Padre Júlio Lancelotti no Domingo da Ressurreição: estamos no derradeiro da civilização humana?
Por Saulo Barbosa Santiago dos Santos[1]
As maiores pedras no sapato de todos os regimes fascistas na América Latina sempre começaram com a Igreja Católica, para falar a verdade, a guerra fascista foi uma guerra contra a igreja católica, só basta vermos os exemplos do arcebispo Oscar Romero, cardeal Silva Henríquez e Dom Hélder Câmara. Num Brasil pós 2018 há diversos religiosos que estão se destacando na luta pelos direitos humanos, em especial, o padre Júlio Lancellotti, que bravamente ofuscou a ação da polícia militar enquanto cumpria sua religiosidade na Via Sacra paulistana.
O religioso incomoda pelo exemplo que dá, críticas e denúncias certeiras, por isso, na primeira oportunidade ele é rechaçado sem piedade, na páscoa deste ano não seria diferente. Enquanto ele fazia a Via Sacra em São Paulo, estranhamente, uma guarnição da polícia militar parou o ato para questionar o nobre católico. Questionaram sobre o ato, respeitosamente, apesar de surpreso e assustado, Lancellotti explicou que a Via Sacra é um evento religioso católico onde se refaz, virtualmente, o caminho que Jesus percorreu até ser crucificado. Talvez seja algo óbvio até para autor deste texto, que é ateu, mas para os policiais não, sabe-se lá que se passava na cabeça deles. Para piorar a vergonha, solicitaram a documentação do religioso e fotografaram, tudo bem, ele é um cidadão como qualquer outro, mesmo que seja um dos religiosos mais conhecidos do Brasil.
Sob o custo que supera um milhão de reais e organizado pelo pastor Jarkson Vilar, que recebeu 16 parcelas do auxílio emergencial destinado à população pobre, o presidente Bolsonaro participou da motociata “Acelera para Cristo” no último dia 15 que contou com menos de 4000 motociclistas, metade se comparada à motociata de 2021. Estranhamente, nenhum policial militar parou o movimento para questionar o ato ou pedir documentação, pelo menos, do organizado. Tudo ocorreu normalmente, inclusive, com grande semelhanças a uma campanha política, com bem sabemos, por enquanto, é proibida.
Na segurança pública, somente se aborda alguém perante flagrante delito ou fundamentada suspeita e, até onde se sabe, nenhuma destas circunstâncias se enquadra na Via Sacra do religioso.
Por que o padre Júlio Lancellotti foi parado desta forma? Segundo o próprio, longe de afirmações ou acusações, o ato dos policiais o intimidou, além de ter sido algo assustador porque interromper a procissão de um padre somente para pedir a documentação não é algo normal.
Lancellotti teme por sua vida, no começo deste ano ele foi supostamente ameaçado de morte por militares quando disseram que “a hora dele vai chegar”, apesar de ter denunciado os militares, não há garantias quanto a sua segurança, principalmente quando algo estranho ocorre repentinamente nesta páscoa. Crises com os militares não é algo pontual, já houve outras vezes e uma delas ocorreu há 8 meses, quando policiais lhe impediram de distribuir alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Está claro que entre pesos e medidas, a conta nunca está a favor para o lado que favorece o direito à humanidade, em períodos de crises, são justamente os mais necessitados que são os maiores alvos, a missão deste audaciosos padre é conter os danos, lutar pelos mais necessitados e bater de frente contra as classes dominantes que buscam riqueza sobre a camada pobre e necessitada. Lancellotti é um dos maiores exemplos da função social da religião católica e precisamo ficar do lado dele, caso contrário, estaremos no derradeiro da civilização humana.
[1]Filósofo, guarda civil e autista
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].
Leia também:
Estatuto do Desarmamento, a quem salva?, por Saulo Barbosa Santiago dos Santos
É possível uma sociedade sem religião?, por Saulo Barbosa Santiago dos Santos
O constrangimento escravagista e a contradição liberal, por Saulo Barbosa Santiago dos Santos
Valdeir Silva
18 de abril de 2022 12:31 pmO comandante da PM deve ser exonerado para o bem do serviço público.
O marginal do bo$tanaro não para de e$tender deus tentáculos criminosos.
E policiais muito mau preparados e sem o conhecimento para atender a necessidade da sociedade, e assim vão cumprindo seus crimes em função também de sua formação fora da PM.