4 de junho de 2026

A homogeneização dos mantras na blogosfera e na mídia tradiconal

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Sem dúvida o nosso país, infelizmente, é o da piada pronta. Mas ele vem se destacando por outros motivos também desabonadores. Um deles é a taxa de aparecimento de mantras que reverberam na boca desde os mais instruídos ( e não necessariamente mais educados) até a boca dos menos instruídos ( não necessariamente os menos educados).

Funciona assim. Um fato político ocorre e em seguida pululam textos analisando tal fato. A homogeneização dos textos extrapola a já conhecida hegemonia midiática em torno de um inimigo comum. Ela alcança a blogosfera que, aceitemos ou não, está crescendo e começando a perceber que, assim como a mídia tradicional, poderá em breve influir similarmente no jogo político do país usando táticas similares às dos barões.

A homogeneização tanto da mídia quanto da blogosfera dita progressista (e não adianta querer se livrar de rótulos, pois isso não depende de nós) é um fenômeno que só encontra condições no Brasil do oportunismo. Para muitos é muito difícil continuar cerrando fileiras quando a coisas estão turbulentas, fazendo com que a permutação ideológica seja muito mais acentuada.

O mantra de que o PT acabou foi massivamente inaugurado com o episódio do Mensalão deflagrado pela antipatia de Roberto Jefferson ao ex-ministro da casa civil José Dirceu. Daquele momento em diante os fatos foram desmentindo os principais propagadores desse mantra: colunistas dos veículos tradicionais.

A blogosfera progressista, ainda naquele momento, fazia o contraponto, sendo constantemente subsidiada com os resultados das urnas mostrando que apesar das turbulências o PT ainda vencia as eleições. Isso era um claro sinal de desconexão da mídia tradicional e a realidade econômica vivida no Brasil de Lula.

Tão logo a crise econômica começou a colocar a cabeça de fora chegaram novos propagadores o PT acabou. E esse aglutinamento foi e é fruto da queda do sustentáculo econômico que impedia que os novos propagadores de mantras, muitos da outrora progressista blogosfera, pudessem livremente dizer que agora vai, é o fim de Lula e do PT.

Mantras auxiliares como aqueles do Kotscho dizendo que o discurso de Lula sobre elite já está batido é outro exemplo de como a outrora progressista está se desconectando da realidade. A maioria não quer admitir que o ápice do conflito de classes ainda nem chegou. O que os governos Lula fizeram foi apenas dar um empurrãozinho para que a  o morro pudesse chegar mais rápido ao asfalto, mas de fato nem todos chegaram ainda.

Pode-se afirmar que a tomada das ruas pela diversidade brasileira está próxima, mas isso é muito difícil de precisar devido à natureza hipócrita do brasileiro conservador em dizer que não está sendo movido por preconceitos quando bate panelas. A primeira coisa que um conservador quer é que a ideia de que a segregação social econômica e racial no Brasil seja extinta, mesmo que no fundo, bem lá no fundinho, ideias são latentes e basta uma cabeça para que o tormento que elas trazem seja novamente posto em prática.

Dessa forma, é provável que o PT saia do executivo no próximo pleito, mas dizer que o  partido acabou é rasidão demais para aqueles que se julgam formadores de opinião. É ignorar que, assim como a massa eleitoral  tende a esquecer os tempos sombrios de FHC, nada impede que no futuro o PT volte a se fortalecer devido à conjunturas adversas que o governo em voga com certeza sofrerá. Faz parte do jogo. Repetir mantras também, mesmo sabendo que estes não tem ciência alguma à não ser à do camaleão.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. sergio m pinto

    9 de maio de 2015 2:26 pm

    Em política, tudo pode

    Em política, tudo pode acontecer. Mas ainda é pouco provável que o sapo barbudo perca em 2018. Sabe-se que há um esforço gigantesco para isso, mas o Lula é o Lula.

    1. edna baker

      9 de maio de 2015 5:43 pm

      É o cara.

      É o cara.

      1. Calvin

        11 de maio de 2015 3:15 pm

        É o chefe!

        Se é que me entende….

  2. Sbcampello

    9 de maio de 2015 4:18 pm

    E o mantra de que 2018 é agora?

    Também está formado o mantra de que o PT perderá em 2018. É a eleição mais antecipada de nossa história. Muita água vai rolar por debaixo da ponte ainda. Também acho que percepção da blogosfera progressista está contaminada pelo seu contexto sudestino.

  3. NICKNAME

    9 de maio de 2015 4:28 pm

    Mantras também …

    E alguém viu o curto manifesto de uma frase de Ivan de Union? (Endosso. Só defesa, algumas críticas , sempre tendo um partido em foco ) – Obs: apóio o Ajuste Fiscal e nuns poucos posts, manifestei que tão cedo após a posse não se deveriam criticar a Presidente porque, a meu ver, era e é cedo). Assim, como no segundo turno critiquei o jogo eleitoreiro de o Bem X o Mal. Reconheço que este esporádico leitor e opinador deveria ter sido mais contundente eem rechaçar aquele jogo. Dito e feito: meio caminho pra desilusão. Uma frase atribuída a Felipez González : “O poder é omo um violino: toma-se com a esquerda, e toca-se com a direita”. (Não concordo com a frase, mas ela tem um quê de realismo necessário, sem abandonar os sonhos).

    1. Francy Lisboa

      9 de maio de 2015 5:26 pm

      Ta aí, nunca havia ouvido

      Ta aí, nunca havia ouvido falar da citação “O poder é omo um violino: toma-se com a esquerda, e toca-se com a direita”. Mas acho que ela se adequa a realidade muito mais que os nossos sonhos e paixões políticas. 

  4. Wendel

    9 de maio de 2015 6:57 pm

    E …………….

    Acho muito temerário o dito que – ” ..  é provável que o PT saia do executivo no próximo pleito,…” pois considero ser muito cedo para qualquer análise do cenário politico futuro.

    Mas há quem se julgue “oráculo”, aí …………………

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