Negros são as pessoas mais abordadas no Rio de Janeiro, independente da situação ou cenário, mostrou o levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, “Elemento Suspeito”, nesta terça (15).
A pedido do Centro de Estudos, o Instituto Datafolha conversou com 3.500 pessoas em lugares estratégicos de trânsito e passagem de pessoas na capital fluminense. Entre os que afirmam já terem sido parados para revista das polícias, 63% são pretos e pardos. E em todos os demais cenários, mais de 60% das pessoas são negras:




A Polícia Militar do Rio de Janeiro negou que “há qualquer viés racial na sua atuação e sua missão de combater criminosos armados”. Mas a pesquisa mostrou o contrário, que há mira, que há “elemento suspeito”, e são as pessoas negras.
A comparação do primeiro levantamento, feito em 2003, com a mais atual, mostra que “apesar de algumas conquistas e do posicionamento mais forte da nova geração, o corpo negro segue sendo o elemento suspeito”.
“Entre uma pesquisa e outra, passaram-se cinco governos estaduais (Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro) e 14 comandos diferentes na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que patrulha as ruas da cidade e realiza a maioria das abordagens. Ocorreram, ainda, várias experiências em segurança pública. Houve tempo suficiente para a polícia mudar. Durante esse longo período, também, as câmeras de videomonitoramento, oficiais e particulares, multiplicaram-se em escala nas ruas do Rio e foi testado um sistema de reconhecimento facial de pessoas, entre outros modelos de policiamento.”
O documento, de 60 páginas, também revela que a abordagem racial das polícias no Rio de Janeiro piorou de 2003 para 2021, mas com evidente aumento em 2018, com a intervenção federal no estado, consagrando “a hipermilitarização” das polícias, com 1.535 mortes.
Mas esse recorde conseguiu ser superado em 2019, aponta a pesaquisa, “com o agravamento do autoritarismo e do fascismo declarados, com Jair Bolsonaro na Presidência da República, e com a chegada do governo de Wilson Witzel e sua política de ‘tiro na cabecinha’: policiais do estado mataram exatas 1.814 pessoas em 2019”.
A íntegra do documento pode ser lido abaixo:
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