5 de junho de 2026

Para Bolsonaro, Dom Phillips deveria ter “mais que redobrada atenção”

Presidente diz que jornalista britânico “era malvisto na região” por conta de reportagens contra garimpeiros
Foto: Alan Santos/PR

O jornalista britânico Dom Phillips era “malvisto na região” em que desapareceu no Amazonas devido às reportagens contra garimpeiros e deveria ter tido “mais que redobrada atenção”, segundo o presidente Jair Bolsonaro.

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“Esse inglês era malvisto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental, então, naquela região lá, que é bastante isolada, muita gente não gostava dele”, disse o presidente nesta quarta-feira.

Em entrevista à jornalista bolsonarista Leda Nagle, o presidente ressaltou que Phillips “tinha que ter mais que redobrada atenção para consigo próprio”.

“A gente não sabe se alguém viu e foi atrás dele, lá tem pirata no rio, lá tem tudo que possa imaginar lá”, afirmou Bolsonaro, que não comentou as declarações de preocupação do premier britânico Boris Johnson a respeito do caso.

Phillips e Bolsonaro já tiveram embate

O posicionamento de Bolsonaro sobre o desaparecimento do jornalista britânico não é muito diferente da forma como ele tratou Phillips em coletiva de correspondentes estrangeiros no início de seu governo, em julho de 2019.

Em entrevista à TV GGN 20 horas na última sexta-feira (10/06), o pesquisador aposentado do INPE Acioli Cancellier de Olivo lembra que, na ocasião, Bolsonaro “já tinha feito algumas insinuações a respeito de não concordar com os números de desmatamento da Amazônia e de queimadas”.

“Naquele dia 19 de julho, em uma manhã invernal, Bolsonaro recebe os correspondentes da imprensa estrangeira. Naquela conversa, Bolsonaro disse ‘eu duvido muito dos dados de desmatamento apresentados pelo INPE, e até acredito que o seu presidente (no caso Ricardo Galvão) está à serviço de alguma ONG’”, lembra o pesquisador.

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Acioli lembra que, ao final do evento, “um jornalista inglês chamado Dom Phillips falou para o Bolsonaro, naquele mesmo dia próximo quando Bolsonaro falou de Galvão. Dom Phillips perguntou ‘e essa escalada do aumento do desmatamento da Amazônia? ’”.

“Bolsonaro rispidamente falou para Dom Phillips ‘a Amazônia é nossa. Respondi? ‘. De forma intimidatória”, disse Acioli. “Então, só quero dizer o seguinte: a forma que Bolsonaro tratou o Galvão, as consequências todos viram o que aconteceu (Galvão foi exonerado). Com Dom Phillips nós não sabemos ainda”.

Com informações da Folha de São Paulo

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. Vladimir

    15 de junho de 2022 4:40 pm

    Isto não é uma declaração.
    Isto é uma ameaça. Uma ameaça a todos que divergem dessa gente milico miliciana.
    Essa gente não pode continuar a ameaçar o Brasil e ficar impune.

  2. AMBAR

    15 de junho de 2022 5:48 pm

    Dããã!!!

  3. ed.

    16 de junho de 2022 12:38 pm

    Também pode aconselhar os moradores das cidades a não saírem de casa, para não serem assaltados, mesmo com “redobrada atenção”…
    Um “conselho” que ele só não dá a si próprio porque (fora a “fakeada”) ele pode se dar ao luxo de andar com um comboio de carros blindados e um séquito de agentes federais (e/ou mercenários/milicianos?). Frequentemente cercado por uma claque de rebanho.
    A quantidade de desqualificações atribuíveis à este despresidente adolinquente só faz crescer.
    Mas o mais inacreditável de tudo é que ele foi eleito.
    Um insondável mistério.

  4. ed.

    16 de junho de 2022 12:45 pm

    SIm, numa região populada por bandidos, apoiados pelo (des)governo, ser “mal visto” é elogio.
    Pior é termos um (des)presidente BEM VISTO pelas bandidagens que se espraiam pelo país.
    Este mesmo que tem como um de seus lemas que “bandido bom é bandido morto”…
    E a bandidagem matando a torto e a direito, tomando o braZil de assalto.

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