4 de junho de 2026

Lista de Livros: Alice no País dos Espelhos – Lewis Carroll

Lista de Livros: Alice no País dos Espelhos – Lewis Carroll

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Editora: Martin Claret

ISBN: 9788572327305

Páginas: 184

Opinião: bom

“- Imagine só se guardassem também todos os meus castigos!… – continuou ela, falando consigo mesma – Que fariam no fim do ano? Oh! Sem dúvida, quando chegasse o dia da punição, eu iria parar na cadeia…”

*

      “Então Alice ergueu-a em frente do espelho, para que ela visse bem como é feio ser teimosa.

– E, se não se corrigir já e já, eu a atiro para dentro da Casa do Espelho. Quer isso? Agora – continuou ela –, se você der atenção, e não falar muito, eu lhe direi tudo o que sei da Casa do Espelho. Veja, primeiro é uma sala igual à nossa, só que as coisas estão todas viradas; pode ver pelo espelho. Subindo a uma cadeira, vejo tudo… menos a parte que fica por detrás da lareira. E eu desejava tanto ver esse pedaço! Porque eu queria saber se eles lá têm fogo no inverno. A gente só vê que, quando o nosso fogo aqui fumega, naquela sala também sobe fumaça para o ar; mas isso – ora! –, isso pode ser uma fumaça fingida, para a gente pensar que eles lá têm fogo… Vejo também os livros: são bem como os nossos, mas as palavras são viradas: vi isso um dia, porque ergui um livro na frente do espelho, e lá na outra sala também ergueram um. Gostaria de morar na Casa do Espelho, Mimi? E lá lhe dariam seu leite? Quem sabe se o leite do Espelho não é bom para beber… Mas veja, Mimi! Veja aqui! Agora vamos poder passar! Veja, deixando a porta da nossa sala aberta, você pode enxergar uma frestinha do corredor da Casa do Espelho: veja, é bem como o nosso, até onde a gente alcança com a vista, mas lá, mais adiante, há de ser muito diferente. Oh, Mimi, que lindo seria, se nós pudéssemos passar para a Casa do Espelho! Eu sei que lá dentro há muitas coisas lindas! Mimi, faça de conta que o vidrou ficou macio como uma gaze, e que nós podemos atravessá-lo… Mas repare, Mimi, esta ficando tudo numa cerração… E, nós podemos passar agora…”

*

“- Afirmo-lhe, minha querida – dizia o Rei –: fiquei gelado até as pontas das minhas barbas!

     Ao que a Rainha replicou:

– Você não tem barbas…”

*

“- Ó Lírio-tigre! – disse ela, dirigindo-se a uma flor que ondulava graciosamente ao vento. – Eu queria que você pudesse falar!

– Mas nós podemos falar – disse o Lírio-tigre, – e falamos sempre que encontramos alguém que o mereça.”

*

      “Alice nunca pôde esclarecer, quando, mais tarde, pensava nisso, de que modo tinham começado: só o que lembrava é que corriam de mãos dadas, e que a Rainha ia tão depressa, que ela mal podia se manter ao seu lado. E, ainda assim, a Rainha ao sempre gritando: “Mais depressa! Mais depressa!”

     E Alice via que não podia correr mais, mas nem fôlego tinha pra dizer isso.

     Mas o mais curioso era que as árvores, e as outras coisas ao redor delas, não mudavam de lugar: por mais que corressem, parecia que não passavam adiante de coisa alguma.

– Eu queria saber se todas as coisas se movem conosco – pensava, assombrada, a pobre Alice.

     E a Rainha parecia adivinhar-lhe os pensamentos, porque gritava:

– Mais ligeiro! Mais ligeiro! Não fale!

     Não que Alice tivesse a menor intenção de fazê-lo, parecia-lhe que nunca mais poderia falar, e cada vez mais lhe faltava a respiração. E ainda assim a Rainha gritava: “Mais ligeiro! Mais ligeiro!” e, puxando por ela, arrastava-a.

     Afinal, ela conseguiu dizer, ofegante:

– Estamos perto?

– Perto! – repetiu a Rainha. – Mas nós já passamos há dez minutos! Mais ligeiro!

(…)

     A Rainha encostou-a a uma árvore, e disse com ar bondoso:

– Agora pode descansar um pouco.

     A menina olhou em roda, muito surpreendida.

– Mas… creio que estive sempre debaixo desta árvore! Tudo aqui esta bem como era!

– Pois sem dúvida que esta! Como queria que estivesse?

– É que na minha terra – disse Alice, ainda ofegante –, quando a gente corre como nós corremos agora, acha sempre alguma coisa diferente.

– É uma espécie de terra muito vagarosa! – disse a Rainha. – Agora você já viu que, para ficar no mesmo lugar, é preciso correr a bom correr, como você fez.”

*

“- E o que é que ele come? – perguntou ela, olhando para o chão, assustada.

– Chá fraco com creme dentro.

     Mas ocorreu a Alice uma nova dificuldade.

– E se não achar isso?

– Então ele morre, com certeza.

– Mas isso há de acontecer muitas vezes – observou ela, pensativa.

– Isso sempre acontece – respondeu o Mosquito.”

*

“- Eu sou de verdade! – exclamou Alice, chorando.

– Veja, você não fica mais real por chorar – disse Tweedledum –, visto que você é apenas mais uma das coisas do seu sonho. Você bem sabe que não existe de verdade.

– Se eu não fosse real – disse Alice, meio rindo por entre as lágrimas –, tudo isto seria tão ridículo… e eu não seria capaz de chorar.

– Mas você esta pensando mesmo que essas lágrimas são reais? – disse Tweedledum com o maior desdém.”

*

“- Que é que você quer comprar? – perguntou a Ovelha, erguendo os olhos do tricô.

– Ainda não sei bem – disse Alice com delicadeza. – Gostaria de olhar ao redor primeiro, se me dá licença…

– Pode olhar para o que esta em frente e dos lados, se quiser; mas ao redor de você não pode, a menos que tenham nascido olhos atrás da sua cabeça.”

*

      “Aquilo parecia já irritante, “quase como se fosse de propósito”, pensava ela: sempre que alcançava, à custa de muito esforço, uma moita de juncos cobiçada, aparecia outra mais linda, e mais afastada, que ela não podia alcançar.”

*

“- Eu não a reconheceria se tornasse a encontrá-la. (…) Você é tão igual as outras pessoas…”

*

“- Olhe para a estrada, e veja se pode avistar algum deles.

– Ninguém aparece na estrada – disse ela.

– Oh! Quem me dera ter tais olhos! – observou o Rei em tom impertinente. – Poder ver ninguém! E a esta distância! Porque eu, o mais que posso fazer, com estes olhos, é ver as pessoas de verdade.”

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Muzius

    26 de fevereiro de 2015 12:07 am

    Será que a edição é boa?

    Essa editora costuma não tratar muito bem as obras. Eu não conheço essa edição, mas coloco em dúvida em função de outras obras que já vi.

    A melhor edição dessa obra no Brasil parece ser a tradução de Sebastião Uchoa Leite que foi publicada pela Editora Summus em 1980.

    1. Doney

      26 de fevereiro de 2015 1:46 am

      editora

      A Martin Claret de fato costuma deixar a desejar (esta obra em si não foi a pior que encontrei).

      Mas isso não é tudo. Certa vez li numa reportagem da Caros Amigos que ela copia traduções de outras pessoas e só altera uma ou outra palavra por parágrafo, e esta é considerada uma “nova” tradução. Destarte, ela não paga os direitos ao tradutor original.

      Li recentemente um livro dela (A gaia ciência, do Nietzsche), e, me pareceu exatamente isso, encontrei o texto do livro na internet de outro tradutor mais antigo, e cotejando com o texto do livro da Martin, vi que tudo era quase igual, só uma ou outra palavra diferente.

      De acordo com o texto da Caros, é impossível que uma tradução ocorra desta maneira (diferindo uma ou outra palavra por parágrafo), com certeza é plágio.

  2. rdmaestri

    26 de fevereiro de 2015 12:28 am

    Textos como este deveriam ser bilíngues.

    Uma sujestão aos livreiros, o lançamento de livros em que o texto apareça de um lado traduzido e do outro original, simplesmente porque são textos relativamente complexos em que a tradução muitas vezes esconde as sutilezas do texto original. Como nos dias atuais quase todo mundo no mínimo arranha o inglês serviria para melhorar a compreensão desta língua e permitir que entendamos com maior facilidade.

    1. alessandroduarte

      26 de fevereiro de 2015 5:23 am

      http://www.gutenberg.org/eboo

      http://www.gutenberg.org/ebooks/author/7

      1. rdmaestri

        26 de fevereiro de 2015 12:51 pm

        Caro Alessandro, achar estes

        Caro Alessandro, achar estes textos na Internet é relativamente fácil, principalmente porque são livros de domínio público pois passaram o tempo regulamentar de direito autoral. O que falo não é isto, pois ficaria bem desagradável para o leitor comum olhar ao mesmo tempo duas mídias, um livro e uma tela de video.

        Se na mesma edição fosse colocado lado a lado a duas versões, a original e a traduzida, seria mais confortável, principalmente se isto fosse feito num e-book, pois possibilitaria a comparação das sem nenhum custo para o editor.

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