
Enviado por M. Paiva
Boletim da falta d’água em SP, 27/01 a 02/02/15
Por Camila Pavanelli de Lorenzi
– Hoje é 02 de fevereiro, o sistema Cantareira caiu de 7,2% para 5% desde o começo do ano (http://goo.gl/8l06jK) e a previsão mais pessimista da Sabesp no ano passado era de que, a essa altura, as represas já teriam recuperado boa parte do volume morto (http://goo.gl/kT0faE). O que está se concretizando, portanto, é um cenário muito pior do que o mais pessimista dos cenários cogitados pela Sabesp – e o governo do estado de São Paulo ainda não tem um plano de contingência claro para enfrentar a crise (aliás, talvez seja melhor chamar o que estamos vivendo de colapso – http://goo.gl/CF9dxv) e nem considera necessário implementar um racionamento imediato na Grande SP (http://goo.gl/PV6xDA).
– Tanto o governo demorou para apresentar um plano de contingência que, de acordo com o coletivo Aliança pela Água, nem é disso que precisamos mais: o momento, agora, é de fazer um plano de emergência (http://goo.gl/tRLLCp).
– Se um racionamento “2 dias com água e 1 dia sem” tivesse sido implementado um ano atrás (plano de autoria da própria Sabesp), teríamos economizado mais do que a totalidade do segundo volume morto (http://goo.gl/W6eu03) (http://goo.gl/NpbfsA). Mas, enfim, no ano passado não rolou: a única dúvida agora é quando finalmente começará a rolar. A falta de água não é passageira (http://goo.gl/CF9dxv); como diz o coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento, o racionamento é inevitável e não tem prazo para acabar (http://goo.gl/Sj6y5w). A única dúvida é se ele começará em abril, coincidindo com o fim do segundo volume morto (http://goo.gl/ioP1O5) e obrigando a Sabesp a captar o terceiro (http://goo.gl/FNVLNG); ou se irá começar já em março (http://goo.gl/n4q39q).
– Enquanto a imprensa especula se o racionamento será de 5×2 (http://goo.gl/S7o6j1), 4×2 (http://goo.gl/n4q39q) ou 7×1 (brinks), alguns já vivem racionamento de 11×0 (http://goo.gl/h1t6B3) e 12×0 (http://goo.gl/UZxq69). E cadê o plano de emergência do governo? Permitam-me dizer o óbvio: é preciso de um plano que, no mínimo, delineie ações para garantir o abastecimento dessas pessoas que já estão sem água nenhuma.
– Outro rumor que circulou na imprensa esta semana: o governo estuda antecipar as férias escolares de julho para maio, para economizar água (http://goo.gl/6Z3ooo). Não sei vocês, mas eu fico com a impressão de que precisamos discutir o que fazer justamente para que não seja preciso fechar escolas. É razoável, por exemplo, que as empresas com contrato de demanda firme (isto é, que ganham um descontão amigo da Sabesp –http://goo.gl/igxJ9J) sigam usando a raspa do tacho do volume morto enquanto escolas fecham? E as cervejarias? É razoável que continuem captando água de aquíferos cuja outorga é concedida pelo estado (http://goo.gl/1H46Fq) enquanto o racionamento 11×0 ou 12×0 já é uma realidade para muitos?
– Diz a Lei das Águas (http://goo.gl/oTjJUf): “Art. 15. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias: (…) III – necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas”. Estou maluca ou a calamidade que a lei descreve é exatamente o que estamos vivendo agora? Para resumir: é mais do que urgente revermos quais são nossas prioridades de abastecimento quando a água está acabando.
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– Da série “por que é preciso que a sociedade civil se mobilize porque se formos esperar que o governo aja por iniciativa própria mais vale fazer dança da chuva”: o “núcleo político” do governo de SP “teme desgaste à imagem de Alckmin” com uma eventual implementação do racionamento em março, sugerida pelos técnicos (http://goo.gl/QYOzkx). Afinal, o que é uma metrópole sem água comparada à imagem de um político, não é mesmo?
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Nova seção do Boletim – “Grandes Obras do Governo Paulista”:
– A grande novidade anunciada esta semana pelo governo do estado certamente foi a obra de interligação de um afluente da Billings com o Sistema Alto Tietê (http://goo.gl/C0vN1X). Eis o que sabemos sobre a Billings: o menor de seus problemas é a quantidade cem vezes maior de coliformes fecais do que o recomendado pelo Conama; ruim mesmo é a presença de metais pesados (http://goo.gl/YPR7lo). A Sabesp diz que dá para tratar (se só os coliformes ou se os metais pesados também, aí eu já não sei).
– A obra será entregue em maio (todos juntos – êêêêê!http://goo.gl/4PolZi); a obra representará um acréscimo de 5m3/s ao Alto Tietê, sendo que a vazão do Cantareira em janeiro de 2014 era de aproximadamente 33m3/s (todos juntos – aaaaaah…http://goo.gl/ozoqId).
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Nova seção do Boletim – “MENAS, gente, MENAS”:
– Não, a Cantareira não está cheia [suspiros] (http://goo.gl/UxyLPK).
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Com muito atraso, algumas autoridades começaram a se mexer:
– Prefeitos da Grande SP se reuniram com o Secretário de Recursos Hídricos em 28/01 e pediram a instalação de um comitê de crise, a criação de um plano de contingência e de um plano de comunicação (http://goo.gl/HmJEh0). Alckmin, três dias depois, enfim anunciou a criação de um comitê de crise (http://goo.gl/HmJEh0). Vale lembrar que esta era a primeira reivindicação para o curto prazo da Aliança pela Água (http://goo.gl/zx5V0G).
– Os prefeitos dos municípios da região do Cantareira também tomaram uma atitude: assinaram uma Carta Compromisso em que se comprometem a recuperar e conservar Áreas de Preservação Permanente (APPs), dentre outras medidas (http://goo.gl/rV5gFJ).
– Uma boa notícia vinda do Rio: o governo do estado começará a exigir que indústrias empreguem água de reúso na produção (http://goo.gl/sXz3ZK). Em SP, falta ainda descobrir quais são as empresas que têm contrato de demanda firme com a Sabesp; pelo menos a CGA já determinou que a Sabesp entregue esses contratos à Agência Pública de Jornalismo (http://goo.gl/y3DmiB).
– Alckmin disse que o governo tem distribuído caixas d’água (http://goo.gl/a0usvx), o que é excelente – só que dez mil caixas, a quantidade que a Sabesp planeja distribuir de forma gratuita (http://goo.gl/AY39eG), é evidentemente muito pouco. Em uma favela na Vila Mariana, por exemplo, 90% das casas não têm caixa d’água (http://goo.gl/X75Kpx). Como passar 4 ou 5 dias, por sabe-se lá quantos meses, sem uma gota de água sequer nas torneiras? Como essas pessoas serão abastecidas? Via postos de distribuição? Com água vinda de onde? E os que não puderem ir até os postos? E os idosos que desidratam mais rápido? (Ficou clara a necessidade de um plano?)
– Tudo isso, é claro, considerando-se que ainda haverá água na torneira de quando em vez. Se nada mudar – ou se até mesmo um racionamento drástico não for suficiente para conter a queda do nível das represas –, em junho nem isso teremos (http://bit.ly/1yIEQJ9). Repito: ficou clara a necessidade de um plano?
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– Recordar é viver – segue uma breve e não-exaustiva compilação de relatórios, avisos, alertas, sinais de PERIGO, PERIGO que foram desconsiderados pelo governo de São Paulo:
– “A USP trabalhou para o Comitê do Alto Tietê em um plano de recursos hídricos nos idos de 2003 e lá já se falava das obras que era preciso realizar para ter segurança hídrica na região metropolitana de São Paulo. E o que é que foi feito?” – o autor desta frase, publicada em artigo de 17/02/14, é ninguém menos do que o atual Secretário de Recursos Hídricos de SP, Benedito Braga (http://goo.gl/gC4lzC).
– Estudo de 2009 do governo do estado de São Paulo previa o desabastecimento em 2015 (http://goo.gl/eYdreh) (http://t.co/mci9gsgqqZ) – o texto é narrado de um ponto de vista futuro, com o narrador situado em 2020 e contando o que presenciou em anos passados: “A projeção narra (…) que o Estado teria assistido nesse período [2015] a um ‘conflito pelo uso dos recurso hídricos, que desencadeou uma ‘guerra da água’ entre algumas regiões’. Essa ‘guerra’ teria começado após ‘um ano atípico de chuvas, com precipitações muito abaixo do esperado’”
– Artigo de 29/03/2001, “Sabesp maquia crise no sistema Cantareira” (http://goo.gl/wyszBG).
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– Da miríade de temas que discutimos no encontro “Sem água, como é que fica?” na Casa de Lua (http://goo.gl/KRec8g), escolhi um para tratar aqui: o tema da solidariedade. São cada vez mais frequentes notícias como esta (http://goo.gl/gy2Uqg), de vizinhos policiando o consumo de água uns dos outros. E, só pra eu saber – é assim que iremos viver daqui em diante? Vigiando e punindo uns aos outros? Qual é o próximo passo? Chamar o Ministério Público para celebrar acordos de delação premiada sobre o uso da água? Precisamos mudar o foco urgentemente se quisermos atravessar os próximos anos com um mínimo de dignidade. É preciso que nos solidarizemos uns aos outros desde já#AbaixoAPolíciaDaÁgua
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AGENDA:
– Terceira Reunião Aberta Lute Pela Água, dia 04/02 às 17h no Parque Augusta (http://goo.gl/kCCGZt)
– Audiência pública na ALESP dia 05/02 às 17h sobre o colapso do abastecimento de água em São Paulo – estarei lá o/ (http://goo.gl/aGGe5M) (http://goo.gl/QxVXJG)
E esse foi o boletim da semana de 27/01 a 02/02/15. Pode entrar em pânico** que segunda que vem tem mais.
*Este e todos os boletins passados estão disponíveis noboletimdafaltadagua.tumblr.com
** Tive a honra de ser entrevistada pela Eliane Brum para um artigo preciosíssimo sobre a catástrofe que está em curso. Nele, explico o que entendo por “pânico”, esse apelo com o qual finalizo todos os boletins. O texto de Eliane é lúcido e aterrador, e merece ser lido com toda a atenção: http://goo.gl/1h6Qcy
Ivan de Union
3 de fevereiro de 2015 5:59 pm(O item eh barbaro mas nenhum
(O item eh barbaro mas nenhum dos links funciona exceto aa base do copy/paste porque estao todos informacionalmente favelizados pelo Facebook.)
mpaiva
3 de fevereiro de 2015 7:37 pmUé Ivan de Union, testei
Ué Ivan de Union, testei agora vários deles e todos funcionaram !!! Links do Estadão, Valor, até um de um grupo facebukiano abriu …
Ivan de Union
3 de fevereiro de 2015 8:46 pm(provavel que voce esteja
(provavel que voce esteja logado la no FB mas eu nao tenho nem conta mais, a espiaozada nao deixa)
mauro silva 1
3 de fevereiro de 2015 6:21 pmbalelas …
foi feito racionamento 2 dias sem/ 1 dia com água nas periferias.
hoje, há regiões com até 8 dias sem água.
e daí?
a população consome menos da metade do que a sabesp perde na distribuição!
finalmente apareceu a palavra que melhor define a situação: “colapso” – uma ‘especialidade’ demotucana.
Fábio de Oliveira Ribeiro
3 de fevereiro de 2015 7:18 pmA seca em São Paulo e as
A seca em São Paulo e as Forças Armadas
FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIROTER, 03/02/2015 – 14:00ATUALIZADO EM 03/02/2015 – 14:25
A unidade territorial brasileira é indissolúvel (art. 1º, da CF/88). Compete às Forças Armadas defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e, por iniciativa destes, preservar a lei e a ordem art. 142, da CF/88. Para cumprir sua missão, porém, as mesmas devem ter capacidade operacional em todo território nacional.
A seca produzida em São Paulo pela Sabesp não foi evitada por Geraldo Alckmin. O fenômeno econômico (resultante de uma década distribuição dos lucros da Sabesp para os acionistas ao invés da utilização dos mesmos em investimentos para aumentar a captação e armazenamento de água) prejudica sensivelmente a presença e a capacidade operacional das Forças Armadas na parcela do território nacional governada pelo neoliberalismo tucano.
O Ministério Público Federal tem que fazer alguma coisa para defender o sistema constitucional, a integridade da União e capacidade operacional das Forças Armadas em São Paulo. Caso contrário a omissão do MPF poderá ser interpretada como parte de uma conspiração para destruir a unidade territorial brasileira permitindo ao Estado São Paulo violar as prerrogativas das Forças Armadas em seu território.
São Paulo não está fora do Brasil, seu governador não está acima da CF/88, o Estado membro não pode comprometer a capacidade das Forças Armadas de desempenharem suas funções dentro de seu território. A CF/88 tem solução para o que está ocorrendo em São Paulo: INTERVENÇÃO FEDERAL.
altamiro souza
3 de fevereiro de 2015 7:24 pmintervenção no estado logo ou
intervenção no estado logo ou paseata
monstro ao bandeantes pra ontem….
fora alquimista, o ator que não atua,
dá nó tucano e nunca desata.
Zanchetta
3 de fevereiro de 2015 7:38 pmO gozado é que, segundo
O gozado é que, segundo informações, o sistema Guarapiranga tem capacidade para armazenar 5 vezes o sistema Cantareira.
Frederico69
3 de fevereiro de 2015 7:53 pmengraçado!!
fui procurar por imagens no google para “vidas secas”, e só apareceram fotos de graciliano ramos. tá errado!!
Alan Souza
3 de fevereiro de 2015 8:29 pmAgora eu entendi!
O Alckmin não vai decretar racionamento e quando a água acabar de vez ele dirá que isso é o racionamento, pra evitar a falta total de água.
E o paulistano acreditará…
vilasboas
3 de fevereiro de 2015 9:22 pmEstão roubando a água dos
[video:https://www.youtube.com/watch?v=KoZWJYkONac%5D
Estão roubando a água dos paulistas/paulistanos!!!!! Cadeia para alckmin!
mpaiva
4 de fevereiro de 2015 2:32 pmPor favor Vilasboas, ajudar a
Por favor Vilasboas, ajudar a disseminar BOATOS, sem ao menos verificar a veracidade nessa altura do campeonato, é leviandade ! O que menos precisamos agora é de DESIFORMAÇÃO !!!
[video:http://youtu.be/A7yjtD9tVDc%5D
Canal Do Pirula
Não aguentei, perdi as estribeiras (é, sou eu mesmo postando).
Links pros vídeos do Wilson:
https://www.youtube.com/watch?v=A7yjtD9tVDc
https://www.youtube.com/watch?v=RBNbNM0PWsQ
Link pro e-farsas, mostrando que o negócio da Nestlè privatizar água é um exagero descabido:
http://www.e-farsas.com/e-verdade-que-o-presidente-da-nestl…
Links sobre o sistema Cantareira que se acha em 5 minutos:
http://g1.globo.com/…/represa-cheia-no-cantareira-leva-boat…
http://g1.globo.com/…/nivel-de-agua-da-cantareira-volta-sit…
http://g1.globo.com/…/represa-cheia-no-cantareira-leva-boat…
http://www.daescs.sp.gov.br/index.asp…
http://www2.sabesp.com.br/mananciais/divulgacaopcj.aspx
http://noticias.terra.com.br/br…/cidades/sistema-cantareira/
veranis
4 de fevereiro de 2015 9:09 amTucanos e a água
Em primeiro lugar o governo Alckmin não está preocupado se as crianças têm aulas ou não, essa jamais foi uma prioridade desse governo de 20 anos. E realmente eles não têm a menor ideia do que fazer com as torneiras secas dos paulistas. Mas essa desgraça toda pode ter um lado positivo. Fica difícil para um governador que não consegue prover água em 20 anos de governo, querer candidatar-se à presidente como vinham cogitando. Talvez por isso FHC tenha informado que um golpe político não seria do interesse dos tucanos nesse momento. Quem sabe se chover não é mesmo?