Covid-19 – Acendendo o sinal amarelo: O ritmo de queda diminuiu. Vamos atolar de novo?
Por Felipe A. P. L. Costa [*].
RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). Em escala mundial, já são 498 milhões de casos e 6,18 milhões de mortes. No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento publicadas no mesmo artigo da semana passada. Entre 4 e 10/4, os valores ficaram em 0,0727% (casos) e 0,0240% (mortes). As taxas seguem em trajetória declinante, mas o ritmo de queda caiu significativamente. É preocupante e de pronto levanta uma questão inquietante: vamos atolar de novo?
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1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.
Levando em conta as estatísticas obtidas na madrugada de ontem para hoje (10-11/4) [1], eis um balanço da situação mundial.
(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 73% dos casos (de um total de 498.154.313) e 71% das mortes (de um total de 6.176.420) [3].
(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade está em 1,2%. A taxa brasileira está em 2,2%. (Dois países vizinhos que também estão no topo da lista mostram os seguintes valores: Argentina, 1,4%; e Colômbia, 2,3%.)
(C) Nesses 20 países, receberam alta 323 milhões de indivíduos, o que corresponde a 88% dos casos. Em escala global, 448 milhões de indivíduos já receberam alta [4].
2. O RITMO DA PANDEMIA NO PAÍS.
Ontem (10/4), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 7.210 casos e 38 mortes. (Números estranhamente quase idênticos aos de domingo passado.) Teríamos chegado assim a um total de 30.152.402 casos e 661.258 mortes.
Na semana encerrada ontem (4-10/4), foram registrados 152.965 novos casos – uma queda de 3% em relação à semana anterior (28/3-3/4: 157.019).
Entre 4 e 10/4, infelizmente, foram registradas 1.111 mortes – uma queda de 12% em relação ao que foi anotado na semana anterior (28/3-3/4: 1.268).
3. TAXAS DE CRESCIMENTO.
Os percentuais e os números absolutos referidos acima ajudam a descrever a situação. Todavia, para monitorar o ritmo e o rumo da pandemia [5], sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambas tornaram a cair, ainda que o ritmo de queda tenha diminuído significativamente (ver a figura que acompanha este artigo).
Vejamos os resultados mais recentes.
A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,0750% (28/3-3/4) para 0,0727% (4-10/4) – caiu muito pouco, mas foi a quarta queda consecutiva [6, 7].
A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, caiu de 0,0275% (28/3-3/4) para 0,0240% (4-10/4) – foi a oitava queda consecutiva.
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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 10/4/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.
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4. CODA.
As médias semanais das taxas de crescimento (casos e mortes) seguem a cair (ver a figura que acompanha este artigo).
É uma boa notícia, sem dúvida [8].
O ritmo de queda, no entanto, arrefeceu. É preocupante. E deveria acender o sinal amarelo em todos nós, afinal a pergunta que se impõem é a mesma que se impôs outras vezes ao longo dos dois últimos anos: vamos atolar de novo?
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NOTAS.
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[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).
[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em 11 grupos: (a) Entre 80 e 85 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 40 e 45 milhões – Índia; (c) Entre 30 e 35 milhões – Brasil; (d) Entre 25 e 30 milhões – França; (e) Entre 20 e 25 milhões – Alemanha e Reino Unido; (f) Entre 15 e 20 milhões – Rússia, Coreia do Sul e Itália; (g) Entre 12 e 15 milhões – Turquia; (h) Entre 10 e 12 milhões – Espanha e Vietnã; (i) Entre 8 e 10 milhões – Argentina e Países Baixos; (j) 6 e 8 milhões – Irã, Japão, Colômbia e Indonésia; e (k) Entre 5,6 e 6 milhões – Polônia e México.
Olhando apenas para as estatísticas (casos e mortes) das últimas quatro semanas, eis um breve resumo da situação atual: (i) em números absolutos, a lista está a ser encabeçada pela Coreia do Sul, com 8,96 milhões de novos casos; (ii) a lista dos cinco primeiros tem ainda os seguintes países: Alemanha (5,58 milhões), Vietnã (4.69 milhões), França (3,32) e Reino Unido (2,04). O Brasil (812 mil) está na 12ª posição; e (iii) a lista dos países com mais mortes segue sendo encabeçada pelos EUA (20,9 mil); em seguida aparecem Chile (13,3 mil), Rússia (11,3), Coreia do Sul (8,95) e Reino Unido (7,05). O Brasil (6,53 mil) está na 6ª posição.
[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
[4] Como comentei em ocasiões anteriores, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto as de altas estão agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.
[5] Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea mencionada na nota 3.
[6] Entre 27/12/2021 e 10/4/2022 (para as semanas anteriores, ver aqui), as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,0345% (27/12-2/1), 0,1472% (3-9/1), 0,2997% (10-16/1), 0,6359% (17-23/1), 0,7576% (24-30/1), 0,6544% (31/1-6/2), 0,5022% (7-13/2), 0,3744% (14-20/2), 0,2812% (21-27/2), 0,1389% (28/2-6/3), 0,1565% (7-13/3), 0,1268% (14-20/3), 0,1019% (21-27/3), 0,0750% (28/3-3/4) e 0,0727% (4-10/4); e (2) mortes: 0,0151% (27/12-2/1), 0,0196% (3-9/1), 0,0245% (10-16/1), 0,0471% (17-23/1), 0,0859% (24-30/1), 0,1212% (31/1-6/2), 0,1388% (7-13/2), 0,1320% (14-20/2), 0,1071% (21-27/2), 0,0661% (28/2-6/3), 0,0642% (7-13/3), 0,0463% (14-20/3), 0,0363% (21-27/3), 0,0275% (28/3-3/4) e 0,0240% (4-10/4).
[7] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver referências citadas na nota 3.
[8] Como escrevi em ocasiões anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação.
Cabe ressaltar que o ritmo da vacinação oscilou muito ao longo da campanha. Levamos 34 dias (24/8-27/9), por exemplo, para ir de 60% a 70% da população com ao menos uma dose da vacina. (Hoje, 11/4, este percentual ainda está em 84,91%.) Antes disso, porém, levamos 25 dias (9/7-3/8) para ir de 40% a 50% e apenas 21 dias (3-24/8) para ir de 50% a 60%. Sobre os percentuais, ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).
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Edson Assunção
11 de abril de 2022 10:13 pmEstive no Chile recentemente, e pude ver a seriedade com q tratam a questão, a testagem está a disposição de toda a população de forma gratuita, as medidas de prevenção como uso de máscara e controle de aglomeração e a vacinação são levadas muito a sério, de forma q vejo a 2 colocação do Chile como um retrato real do que acontece lá. Levar a sério os números apresentados no Brasil, com menos q a metade do Chile, com uma população muito maior q a deles, sem testagem, com os médicos capazes de fazer os absurdos q a CPI demonstrou, é infelizmente uma temeridade. Não dá pra levar a sério estes dados, por favor façam uma reflexão simples, temos dados confiáveis? Se não temos, este alerta teria q vir junto de cada matéria q trazem estes dados, seria o mínimo, e espero de vcs do GGN mais q o mínimo. Espero q mudem a abordagem.