Covid-19 – As taxas seguem a cair, mas anunciar o fim da emergência sanitária é mera pirotecnia.
Por Felipe A. P. L. Costa [*].
RESUMO. – Este artigo atualiza as taxas de crescimento (casos e mortes) divulgadas em artigo anterior (aqui). Entre 11 e 17/4, os valores ficaram em 0,0474% (casos) e 0,0152% (mortes). As taxas seguem a cair. Todavia, anunciar o fim da emergência sanitária, como fez ontem o ministro da Saúde, é uma medida precoce e meramente pirotécnica. E é mais uma demonstração da incompetência técnica, da preguiça e do desleixo que tomaram de assalto o governo federal.
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1. O RITMO DA PANDEMIA NO PAÍS.
No domingo (17/4), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 2.541 casos e 22 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 30.252.618 casos e 661.960 mortes.
Na semana encerrada domingo (11-17/4), foram registrados 100.216 novos casos – uma queda de 34% em relação à semana anterior (4-10/4: 152.965).
Entre 11 e 17/4, infelizmente, foram registradas 702 mortes – uma queda de 37% em relação ao que foi anotado na semana anterior (4-10/4: 1.111).
2. TAXAS DE CRESCIMENTO.
Os percentuais e os números absolutos referidos acima ajudam a descrever a situação. Todavia, para monitorar o ritmo e o rumo da pandemia [1], sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambas seguem em trajetórias decrescentes (ver a figura que acompanha este artigo).
Vejamos os resultados mais recentes.
A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,0727% (4-10/4) para 0,0474% (11-17/4) – foi a quinta queda consecutiva [2, 3].
A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, caiu de 0,0240% (4-10/4) para 0,0152% (11-17/4) – foi a nona queda consecutiva. E mais: se ignoramos as semanas afetadas pela ‘pane de dezembro’ (ver a figura que acompanha este artigo), este é o valor mais baixo desde o início da pandemia.
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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 17/4/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.
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3. CODA.
As médias semanais das taxas de crescimento (casos e mortes) seguem a cair (ver a figura que acompanha este artigo).
A taxa de mortes, especificamente, atingiu o valor mais baixo desde o início da pandemia (salvo os valores registrados durante a ‘pane de dezembro’). É uma boa notícia, sem dúvida [4].
Mas ainda é cedo para falar em fim da pandemia. Sobretudo ao constatar que as estatísticas de alguns países (países populosos ou até superpopulosos, como é o caso da China) ainda estão a oscilar para cima, e de maneira expressiva (ver o balanço da situação mundial, a ser publicado em separado).
Anunciar o fim da emergência sanitária por Covid-19, como fez ontem o ministro da Saúde (ver aqui), é uma medida precoce e meramente pirotécnica. E o pior: é mais uma demonstração da incompetência técnica, da preguiça e do desleixo que tomaram de assalto o governo federal.
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NOTAS.
[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.
[1] Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea mencionada na nota 3.
[2] Entre 27/12/2021 e 17/4/2022 (para as semanas anteriores, ver aqui), as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,0345% (27/12-2/1), 0,1472% (3-9/1), 0,2997% (10-16/1), 0,6359% (17-23/1), 0,7576% (24-30/1), 0,6544% (31/1-6/2), 0,5022% (7-13/2), 0,3744% (14-20/2), 0,2812% (21-27/2), 0,1389% (28/2-6/3), 0,1565% (7-13/3), 0,1268% (14-20/3), 0,1019% (21-27/3), 0,0750% (28/3-3/4), 0,0727% (4-10/4) e 0,0474% (11-17/4); e (2) mortes: 0,0151% (27/12-2/1), 0,0196% (3-9/1), 0,0245% (10-16/1), 0,0471% (17-23/1), 0,0859% (24-30/1), 0,1212% (31/1-6/2), 0,1388% (7-13/2), 0,1320% (14-20/2), 0,1071% (21-27/2), 0,0661% (28/2-6/3), 0,0642% (7-13/3), 0,0463% (14-20/3), 0,0363% (21-27/3), 0,0275% (28/3-3/4), 0,0240% (4-10/4) e 0,0152% (11-17/4).
[3] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
[4] Como escrevi em ocasiões anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação.
Cabe ressaltar que o ritmo da vacinação oscilou muito ao longo da campanha. Levamos 34 dias (24/8-27/9), por exemplo, para ir de 60% a 70% da população com ao menos uma dose da vacina. (Hoje, 18/4, este percentual ainda está em 85%.) Antes disso, porém, levamos 25 dias (9/7-3/8) para ir de 40% a 50% e apenas 21 dias (3-24/8) para ir de 50% a 60%. Sobre os percentuais, ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).
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WEDSON DESIDERIO FERNANDES
19 de abril de 2022 6:24 pmO duro é ver esse governo, agora posar de “fiel à Ciência”. Mas o que poderíamos esperar dele?