Noiva gulosa e sem dote
por Francisco Celso Calmon
O PSB quer a vice do Lula e não cede São Paulo e ainda coloca dificuldades para compor no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, quer muito para um partido que não tem tanto para oferecer.
Uma noiva não deve implodir a família de esquerda, quando nem mesmo anteparo ao inimigo nazifascista, para impedir ações radicais e insurgências ao resultado eleitoral, pode garantir.
É a esquerda de luta social que pode enfrentar o bolsonarismo.
A esquerda que flerta com o neoliberalismo pode ser competente na articulação de bastidores para ocupação de cargos, mas incapaz na organização da resistência ao golpismo.
Quando Dilma se deu conta de que estava mal assessorada e mudou na economia e na justiça já era tarde, contudo, deu para sentir que o caminho certo era outro, especialmente com Eugenio Aragão no comando do Ministério da Justiça.
Se a lógica para vencer é a associação com a direita, então, a escolha do PSB está equivocada, pois não representa a direita, é um partido de centro-esquerda, e em declínio; no entra e sai das janelas ficou com um saldo negativo. Atualmente tem 22 deputados e 1 senador, bem abaixo de partidos de centro-direita, como o MDB e o PSD, os quais detêm mais de 50 congressistas cada um.
O PSB está sendo uma noiva gulosa e com dote aquém de sua voracidade!
Esses articuladores, que visam mais a ocupação de espaço do que efetivamente a implementação de uma estratégia com potencial de vitória, colocaram a carroça à frente e os ovos da galinha antes.
Como firmar parceria da chapa presidencial sem haver antes um projeto?
A federação partidária do PT, PCdoB, PV, deve apresentar um projeto para o Brasil e a partir daí abrir a possibilidade de composição da chapa presidencial.
Compor chapa sem critérios e baseada apenas em personalismos é construir a fragilidade de governança social e institucional.
Discutir ou impor nomes antes de critérios está sendo um erro tão abissal que, a poucos meses da eleição, a esquerda petista está em processo de ebulição para gerar a convenção partidária, quando o ideal seria chegar no auge da motivação
Quem articulou precocemente a chapa conhece pouco a esquerda partidária, pois a deixaram à margem, invadiram espaços sem legitimidade orgânica. Estão visando mais os ovos de ouro da galinha e com isso colocaram o carro à frente dos que carregam a carroça.
Para enfrentar o bolsonarismo, a esquerda de luta não pode estar broxante, deve estar em ereção permanente, pois essas eleições vão exigir segurança, coragem, determinação e valentia.
Para tanto, o que argamassa uma frente é a fidelidade ao projeto.
Qual? Cadê?
Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça
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Bruno
12 de abril de 2022 8:32 amExcelente texto! Uma ótima reflexão sobre o cenário político atual.