5 de junho de 2026

Os analistas repassadores de bordões econômicos, por Luis Nassif

O jornalista decora algumas frases e bordões, não se dá o trabalho de pesquisar, estudar, e dispara seus comentários com a certeza férrea dos ignaros.

O jornalismo ideológico é uma câmara de eco. O jornalista decora algumas frases e bordões, não se dá o trabalho de pesquisar, estudar, e dispara seus comentários com a certeza férrea dos ignaros.

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Lula assumiu a presidência em 2003 amarrado pelos dogmas do Plano Real, o tal “tripé virtuoso”, que consistia em política fiscal amarrada, política monetária de juros elevados e câmbio apreciado.

Mudou o estilo em 2008, com a eclosão da crise mundial. Aumentou os investimentos públicos, acelerou a economia. E os resultados foram melhores, desbancando os dogmas ortodoxos.

Depois disso, houve uma início de crise mundial, um arrefecimento da economia brasileira e estratégias incorretas do governo Dilma, culminando com o pacote Joaquim Levy, de 2015, provavelmente o mais desastroso pacote econômico do Brasil moderno, ao lado do pacote de Delfim em 1980 e da apreciação cambial com juros elevadíssimos do governo FHC de 1995.

Aí começa esse jogo escandaloso de atribuir os problemas do governo Dilma às virtudes do segundo governo Lula, como maneira de desqualificar o sucesso do segundo governo, de se libertar de dogmas irracionais.

É o caso do comentarista da CNN, Alexandre Borges. Segundo seu discurso, no primeiro governo Lula ia tudo otimamente bem, graças à continuidade do governo FHC. Aí, no 2o governo entraram os esquerdistas porra-loucas, os economistas da Unicamp, o Guido Mantega, e tudo se perdeu. É de uma ignorância ampla, a começar do fato de que Guido não teve nenhuma participação na formulação das políticas econômicas na crise de 2008.

No 1o governo gov FHC o PIB cresceu 10,51%; no 2o, 9,58%;no 1o governo Lula 14,76%; no 2o, 19,71%. 

Em relação à responsabilidade fiscal, leia os estudos do IBRE

Imagem

Em relação às reservas cambiais, foi outro sucesso.

Em cima desse conjunto de conclusões falsas, Borges menciona uma suposta “esquerda moderna” europeia, que defende o “tripé virtuoso”, em um momento em que todos os círculos econômicos fora do mercado questionam os pontos centrais dessa financeirização.

Deveria mencionar as fontes dessas afirmações.

Em todo caso, apenas mostra que, no plano econômico, muitos comentaristas ideológicos se comportam como os setoristas da Lava Jato: são meros repassadores de releases ou de bordões.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    7 de outubro de 2022 3:46 pm

    É impressão minha, ou o Nassif está começando a perder a paciência com a mediocridade generalizada que se instalou nesse país nos últimos anos? ‘Ignaros’, ‘porra-louca’, são expressões de que ele não se utilizava, ao menos que eu me lembre.
    Sendo assim, à merda com os ignaros!
    E viva os porra-loucas da esquerda.
    Que o mundo um dia seja deles, e não dos pobres de espírito, pois hoje ele é dos espíritos de porco, infelizmente abundantes aqui nessas paragens!

  2. Moacir Rodrigues de Pontes

    8 de outubro de 2022 6:01 pm

    E essa CNN parece estar mesmo terrivelmente infiltrada.

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