10 de junho de 2026

Desabastecimento do diesel: Presidente da Petrobras anuncia o risco oficialmente ao governo

"Elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022"
Reprodução

“Elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022”, é a constatação de ofício enviado pelo próprio presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, ao governo federal. O documento foi resultado de uma decisão do Conselho de Administração da Petrobras.

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“Diante do cenário de escassez global de diesel e do cronograma de paradas programadas das refinarias —apesar dos melhores esforços da companhia, a Petrobras entende que há elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022”, traz o ofício.

“Adicionalmente, há também grandes incertezas quanto aos níveis das cotações internacionais do produto nessa conjuntura de escassez”, completa.

A estatal comunicou não somente a Agência Nacional do Petróleo, como também o Ministério de Minas e Energia do governo de Jair Bolsonaro.

No alerta, Coelho explica que o combustível está, hoje, com os mais baixos estoques desde 2018 do mercado americano, que é o principal exportador para o Brasil. Cerca de um terço da demanda brasileira por diesel é importada dos EUA.

Ainda, no segundo semestre, o aumento da demanda deverá prejudicar, ainda mais, a disponibilidade do combustível. Nos próximos meses, as manutenções períodicas das refinarias também farão paradas técnicas, uma exigência para o seu bom funcionamento.

O documento sequer considera a pressão sobre os estoques com o congelamento no reajuste dos preços, motivo pelo qual Bolsonaro demitiu o presidente da estatal.

O alerta já havia sido adiantado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) nos últimos dias. O presidente da FUP, Deyvid Bacelar, anunciou o possível desabastecimento de óleo diesel a partir do segundo semestre, devido à escassez de oferta mundial.

Ao contrário do comunicado do presidente da Petrobras, Bacelar narrou que as refinarias brasileiras estão com baixa produtividade e disse que o preço do petróleo deve saltar ainda mais nos próximos meses.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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