Diz a Carta Capital que na terça-feira 7, em entrevista ao programa Timeline Gaúcha, da Rádio Gaúcha, o senador Aécio Neves (MG), reeleito presidente do PSDB em convenção realizada no fim de semana, se confundiu, e disse ter sido “reeleito presidente da República”.
Tanto a Carta Capital quanto outras mídias classificaram a fala de Aécio como “ato falho”.
Mas, torna-se possível pensar – em casos singulares como esse – pelo menos numa outra hipótese:
Os pacientes a que se referiam, cujo sofrimento tendia a ocorrer principalmente por distúrbios somáticos, usavam a fala menos para significar suas experiências do que como modo de se livrarem rapidamente das tensões. As trocas que eventualmente faziam dos nomes das coisas, que seriam lidas como atos falhos, resultavam de fato de uma “redução da capacidade de retenção da descarga motora” (Marty e M’Uzan, 1962, p. 170). O pensamento operatório10 apontava, portanto, para um modo de representação psíquica singular, cujo poder de delegação das pulsões seria próximo de nada. A singularidade das representações “operatórias” estaria no fato de seu principal apoio estar no mundo “externo”, nas convenções sociais, no discurso aprendido; daí as descrições impessoais, monótonas, cronológicas e descoloridas do paciente. Como se fosse um pintor sustentando-se no seu próprio pincel; como se o suporte todo do psiquismo estivesse nessa superfície.
O artigo, de Sidnei José Casetto, está no link
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1415-11382006000100008&script=sci_arttext
e o trecho acima encontra-se no subtítulo: Uma psicossomática do doente
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