5 de junho de 2026

O belo gesto dos bancos e o massacre dos idosos, por Luis Nassif

Há algo de profundamente errado e injusto nesse modelo
Agência Brasil

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Primeiro, vamos ao belo gesto. Em das irresponsabilidades típicas de Paulo Guedes, autorizou beneficiários do Auxílio Brasil a tomarem credito consignado nos bancos.

Os grandes bancos, reunidos em torno da Febraban – e puxados pelo Bradesco – recusaram-se, alegando tratar-se de populações vulneráveis que não poderiam ser expostas à operação.

O golpe de Guedes é simples de calcular.

Imagine uma família que receba R $600,00 por mês. Em 6 meses, receberá R$ 3.600;

Se decidir ir ao consignado, poderá obter R $1.800 (3 vezes o valor do crédito). Se for quitar o financiamento em 6 meses, imaginando que tenha levantado no Banco Master, com taxas de 4% ao mês. a prestação ficará em R $343.37. Descontando esse valor do que a família recebe, restarão R $256,63 por mês.

Ao final do período, a família terá recebido R $3.379,37 (os 1.800 mais 6 de 256.63), contra R $3.600,00, caso não tivesse recorrido ao consignado.

De qualquer modo, uma perda menor do que a parceria planos de saúde-laboratórios farmacêuticos infligem aos idosos.

Hoje em dia, idoso consegue apenas plano individual. Tem como contrapartida descontos graúdos nas grandes redes de farmácia – descontos que podem chegar a 50%. Significa que o custo efetivo do medicamento (com os 30% de margem da farmácia) é de 50% do valor cobrado de quem não tem plano.

O que ocorre com os idosos é cruel. Primeiro, são gradativamente expulsos dos planos por reajustes cada vez maiores nas mensalidades. Sem plano, o custo dos medicamentos dobra.

Criou-se um mundo em que há dois tipos de cidadãos: o que tem planos de saúde, pagando mensalidades cada vez maiores, mas obtendo descontos na compra de remédios; e os sem-planos de saúde, pagando o dobro pelos remédios de uso intensivo ou recorrendo a um SUS cada vez mais combalido.

É uma lógica de eugenia. Expulsa-se o usuário de planos de saúde, especialmente os idosos, por falta de condições financeiras; e, ao mesmo tempo, dobra-se o custo mensal para aquisição de medicamentos..

Supondo que a farmácia fique com 30% do custo final do remédio, significa que o custo efetivo da indústria é de 70% dos R$ 50,00, ou R$ 35,00 dos R$ 100,00 cobrados na ponta.

Há algo de profundamente errado e injusto nesse modelo.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Nelson

    9 de agosto de 2022 1:12 pm

    O erro vc já apontou Nassif. É o SUS combalido.

  2. Pedro de Alcântara

    9 de agosto de 2022 4:17 pm

    Esse “modelo” é um modo de produção que está preferindo a glória de um modo de destruição. Como afirma o Ziegler: “Il faut détruire le capitalisme”. E ponto final.

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