13 de junho de 2026

Especialistas denunciam “tragédia humanitária” na Terra Yanomami

Região tem sido alvo de garimpo ilegal, violência sexual de mulheres e crianças, ameaças de morte e desestruturação dos postos de saúde
Uma maloca Yanomami, Brasil - Foto: Dennison Berwick/survivalbrasil.org

Representantes indigenistas e socioambientais denunciaram a “tragédia humanitária” que está em andamento na Terra Indígena Yanomami na última semana, durante audiência da Câmara dos Deputados.

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A região, localizada em partes dos estados de Roraima e Amazonas, tem sido marcada por garimpo ilegal de ouro e cassiterita, violência sexual de mulheres e crianças, ameaças de morte e desestruturação dos postos de saúde.

Dados apresentados pelo geógrafo e analista do Instituto Socioambiental (ISA) Estevão Senra mostram que, até abril deste ano, já havia 4 mil hectares impactados pelo garimpo ilegal dentro da terra indígena e mais de 40 pistas clandestinas a serviço de garimpeiros e narcotraficantes.

Segundo o relatório “Yanomami sob Ataque”, a região registrou quase 50% dos casos de malária do País em 2021 e hoje existem cerca de 3 mil crianças com déficit nutricional, segundo Senra

“Hoje, a Terra Indígena Yanomami é palco de uma das maiores tragédias humanitárias que estão ocorrendo no Brasil. Os dois vetores principais dessa crise são o avanço do garimpo ilegal e a má gestão do distrito sanitário, que se entrelaçam e vão se realimentando”, disse.

Embora as autoridades tenham anunciado R$ 200 milhões em recursos públicos na saúde indígena, as reclamações entre os ianomâmi sobre falta de remédios e de materiais básicos continuam, assim como as denúncias de uso político do comando dos distritos santiários.

A coordenadora da comissão externa, deputada Joenia Wapichana (Rede-RR), já cobrou informações oficiais ao Tribunal de Contas da União e pretende pedir ao Supremo Tribunal Federal que determine providências ao Poder Executivo no âmbito de uma ação judicial (ADPF 709) já em curso.

“Realmente é uma crise humanitária. Nada justifica não ter remédio para vermes e questões básicas. É uma responsabilidade que tem de ser apurada. Uma vez que não tem uma providência enérgica para retirar garimpeiros, tem que se dar resposta para essa questão da saúde. Isso é mais do que urgente”, reclamou.

A audiência também contou com a presença de representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que reclamaram da ausência de soluções mesmo diante de cobranças internacionais às autoridades brasileiras.

As informações são da Agência Câmara de Notícias

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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