Lista de Livros: Alice no País dos Espelhos – Lewis Carroll
Editora: Martin Claret
ISBN: 9788572327305
Páginas: 184
Opinião: bom

“- Imagine só se guardassem também todos os meus castigos!… – continuou ela, falando consigo mesma – Que fariam no fim do ano? Oh! Sem dúvida, quando chegasse o dia da punição, eu iria parar na cadeia…”
*
“Então Alice ergueu-a em frente do espelho, para que ela visse bem como é feio ser teimosa.
– E, se não se corrigir já e já, eu a atiro para dentro da Casa do Espelho. Quer isso? Agora – continuou ela –, se você der atenção, e não falar muito, eu lhe direi tudo o que sei da Casa do Espelho. Veja, primeiro é uma sala igual à nossa, só que as coisas estão todas viradas; pode ver pelo espelho. Subindo a uma cadeira, vejo tudo… menos a parte que fica por detrás da lareira. E eu desejava tanto ver esse pedaço! Porque eu queria saber se eles lá têm fogo no inverno. A gente só vê que, quando o nosso fogo aqui fumega, naquela sala também sobe fumaça para o ar; mas isso – ora! –, isso pode ser uma fumaça fingida, para a gente pensar que eles lá têm fogo… Vejo também os livros: são bem como os nossos, mas as palavras são viradas: vi isso um dia, porque ergui um livro na frente do espelho, e lá na outra sala também ergueram um. Gostaria de morar na Casa do Espelho, Mimi? E lá lhe dariam seu leite? Quem sabe se o leite do Espelho não é bom para beber… Mas veja, Mimi! Veja aqui! Agora vamos poder passar! Veja, deixando a porta da nossa sala aberta, você pode enxergar uma frestinha do corredor da Casa do Espelho: veja, é bem como o nosso, até onde a gente alcança com a vista, mas lá, mais adiante, há de ser muito diferente. Oh, Mimi, que lindo seria, se nós pudéssemos passar para a Casa do Espelho! Eu sei que lá dentro há muitas coisas lindas! Mimi, faça de conta que o vidrou ficou macio como uma gaze, e que nós podemos atravessá-lo… Mas repare, Mimi, esta ficando tudo numa cerração… E, nós podemos passar agora…”
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“- Afirmo-lhe, minha querida – dizia o Rei –: fiquei gelado até as pontas das minhas barbas!
Ao que a Rainha replicou:
– Você não tem barbas…”
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“- Ó Lírio-tigre! – disse ela, dirigindo-se a uma flor que ondulava graciosamente ao vento. – Eu queria que você pudesse falar!
– Mas nós podemos falar – disse o Lírio-tigre, – e falamos sempre que encontramos alguém que o mereça.”
*
“Alice nunca pôde esclarecer, quando, mais tarde, pensava nisso, de que modo tinham começado: só o que lembrava é que corriam de mãos dadas, e que a Rainha ia tão depressa, que ela mal podia se manter ao seu lado. E, ainda assim, a Rainha ao sempre gritando: “Mais depressa! Mais depressa!”
E Alice via que não podia correr mais, mas nem fôlego tinha pra dizer isso.
Mas o mais curioso era que as árvores, e as outras coisas ao redor delas, não mudavam de lugar: por mais que corressem, parecia que não passavam adiante de coisa alguma.
– Eu queria saber se todas as coisas se movem conosco – pensava, assombrada, a pobre Alice.
E a Rainha parecia adivinhar-lhe os pensamentos, porque gritava:
– Mais ligeiro! Mais ligeiro! Não fale!
Não que Alice tivesse a menor intenção de fazê-lo, parecia-lhe que nunca mais poderia falar, e cada vez mais lhe faltava a respiração. E ainda assim a Rainha gritava: “Mais ligeiro! Mais ligeiro!” e, puxando por ela, arrastava-a.
Afinal, ela conseguiu dizer, ofegante:
– Estamos perto?
– Perto! – repetiu a Rainha. – Mas nós já passamos há dez minutos! Mais ligeiro!
(…)
A Rainha encostou-a a uma árvore, e disse com ar bondoso:
– Agora pode descansar um pouco.
A menina olhou em roda, muito surpreendida.
– Mas… creio que estive sempre debaixo desta árvore! Tudo aqui esta bem como era!
– Pois sem dúvida que esta! Como queria que estivesse?
– É que na minha terra – disse Alice, ainda ofegante –, quando a gente corre como nós corremos agora, acha sempre alguma coisa diferente.
– É uma espécie de terra muito vagarosa! – disse a Rainha. – Agora você já viu que, para ficar no mesmo lugar, é preciso correr a bom correr, como você fez.”
*
“- E o que é que ele come? – perguntou ela, olhando para o chão, assustada.
– Chá fraco com creme dentro.
Mas ocorreu a Alice uma nova dificuldade.
– E se não achar isso?
– Então ele morre, com certeza.
– Mas isso há de acontecer muitas vezes – observou ela, pensativa.
– Isso sempre acontece – respondeu o Mosquito.”
*
“- Eu sou de verdade! – exclamou Alice, chorando.
– Veja, você não fica mais real por chorar – disse Tweedledum –, visto que você é apenas mais uma das coisas do seu sonho. Você bem sabe que não existe de verdade.
– Se eu não fosse real – disse Alice, meio rindo por entre as lágrimas –, tudo isto seria tão ridículo… e eu não seria capaz de chorar.
– Mas você esta pensando mesmo que essas lágrimas são reais? – disse Tweedledum com o maior desdém.”
*
“- Que é que você quer comprar? – perguntou a Ovelha, erguendo os olhos do tricô.
– Ainda não sei bem – disse Alice com delicadeza. – Gostaria de olhar ao redor primeiro, se me dá licença…
– Pode olhar para o que esta em frente e dos lados, se quiser; mas ao redor de você não pode, a menos que tenham nascido olhos atrás da sua cabeça.”
*
“Aquilo parecia já irritante, “quase como se fosse de propósito”, pensava ela: sempre que alcançava, à custa de muito esforço, uma moita de juncos cobiçada, aparecia outra mais linda, e mais afastada, que ela não podia alcançar.”
*
“- Eu não a reconheceria se tornasse a encontrá-la. (…) Você é tão igual as outras pessoas…”
*
“- Olhe para a estrada, e veja se pode avistar algum deles.
– Ninguém aparece na estrada – disse ela.
– Oh! Quem me dera ter tais olhos! – observou o Rei em tom impertinente. – Poder ver ninguém! E a esta distância! Porque eu, o mais que posso fazer, com estes olhos, é ver as pessoas de verdade.”
Muzius
26 de fevereiro de 2015 12:07 amSerá que a edição é boa?
Essa editora costuma não tratar muito bem as obras. Eu não conheço essa edição, mas coloco em dúvida em função de outras obras que já vi.
A melhor edição dessa obra no Brasil parece ser a tradução de Sebastião Uchoa Leite que foi publicada pela Editora Summus em 1980.
Doney
26 de fevereiro de 2015 1:46 ameditora
A Martin Claret de fato costuma deixar a desejar (esta obra em si não foi a pior que encontrei).
Mas isso não é tudo. Certa vez li numa reportagem da Caros Amigos que ela copia traduções de outras pessoas e só altera uma ou outra palavra por parágrafo, e esta é considerada uma “nova” tradução. Destarte, ela não paga os direitos ao tradutor original.
Li recentemente um livro dela (A gaia ciência, do Nietzsche), e, me pareceu exatamente isso, encontrei o texto do livro na internet de outro tradutor mais antigo, e cotejando com o texto do livro da Martin, vi que tudo era quase igual, só uma ou outra palavra diferente.
De acordo com o texto da Caros, é impossível que uma tradução ocorra desta maneira (diferindo uma ou outra palavra por parágrafo), com certeza é plágio.
rdmaestri
26 de fevereiro de 2015 12:28 amTextos como este deveriam ser bilíngues.
Uma sujestão aos livreiros, o lançamento de livros em que o texto apareça de um lado traduzido e do outro original, simplesmente porque são textos relativamente complexos em que a tradução muitas vezes esconde as sutilezas do texto original. Como nos dias atuais quase todo mundo no mínimo arranha o inglês serviria para melhorar a compreensão desta língua e permitir que entendamos com maior facilidade.
alessandroduarte
26 de fevereiro de 2015 5:23 amhttp://www.gutenberg.org/eboo
http://www.gutenberg.org/ebooks/author/7
rdmaestri
26 de fevereiro de 2015 12:51 pmCaro Alessandro, achar estes
Caro Alessandro, achar estes textos na Internet é relativamente fácil, principalmente porque são livros de domínio público pois passaram o tempo regulamentar de direito autoral. O que falo não é isto, pois ficaria bem desagradável para o leitor comum olhar ao mesmo tempo duas mídias, um livro e uma tela de video.
Se na mesma edição fosse colocado lado a lado a duas versões, a original e a traduzida, seria mais confortável, principalmente se isto fosse feito num e-book, pois possibilitaria a comparação das sem nenhum custo para o editor.