4 de junho de 2026

Afeganistão: guerra dá lucro, por Antonio Uchoa Neto

Cidade de Kandahar, a segunda maior do Afeganistão, tomada pelo Talibã. | Foto: AFP

O Complexo Industrial-Militar – expressão criada, se não me engano, pelo presidente Eisenhower, em seu discurso de saída da Casa Branca, para indicar o perigo de sua influência sobre a administração americana – é um negócio, e, como tal, precisa vender o que produz.

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E, como se sabe, tudo é uma questão se ser capaz de vender, seja lá o que for.

Ora, o Complexo Industrial-Militar produz e vende armas. Armas servem para guerras. Por outro lado, o CIM não pode vender – ao menos legalmente, fora o contrabando – armas de alta tecnologia para países estrangeiros, sob o risco de vê-las, um dia, usadas contra si. Não deixam de lucrar, vendendo sucata obsoleta para países-clientes caninamente sabujos, como o nosso – vide o recente desfile estilo ópera-bufa em Brasília, com seus fumacês bélicos – mas o filé mignon de sua produção, com tecnologia de última geração, só pode ser vendido para um cliente exclusivo, o Pentágono.

Portanto, para seguir produzindo e vendendo, o CIM precisa que seu cliente, o Pentágono, use e reponha essas armas, munição, veículos militares, etc, etc, etc.

Na carona, toda uma cadeia de produção – de fardas e coturnos a material de uso e consumo em geral, combustíveis, empresas de engenharia e infraestrutura para reconstruir o que foi destruído, e por aí vai. Possibilidades infinitas.

É um negócio a la Rotschild, emprestando dinheiro para países em guerra, ao mesmo tempo, e lucrando nas duas pontas. É o trotskismo à americana, uma teoria da guerra permanente.

O Iêmen é o próximo da fila.

E um dia ainda chegam aqui. Porque há um detalhe; é sempre necessário, nessas guerras-negócio, atentar para a riqueza específica da área em conflito, o que pode ser pilhado ou apropriado. De petróleo às particularidades estratégicas do lugar, sua capacidade de produção agrícola e industrial, etc.

O que tem de interessante, nesse sentido, no Afeganistão? Papoulas?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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