Há incomodo consenso sobre a baixa produtividade brasileira e muito é falado sobre as suas consequências para o crescimento e desenvolvimento do Brasil. Particularmente, acho que a maioria dos discursos sobre produtividade no trabalho, quando vindos da classe patronal, representa forma dissimulada de encontrar bases para quebrar direitos trabalhistas e reduzir custos ao preço de transformar a classe trabalhadora brasileira em classe trabalhadora cambojana. Mas, nem só de Direitos viverá o homem, não é mesmo?
Quando nos deparamos com situações cotidianas de trabalho um detalhe pode passar despercebido, seja porque somos nós mesmos o agente passivo da ação ou mesmo o agente ativo da situação. Estou me referindo à necessidade de o trabalhador brasileiro, de uma maneira geral, ter de se elogiado para simplesmente fazer aquilo para o qual é pago. A natureza xiquilenta do latino é a base disso, pois faz com que se criem expectativas de que relacionamentos dentro e fora do trabalho se equivalham. Ou seja, reagimos a uma ordem vinda de alguém na hierarquia superior da mesma maneira que reagiríamos se estivéssemos na mesma de um bar.
É batata, as chances de um supervisor ter a sua ordem atendida são bem maiores quando este é visto pelo subordinado como amigo, como alguém da família. E para construir tal figura dentro da cabeça dos subordinados nada melhor do que a lisonja. Sem ela a ordem poderá até ser cumprida, mas nãos sem deixar o resquício de reclamação pelas costas típica da nossa veia xiquilenta. Amigos pesquisadores e que trabalham com ciência perguntaram-me sobre ao porque de os europeus serem tão mais produtivos que a gente em termos de produção científica, mesmo quando que eles fazem pode ser perfeitamente feito por aqui, em Pindorama. A única resposta que tenho é que a lisonja não é o principal combustível para que eles cumpram suas tarefas laboratoriais. Ou seja, não há necessidade de que os envolvidos sejam amigos, não haverá má vontade devido à falta de elogios. A única coisa que os dirige é o medo de ser demitido e não ter ao final metade dos direitos de nós xiquilenta.
É nesse ponto que, mesmo considerando-me um progressista, não consigo ver com bons olhos o deitar em berço esplêndido do funcionalismo público. Podem até me chamar de neoliberal se quiserem, mas é preciso encontrar mecanismos para que atribuições remuneradas sejam feitas sem reclamação, se o pressuposto do elogio, pois nada fica bom quando feito com má vontade. Talvez esteja esperando demais ao esperar tamanho pragmatismo.
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