5 de junho de 2026

Fake News, racismo, machismo e “passar a faixa”: o que Bolsonaro disse a evangélicos

Pela primeira vez, Bolsonaro falou em "passar a faixa" presidencial em caso de derrota nas urnas
Reprodução/Youtube

A entrevista de Jair Bolsonaro a podcasts evangélicos, na noite desta segunda (12), foi recheado de Fake News, um comentário racista e com o mandatário se comprometendo a “passar a faixa” presidencial, “se essa for a vontade de Deus”.

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Enquanto Lula dava entrevista exclusiva à CNN, Bolsonaro tentou competir a audiência do líder das pesquisas eleitorais concedendo uma entrevista a sete canais do Youtube ligados ao público evangélico.

Consolidando voto evangélico

Durante 4 horas de programa, o mandatário falou aos evangélicos batendo em suas principais bandeiras: “família”, “Deus”, “liberdade”.

A religião é a única entre as demais que dá vitória ao mandatário nas intenções de voto. Consolidando esse público, Bolsonaro chegou a introduzir a entrevista fazendo uma oração com os influenciadores. “Precisamos resgatar essa geração que se perdeu e foi roubada pela esquerda”, disse um bispo na reza.

Se não for a vontade de Deus, “vou me recolher”

Por primeira vez desde que vem ameaçando não aceitar o resultado das urnas, Jair Bolsonaro falou em “passar a faixa” presidencial para um sucessor.

Sem, contudo, retirar suas ameaças ao sistema eleitoral brasileiro e ao resultado das urnas, o mandatário disse que sua saída da Presidência dependeria da “vontade de Deus”.

“Se não for [a vontade de Deus], a gente passa a faixa e vou me recolher”, afirmou.

“Se essa for a vontade de Deus, eu continuo. Se não for, a gente passa a faixa, e vou me recolher, porque com a minha idade não tenho mais nada a fazer aqui na terra se acabar essa minha passagem pela política em 31 de dezembro deste ano.”

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Racismo

Um dos episódios que chamou a atenção do noticiário, durante a entrevista, foi quando o mandatário questionou um dos entrevistadores: “Você é afrodescendente?”. “Eu sou”, respondeu o apresentador.

“Tu é meio escurinho”, continuou, no comentário racista, e imediatamente emendando, em tentativa de correção ironizando: “Ah, isso é crime. Não ouviu falar que eu era racista?”.

Recuo 1: vítimas de Covid

Assim como na tentativa de imediatamente corrigir o racismo, Jair Bolsonaro aproveitou a entrevista para recuar e dizer que se “arrepende” de comentários de burlas às vítimas da pandemia e também machistas.

“Me arrependo de ter dito que não sou coveiro”, disse o mandatário. Mas manteve a defesa de ter falado que quem tomasse vacina contra a Covid-19 viraria jacaré e ao imitar os que estavam com falta de ar.

“A questão do coveiro eu retiraria. O ‘jacaré’ foi uma figura de linguagem”, disse. “Se você pegar a imagem [vídeo no qual Jair Bolsonaro imita falta de ar], não tô zombando de ninguém como o [William] Bonner [do JN] falou.”

Em seguida, enquanto continuava a se explicar, voltou a imitar falta de ar: “A pessoa tá em casa [imitando], com falta de ar, vai procurar o hospital”.

Recuando de “fraquejada”, mais machismo

Também tentando recuar sobre ter dito que o nascimento de sua filha foi fruto de uma “fraquejada”, disse que “pisou na bola”, mas se justificou e fez comparação machista de mulheres serem “consumidores” e homens “fornecedores”:

“Pisei na bola. Pisei na bola. É comum nós homens falarmos: vai nascer criança, vai ser consumidor ou fornecedor?. Brincadeira entre homens. Não falo mais isso para ninguém. Para mim pega”.

“Lamento, não falaria de novo, você pode ver, de um ano pra cá, meu comportamento mudou, minha cadeira é um aprendizado”, continuou.

Fake News

Nas 4 horas de entrevista, o mandatário afirmou declarações mentirosas, Fake News, sobre diversos assuntos.

Jair Bolsonaro disse que Lula era machista, que o mesmo teria perguntado se a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), “tinha ‘grelo duro'”. A afirmação contra Lula é falsa, uma vez que o ex-presidente teria afirmado: “onde estão as mulheres de grelo duro do nosso partido?”.

Disse que o “spray nasal” defendido por ele durante a pandemia foi posteriormente avalado por reportagem do Fantástico, da TV Globo, o que é falso; que era o primeiro presidente a enfrentar o Teto de Gastos, mas o primeiro foi Michel Temer.

Bolsonaro também mentiu ao dizer que a queda no número de mortes se deve ao aumento das armas de fogo, o que não é correto, mas devido aos programas de governo.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. josé Oliveira de Araújo

    13 de setembro de 2022 4:08 pm

    Como deus não é eleitor, o melhor é o presidente, no caso de derrota, passar a faixa ao vencedor e se recolher. Esta é uma sábia decisão. Mas se a justiça prosseguir com os inquéritos contra ele, provavelmente ele vai. se recolher é no xilindró.

    Obs.: Se mentira pagasse imposto, Bolsonaro estaria encalacrado com o fisco.

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