4 de junho de 2026

Vinícius, Vivinha de Moraes, é melhor ser alegre que ser triste!

VINÍCIUS PARA COLORIR … DIAS, TARDES E NOITES … PRA RELAXAR !!! 

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Por Odonir Oliveira

Vinícius de Moraes sempre será uma figurinha para colorir. Independente de se ter que comemorar ora seu centenário de vida, ora seus 35 anos de falecimento …

Para colorir nossas vidas com seus versos de amor, suas histórias reais de amor. Cada um o colorirá a seu pesar ou a seu contentamento.

E porque hoje é sábado, Vinícius me acordou com seus textos infantis, sua sonoridade que abriu a arca de noé e deixou no ar as notas musicais de seus poemas em canções infantis.

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=-YuYhuF7oUw]

As muito feias que me perdoem mas beleza é fundamental e quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores. Beleza estética, poética, fogosa, sensual, contadora de casos. “Amar uma mulher só linda. E dai ?” “A vida é pra valer. É uma só”. “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”

https://www.youtube.com/watch?v=ScLjZrAczO8]

https://www.youtube.com/watch?v=_mEmrSCz6_Y]

Aqui está o inoxidavelmente lírico Vivinha do copo de uísque, apêndice do corpo, moto contínuo de sua procura amorosa, fraternal e política.

Sensível às mulheres como poucos em verso e prosa. Necessidade de estar sempre conjugado a um par romântico tivesse o cheiro, a cor da pele, a beleza nos olhos e nas saboneteiras, indispensáveis.

Vinícius de Moraes está muito, mas muito além dos livros de colorir que hoje se usam “pra relaxar”. E viajando tantas canções com parceiros na música, quanto as mulheres o foram na vida.

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem 
Mas beleza é fundamental. É preciso 
Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture 
Em tudo isso (ou então 
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa). 
Não há meio-termo possível. É preciso 
Qu tudo isso seja belo. É preciso que súbito 
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto 
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da [aurora. 
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche 
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso 
Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas 
Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços 
Alguma coisa além da carne: que se os toque 
Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos 
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro 
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e 
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem 
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então 
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca 
Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência. 
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos 
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas 
No enlaçar de uma cintura semovente. 
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem [saboneteiras 
É como um rio sem pontes. Indispensável 
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida 
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios 
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca 
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas. 
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral 
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal! 
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de [coxas 
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima [penugem 
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. 
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio 
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!) 
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos 
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão 
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre 
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos 
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face 
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca [inferior 
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras 
Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes 
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e 
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão 
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta 
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros. 
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos 
Ao abri-los ela não mais estará presente 
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá 
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer [beber 
O fel da dúvida. Oh, sobretudo 
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo 
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade 
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma 
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre 
O impossível perfume; e destile sempre 
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto 
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina 
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição 
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável. 

 

Vinícius é todo um convite ao tal relaxamento. Deite no sofá, beba Vinícius, cheire Vinícius. Ouça-o declamando um Samba da Bênção bem gostoso, cheire um livro seu –  qualquer um, em prosa ou em versos, ouça sua voz rouca em conversas inenarráveis – como certa vez me contou Fernando Sabino, em um trololó esperto de quando morou em Paris, e Vinícius lá estava em início de trabalho: “‘Fernando, vem pra cá pro meu apartamento, não posso te contar por telefone, estou vivendo uma situação inenarrável”- ao lado de umas francesinhas. Embriague-se de perder-se de amor, sem a preocupação do momento seguinte; corra riscos.

 

https://www.youtube.com/watch?v=gfwCMV-MkA4]

       

 

Vivi um tempo no Farol de Itapuã. Gerei lá o fruto do meu ventre e ali deixei-a nascer, no colo de Vinícius, pois morava ao lado da casa de Jessé e Vinícius, em 1979 (hoje Praça Vinícius de Moraes).

https://www.youtube.com/watch?v=qmMxEDaLOXc]

O dia da criação

Macho e fêmea

    Gênese,1,27

 


 

Hoje é sábado, amanhã é domingo 
A vida vem em ondas, como o mar 
Os bondes andam em cima dos trilhos 
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar. 
 

Hoje é sábado, amanhã é domingo 
Não há nada como o tempo para passar 
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo 
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal. 

Hoje é sábado, amanhã é domingo 
Amanhã não gosta de ver ninguém bem 
Hoje é que é o dia do presente 
O dia é sábado. 
 

Impossível fugir a essa dura realidade 
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios 
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas 
Todos os maridos estão funcionando regularmente 
Todas as mulheres estão atentas 
Porque hoje é sábado. 
 

[…]

Estivermos onde estivermos, não nos esqueçamos de que somos operários em construção.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=vZOPTJ7S-Fo

Encante-se com a vida de quem viveu e deixou sua figura assim…. para que cada um a colora com seus lápis próprios, com suas emoções. Para que cada um use e abuse de suas frases em citações, combine e confirme sua trilha sonora de vida com PRAZER . E que faça BEM. 

 

 

Ah, quem não curtiu uma paixão, esse não vai ter perdão.

Deixe Vivinha ler nos seus ouvidos e inspirar  você.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=AIzu59oDBiw

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=eHgU4ERc7Nc

 

E ele é negro demais no coração.

IRREVERÊNCIA !

E, em meio ao caos político e à deseperança, RE- LA- XE !

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=iiW2ImJLW0c

UMA BIOGRAFIA

DOCUMENTÁRIO SOBRE VINÍCIUS DE MORAES

[video:https://www.youtube.com/watch?v=gKVXE6fE8tQ

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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19 Comentários
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  1. Anna Dutra

    11 de julho de 2015 11:28 am

    Clap, Clap, Clap !
    Pena eu estar em trânsito. Mas quando eu aportar vou voltar aqui para me lambuzar de novo, e colocar umas coisinhas, nesta beleza de post: um oásis em meio à aridez!
    A vida é a arte do encontro.
    Abraços rimados!

    1. Odonir Oliveira

      12 de julho de 2015 6:11 pm

      Samba em prelúdio para Anna Dutra de toques de cotovelos

      cibernéticos e abraços rimados.

       

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=_Gl_ccPe-ps%5D

      1. Odonir Oliveira

        12 de julho de 2015 6:29 pm

        E para o prof. Luciano Hortencio, um agradinho

        do poeta vagabundo.

         

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=aPiQf80djfM%5D

      2. Anna Dutra

        12 de julho de 2015 11:47 pm

        Meu olhar perdido nas montanhas…
        Eu sem você não tenho porque
        porque sem você não sei nem chorar
        Sou chama sem luz
        jardim sem luar
        luar sem amor
        amor sem se dar
        E eu sem você
        sou só desamor
        um barco sem mar
        um campo sem flor
        Tristeza que vai
        tristeza que vem
        Sem você meu amor eu não sou
        ninguém

        Ah que saudade
        que vontade de ver renascer
        nossa vida
        Volta querido
        os meus braços precisam dos teus
        Teus abraços precisam dos meus
        Estou tão sozinha
        tenho os olhos cansados de olhar
        para o além
        Vem ver a vida
        Sem você meu amor eu não sou
        ninguém

  2. Rui Daher

    12 de julho de 2015 3:12 pm

    Que alegria, que dor de perda,

    um tratado sobre Vininha. Maravilha, Odonir. Tudo o que podemos comemorar se aproxima de nossos tantos Vininhas. Obrigado e abraço.

    1. Odonir Oliveira

      12 de julho de 2015 4:11 pm

      Rui, um homem como Vinícius inspira o ser humano

      “É melhor ser alegre que ser triste.

      A alegria é a melhor coisa que existe”

  3. jns

    12 de julho de 2015 3:23 pm

    “Sou alcóolatra…”

    Assunto: Vinicius de Moraes.
    DEMITA-SE ESSE VAGABUNDO
    Ass. Arthur da Costa e Silva

    O Jornalista Bernardo Mello Franco, em reportagem do dia 28/06/2009, publicada no jornal “O Globo”, descreve com mais detalhes o caso da degola ocorrida no Itamaraty. De acordo com o relato, uma comissão teria sido criada por Magalhães Pinto e chefiada pelo embaixador Antonio Cândido da Câmara Canto com o objetivo de “livrar” o Ministério das Relações Exteriores de pessoas com comportamento inadequado, na visão do governo. A perseguição atingiu, principalmente, funcionários “suspeitos de ligações com a esquerda, homossexualismo, incontinência pública escandalosa e vício de embriaguez”. As informações de Mello Franco teriam sido embasadas em documentos obtidos pelo “O GLOBO” no Arquivo Nacional, vinculado à Casa Civil, e no Itamaraty. De acordo com o jornalista, os documentos provam que a homofobia e a intolerância pautaram o funcionamento da Comissão de Investigação Sumária, que fez uma caça às bruxas em todos os escalões do Itamaraty.

    [video:https://youtu.be/BX88JEMpIrw width:600]

    Comenta-se que Vinicius de Moraes, um heterossexual convicto, ao saber que os motivos das demissões envolviam tanto “acusações de homossexualismo, quanto de boêmia”, mesmo indignado, não perdeu a piada e apressou-se em dizer: “Eu sou alcoólatra!”.

    http://www.drzem.com.br/2010/01/vinicius-de-moraes-o-bom-vagabundo.html

    1. Odonir Oliveira

      12 de julho de 2015 5:54 pm

      Vininha, Vivinha, ah, gosto dos dois, dos dez, dos cem Vinícius

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=tUBCOtDyGCU%5D

  4. José Robson

    12 de julho de 2015 4:29 pm

    Esse, pode-se dizer, viveu

    “latitudinalmente” e não “longitudinalmente”! Digo isso para minha parceira quando se incomoda com meus tragos (que nem são muitos)…

    1. Odonir Oliveira

      12 de julho de 2015 4:45 pm

      Dedique à parceira, José Robson

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=7RmX_LzPOP4%5D

      1. José Robson

        12 de julho de 2015 5:47 pm

        Ela sabe…

        Ela sabe… e sabe que eu sei que ela sabe..

        Valeu, Odonir!

        Bjos!

        Bom domingo!

         

  5. Odonir Oliveira

    12 de julho de 2015 4:50 pm

    “E por falar em saudade…”

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=x787IgD-fQA%5D

  6. Odonir Oliveira

    12 de julho de 2015 6:03 pm

    Ao anarquista sério, que fertilizou essa postagem sobre Vinícius

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=OK_6_7ZFD9k%5D

  7. Odonir Oliveira

    12 de julho de 2015 6:20 pm

    Ao jns, de versos e vida de poeta pós-moderno

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=U0q9qwLypoE%5D

    1. jns

      12 de julho de 2015 9:58 pm

      I Fall in Love Too Easily

      [video:https://youtu.be/nK8JlTlhnjw width:600]

      [video:https://youtu.be/3zrSoHgAAWo width:600]

  8. Odonir Oliveira

    12 de julho de 2015 7:34 pm

    Aos amores que ficaram pelo caminho, cada um com um tantinho

    de nós.

     

    A MULHER QUE PASSA

     

    Rio de Janeiro , 1938

     

    Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
    Seu dorso frio é um campo de lírios
    Tem sete cores nos seus cabelos
    Sete esperanças na boca fresca!

    Oh! como és linda, mulher que passas
    Que me sacias e suplicias
    Dentro das noites, dentro dos dias!

    Teus sentimentos são poesia
    Teus sofrimentos, melancolia.
    Teus pelos leves são relva boa
    Fresca e macia.
    Teus belos braços são cisnes mansos
    Longe das vozes da ventania.

    Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

    Como te adoro, mulher que passas
    Que vens e passas, que me sacias
    Dentro das noites, dentro dos dias!
    Por que me faltas, se te procuro?
    Por que me odeias quando te juro
    Que te perdia se me encontravas
    E me encontrava se te perdias?

    Por que não voltas, mulher que passas?
    Por que não enches a minha vida?
    Por que não voltas, mulher querida
    Sempre perdida, nunca encontrada?
    Por que não voltas à minha vida?
    Para o que sofro não ser desgraça?

    Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
    Eu quero-a agora, sem mais demora
    A minha amada mulher que passa!

    No santo nome do teu martírio
    Do teu martírio que nunca cessa
    Meu Deus, eu quero, quero depressa
    A minha amada mulher que passa!

    Que fica e passa, que pacifica
    Que é tanto pura como devassa
    Que boia leve como a cortiça
    E tem raízes como a fumaça.

  9. Odonir Oliveira

    12 de julho de 2015 7:36 pm

    Ao companheiro Luis Nassif, sempre rodeado pelas mulheres:

    mãe, filhas, neta, tias, primas, amadas.

     

    A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA (III)

     

    Rio de Janeiro

      A Nelita 

    Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado 
    Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido herói sem mácula 
    Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a bilirrubina 
    Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco quilos 
    Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as confidências 
    E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas 
    Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia. 
    Eis que se anuncia de modo sumamente grave 
    A vinda da mulher amada, de cuja fragrância já me chega o rastro. 
    É ela uma menina, parece de plumas 
    E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos 
    Empós meu canto. É ela uma menina. 
    Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina 
    Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes 
    Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos 
    Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos 
    Para cantar seus réquiens e os falsos profetas 
    A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras. 
    Mas nada a detém; ela avança, rigorosa 
    Em rodopios nítidos 
    Criando vácuos onde morrem as aves. 
    Seu corpo, pouco a pouco 
    Abre-se em pétalas… Ei-la que vem vindo 
    Como uma escura rosa voltejante 
    Surgida de um jardim imenso em trevas. 
    Ela vem vindo… Desnudai-me, aversos! 
    Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos! 
    Alvoroçai-me, auroras nascituras! 
    Eis que chega de longe, como a estrela 
    De longe, como o tempo 
    A minha amada última!

     
    Rio de Janeiro, 1950.http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/brusca-poesia-da-mulher-amada-iii

  10. lenita

    12 de julho de 2015 8:13 pm

    Odonir

    Entrei aqui e não sai mais… Tb vc coloca o Vinicius. Vou favoritar, para ver e ouvir novamente. Muitas e muitas vezes.

    1. Odonir Oliveira

      12 de julho de 2015 9:05 pm

      E para LENITA não sair mais DO LIRISMO DE VININHA ….

       

      A ESPOSA

       

       

       

       

       

        Às vezes, nessas noites frias e enevoadas
      Onde o silêncio nasce dos ruídos monótonos e mansos
      Essa estranha visão de mulher calma
      Surgindo do vazio dos meus olhos parados
      Vem espiar minha imobilidade.

      E ela fica horas longas, horas silenciosas
      Somente movendo os olhos serenos no meu rosto
      Atenta, à espera do sono que virá e me levará com ele.
      Nada diz, nada pensa, apenas olha — e o seu olhar é como a luz
      De uma estrela velada pela bruma.
      Nada diz. Olha apenas as minhas pálpebras que descem
      Mas que não vencem o olhar perdido longe.
      Nada pensa. 
      Virá e agasalhará minhas mãos frias
      Se sentir frias suas mãos.

      Quando a porta ranger e a cabecinha de criança
      Aparecer curiosa e a voz clara chamá-la num reclamo
      Ela apontará para mim pondo o dedo nos lábios
      Sorrindo de um sorriso misterioso
      E se irá num passo leve
      Após o beijo leve e roçagante…

      Eu só verei a porta que se vai fechando brandamente…
      Ela terá ido, a esposa amiga, a esposa que eu nunca terei. Rio de Janeiro , 1933 

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