5 de junho de 2026

Fundadores e dissidentes do PDT abandonam Ciro e defendem Lula no 1º turno em entrevista ao GGN. Assista

"PDT precisa fazer parada técnica e exame de consciência profundo", diz Carlos Siqueira, ex-secretário de Brizola
Ciro Gomes. Foto: Divulgação/Facebook
Ciro Gomes. Foto: Divulgação/Facebook

O viés de direita empregado por Ciro Gomes na campanha presidencial deixou figuras históricas do PDT “indignadas” e “desapontadas”, e gerou um movimento dissidente que prega o apoio a Lula (PT) já no primeiro turno das eleições 2022. Mais do que uma campanha pelo “voto útil”, os fundadores do PDT disseram em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, para o canal do Jornal GGN no Youtube, que o manifesto do grupo é pela liberdade, respeito à democracia e contra toda a barbárie representada por Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

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“Esse movimento é fruto da decepção e desapontamento com os rumos adotados pelo nosso partido, o PDT, do qual fui um dos fundadores. Nosso candidato, Ciro Gomes, está se enveredando por criticas muito ácidas, injustas e despropositadas contra o presidente Lula, que é o verdadeiro candidato de oposição a essa tragédia que é o governo Bolsonaro. O que está em disputa, efetivamente, é o confronto entre a barbárie e o avanço civilizatório”, disse o brizolista veterano Siqueira Castro, um dos fundadores do partido e ex-secretário de Leonel Brizola.

Para ele, “o PDT precisa de uma parada técnica para fazer um exame de consciência profundo. Tenho muito respeito pelo Carlos Lupi [atual presidente nacional da legenda], mas estamos cometendo um equivoco e podemos pagar um preço histórico inestimável. Temos que apoiar Lula como Brizola fez em 1989”, defendeu.

Outro fundador do PDT, embora hoje filiado ao PCdoB, João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, disse na entrevista ao GGN que a situação do País é grave e requer grandeza por parte das lideranças do PDT.

“Todas as forças democráticas precisam estar apoiando a necessidade de o Brasil se livrar de Bolsonaro no primeiro turno. O segundo turno é uma complicação a mais. Não é questão de voto útil, mas de pregar o voto na liberdade, na preservação da democracia. (…) Um grande homem, um grande estadista, tinha que ter consciência de, num momento difícil para a pátria, ter uma atitude de grandeza”, comentou sobre Ciro.

Nesta semana, o descontentamento com os rumos adotados pela campanha de Ciro fez com que Haroldo Ferreira, liderança do partido no Paraná, pedisse afastamento do diretório nacional. Em carta ao presidente Carlos Lupi, Haroldo assinalou que Ciro está trabalhando como linha auxiliar de Bolsonaro nos ataques a Lula.

“Eu tomei a iniciativa de escrever carta ao presidente nacional, Carlos Lupi, com todo respeito que tenho a ele, dizendo que houve e está havendo, sim, omissão da direção nacional em não intervir nesta campanha [do Ciro]. Em outros momentos históricos, o PDT teve a grandeza de abrir mão de interesses pessoais pelo bem da população brasileira”, comentou na entrevista ao canal do GGN no Youtube.

Assista à entrevista completa:

Juventude dissidente prega voto útil de pedetista em Lula

Em meio à turbulência, lideranças jovens que deixaram o PDT após Ciro pegar o caminho da direita decidiram lançar um manifesto para “naturalizar” o que, segundo eles, já está acontecendo no Brasil profundo: eleitores do PDT e de Ciro em 2018 estão migrando silenciosamente para Lula.

“O manifesto é muito mais sobre decepção que raiva, e existem muitos eleitores de Ciro que estão dispersos e com esse mesmo sentimento. (…) Precisamos reconhecer que o PDT não reúne as condições objetivas necessárias para consolidar uma frente ampla e ganhar esta eleição”, disse André Luan, um dos organizadores do manifesto.

“A intenção [com o manifesto] é atrair o maior número de apoiadores possíveis. Do ponto de vista prático, estamos dizendo: ‘vocês têm uma saída pública, honrada, elegante, sem baixaria nenhuma, para conseguir reunir as condições objetivas de canalizar esse voto’. Estamos fazendo o que [André] Janones [do Avante] fez no início da campanha [ao desistir da candidatura própria para apoiar Lula]: tentando reunir aqueles 2% de ouro para vencer o fascismo.”

Outro organizador, Paulo Felletti, acrescentou que a dissidência não começa nesta eleição, mas desde 2020, quando Ciro começa a se pautar “por uma estratégia suicidada, de atacar companheiros do campo progressista. Nos sentimos na obrigação moral de nos posicionar.”

Leia ao manifesto na íntegra clicando aqui.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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6 Comentários
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  1. regina Lian

    21 de setembro de 2022 4:57 pm

    E a Nova Resistência? Continua no PDT?

  2. gilberto

    21 de setembro de 2022 6:39 pm

    Estudando o currículo dos candidatos, descobri que Ciro foi do PDS, partido de direita que antes era chamado ARENA, que apoiava a ditadura militar. Depois passou por 7 partidos diferentes (dificuldades para discutir política acaba brigando com todo mundo ?). Está claro porque Ciro está atacando Lula e sendo linha auxiliar do Bolsonaro. Logo, Marina Silva rejeitou ser Vice de Ciro por razões óbvias. Marina declarou apoio a Lula, pois sabe que temos que ganhar no primeiro turno para reduzir o risco de golpe. Nesse contexto, só falta o Ciro passar a defender que o Exército seja “validador” das eleições (o que não está previsto na Constituição). É LULA no 1o. turno !!!

  3. Júlio Cesar Novaes

    21 de setembro de 2022 6:49 pm

    Após 34 anos de PDT fui expulso dele pelos desatinos do Ciro. Me desfilei em fevereiro deste ano me sentindo expulso pelo celerado candidato a presidente do Carlos Lupi e não do PDT.

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    22 de setembro de 2022 7:59 am

    Ciro Gomes nasceu na política como um filhote da ditadura. Ao se tornar “quinta coluna” de um novo golpe militar ele finalmente fez jus à sua verdadeira história.

  5. Gilson Modesto

    22 de setembro de 2022 8:52 am

    Assisti, ontem à noite, a entrevista de Ciro Gomes ao Estadão/FAAP e fiquei surpreso, aturdido mesmo, com a arrogância, autoritarismo, agressividade e desrespeito do mesmo aos conceitos de democracia e às normas de civilidade. Talvez ele seja um despeitado, um ressentido por não ter reconhecida o que ele considera sua grandeza ímpar.

  6. Branca Ferrari

    22 de setembro de 2022 5:41 pm

    Ciro está tão centrado em si mesmo que não percebe nada do que está ocorrendo no Brasil. Em lugar de engrandecer a política acabou por reduzi-la a uma disputa paroquial desmerecedora de um país com as dimensoes e diversidades do Brasil.

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