Governo se encolhe, porque é uma porcaria de governo! Todos eles! Todos!
FX1 sabotado –
FX2 Avião russo – Não está autorizado a participar da seleção
Sivam – 1 telefonema(para FHC) decidiu o contrato de US$1bi. E FHC ainda lançou na imprensa que um Brigadeiro da aeronáutica havia recebido comissão. E continuou o contrato quando todos os relatórios diziam que a proposta francesa era melhor e estratégicamente mais interessante PORQUE os EUA estão em nosso continente E não devem saber nossa falhas de cobertura.
6 ou 7 tentativas de aquisição de tecnologia de enriquecimento – Todas ativamente sabotadas.
Programa espacial – Explodiu cheio de peças vindas de onde mesmo?
Acordo Brasil-Ucrânia – O próprio acordo é sabotagem! Ao ser assinado, já sabiam que seria assim. Foi feito para perdermos 10 anos de tempo. Conseguiram!
Porque os EUA fizeram a Ucrânia jurar de pé junto que Brasileiro no projeto seria só para a faxina. Nada de projeto ou engenheiro. Só faxineiro!
Produção ligas especiais por nossas siderúrgicas – ameaçadas de represálias – encerraram sua produção – BAsta informar que não querem que fabriquem e pronto, assim foi feito.
Embraer – Ameaçada!!! Está sob domínio dos EUA! Bom, por enquanto é melhor assim!
E por aí vai…
Ivan de Union
7 de agosto de 2015 8:12 pmMIL estrelinhas, Athos!
E as
MIL estrelinhas, Athos!
E as ligas nao sao permitidas porque o Brasil eh o UNICO produtor mundial do NIOBIO a preco de banana que voce compra da China baratinho -e ta pra todo lado na internet, nao se esqueca que eh so algumas fracoes de segundo pra o achar.
naldo
7 de agosto de 2015 7:45 pmPor que quando a musa da
Por que quando a musa da febre amarela é chamada de expert em avião militar só podemos crer que tudo está perdido.
Jorge Luis
7 de agosto de 2015 8:42 pm“Afinal, outros países os
“Afinal, outros países os tem, e tem inclusive bombas nucleares, muito mais controladas internacionalmente.”
FHC assinou o tratado que impede o Brasil de desenvolver qualquer tipo de armamento nuclear.
Quantos anos esse “acidente”, até hoje muito mal explicado, em 2003 na base de Alcântara, atrasou o nosso programa espacial?
junior50
7 de agosto de 2015 9:30 pmDr. Roberto Amaral,
Tirando o dele da “reta”, nada alem disto, pois fez um acordo com os ucranianos estritamente comercial, e vendeu a todos que se tratava de um acordo tecnológico. É o que dá enviar advogados, politicos, e assemelhados para discutir acordos com outros paises, compram abacaxi e querem explicar que é uma beterraba.
” Intalações franqueadas a nossos técnicos ” – PAPO FURADO de politico, os ucranianos da Y & Y *( Yuzhinoe e Yuzhmash ), empresas estatais, sediadas em Dniepropretovsk, sempre deixaram bastante claro, aliás explicitos, que pela condição ucraniana de signatária do protocolo MTCR, as instalações sujeitas a verificação deste tratado, NÃO seriam franqueadas aos brasileiros, o que aconteceu sempre, e a cada vez eles sempre informavam: “leiam o contrato”, a ACS é uma empresa comercial ( até o atual MCTI Aldo Rebelo, disse isto recentemente ).
O Dr. Amaral – politico e advogado – tambem não fala, é sobre a insistência ucraniana, para que a futura ACS, visando operar comercialmente viavel, necessitava de um TSA ( technological safeguard agreement ) amplo, firmado com o governo americano ( Depto de Estado ), ou estaria fora do “mercado de lançamento de satélites”, pois mais de 70% dos equipamentos de satélites são de procedencia americana, ou de empresas internacionais a eles ligadas. ( paises que desenvolveram tecnologia própria , possuem demanda de lançamentos, vendem satélites, como India, China, Russia, concorreriam com a ACS, no caso dela não possuir o TAS ).
Os US$ 500 Milhões, desperdiçados na ACS, poderiam ter sido bem melhores empregados em nosso desenvolvimento autoctone de tecnologia sensivel e regulada internacionalmente, pois este tipo de tecnologia ou se desenvolve ou não se tem. Exemplo:
Em Gavião Peixoto (SP ), na planta industrial da Embraer , estão sendo “reformados” os A-4 da MB, para a versão A-4M, em colaboração, com israelenses, a integração dos sistemas é acompanhada por nossos técnicos em conjunto, mas certos equipamentos, só são instalados por israelenses, nem são passiveis de foto, pois as regras do protocolo ITAR são respeitadas.
* Y & Y : Como herdeiras do processo de produção soviético, em matéria de defesa/aeroespacial, são empresas separadas, a Yuzhinoe é o “escritório de projetos”, a Yuzhmash é a parte industrial .
junior50
7 de agosto de 2015 9:51 pmAinda este papo ?
” Os americanos explodiram o VLS em Alcantara “
Quem elaborou o relatório final sobre o acidente e realizou a “revisão critica” do projeto VLS, sobre encomenda do Governo Lula , e entregou o combinado ?
Foram contratadas duas empresas RUSSAS, a Makeyev Rocket Design Bureau e a estatal KBTM, as quais detalharam fidedignamente o que ocorreu, inclusive fornecendo subsidios – off-MTCR – para as modificações do projeto VLS . Alguem em sã consciência, não ideologo de boteco, acredita que russos acobertariam uma ação americana ?
Athos
7 de agosto de 2015 10:59 pmSe fosse descoberto, não
Se fosse descoberto, não viria a público com certeza.
Porque a informação tem dono
junior50
8 de agosto de 2015 12:14 amBrasileiro FALA
Não existe a “cultura ” de segurança de informações no Brasil, nem mesmo entre os militares, os “academicos” então, tipo socorro, não calam a boca, pior ainda: publicam.
Já esta “revisão critica” , foi um grande movimento russo para estabelecer uma “parceria” com o Brasil, tanto que nos forneceram – até a revelia do MTCR, uma area “cinza” – 4 ou até dizem 5 ( uma veio desmontada ), “plataformas inerciais complexas” ( SisNav – sistemas de navegação ), com as quais – mesmo que fora do “estado da arte” – poderiamos evolui-las, tinhamos varios técnicos e engenheiros em contato constante com os russos, uma relação muito produtiva, que pelas vias do destino e da burrice cronica, agora tentaremos retornar ( mais de 10 anos ), com a plataforma MAVIS ou SisNAV 2 , mas por que parou ?
Porque alguns “jenios” encastelados no MCTI, nas mãos do PSB, resolveram, a revelia de recomendações da AEB, FAB, “todo mundo”, que o “passo – a passo ” nacional, era lento, e com o Acordo Ucraniano do Cy-4, etapas seriam queimadas, e acreditaram, o MCTI acreditou, e a ACS foi formada, Roberto Amaral ganhou um cargo bem remunerado ( Diretoria Executiva – Parte brasileira ), e todas as verbas possiveis foram remanejadas para este “acordo COMERCIAL”, os restantes projetos nacionais, pararam.
Agora com o cancelamento desta empresa comercial de lançamento de satélites, retornamos aonde estavamos.
Tecnologia no Brasil, não se desenvolve a contento, não apenas pelos costumeiros contingenciamentos de verbas, mas principalmente, porque politicos resolvem tirar idéias de suas cabeçinhas.