A garota desaparecida do Vaticano
por Izaías Almada
Que mundo é esse em que vivemos?
Desde pequenos somos “educados” (as aspas ficam para a imaginação do leitor) a sermos boas meninas ou bons meninos, não fazer bagunça nas refeições, a respeitar os mais velhos, a acreditar em Deus, não importa a religião e seus dez ou mais mandamentos… E por aí afora.
Aprendemos a escrever, a somar, dividir, diminuir e multiplicar, sofremos algum tipo de bulling em casa ou na escola, iniciamos nossas escolhas enquanto treinamos os nossos cinco sentidos… Nosso cérebro se desenvolve e vamos colecionando conhecimentos dia a após dia.
Muito bem: diante desse pequeno tratado de obviedades pedagógicas para iniciantes no vestibular da vida, seja lá do que for, o certo é que da infância à velhice sofremos inúmeras lavagens cerebrais e consoante o nível do nosso conhecimento nos livramos de muitas delas e de outras nem tanto.
Para exemplificar e tornar mais claro e inteligível o que quero dizer tomo aqui a liberdade de sugerir ao leitor que ele procure assistir no streaming Netflix uma das mais assustadoras e desmistificadoras minisséries a que eu, particularmente, já assisti e que dá título a essa crônica.
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Aviso: não tem nada que se pareça a filmes de terror ou de tramas psicológicas que nos deixam a respiração presa ou sustos pelo meio do caminho. Nada disso. Trata-se de um documentário cinematográfico sobre um fato real que se passa no ano de 1983 no Vaticano, um Estado encravado no coração de Roma, a belíssima capital da Itália.
Uma jovem, ainda adolescente, desaparece dentro do Vaticano. Seu nome: Emanuela Orlandi. Os pais trabalhavam para o Estado da Santa Sé, onde também moravam, visto serem funcionários a serviço do Papa, no caso o polonês João Paulo II que, dois anos antes, 1981, foi vítima de um atentado a tiros.
O autor do atentado, Mehmet Ali Agca, turco de nascimento, que já havia assassinado um jornalista de esquerda em seu país, foi preso e disse que tinha recebido treinamento da KGB russa, da CIA e grupos terroristas, acusação esdrúxula desmentida no decorrer do processo.
A família de Emanuela, os pais, o irmão e duas irmãs dão entrevistas sobre seu intrigante desaparecimento.
Narrado em muitos momentos pelo jornalista Andrea Purgatori do “Corrieri della Sera”, “A Garota desaparecida do Vaticano” é um excelente documentário para ser visto e não contado ou lido numa simples crônica.
Faço apenas um registro final do que senti ao acompanhar a narrativa do desaparecimento de uma jovem no interior do Vaticano: se no espaço ocupado pelo “representante de Deus na Terra” acontecem coisas que não são explicadas ao mundo, que são escondidas em defesa de uma religião poderosa como a Católica Romana, o que esperar dos países e governos cuja religião é o dinheiro e o seu deus o Capital?
O leitor pensa que uma coisa não tem a ver com a outra? Então assista o documentário…
Ainda agora, na abertura da COP-27 que está a ser realizada na cidade de Sharm-el-Sheik, o Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, fez uma séria advertência na abertura do evento: “A humanidade tem uma escolha: cooperar ou perecer. Ou fechamos um pacto de solidariedade climática ou um pacto de suicídio coletivo.” E enfatizou Guterres: “Estamos numa estrada para o inferno”, afirmou o secretário geral da ONU.
E o Vaticano vai junto, acrescento eu.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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Rui
8 de novembro de 2022 4:22 pmFaço apenas um registro final do que senti ao acompanhar a narrativa do desaparecimento de uma jovem no interior do Vaticano: se no espaço ocupado pelo “representante de Deus na Terra” acontecem coisas que não são explicadas ao mundo, que são escondidas em defesa de uma religião poderosa como a Católica Romana, o que esperar dos países e governos cuja religião é o dinheiro e o seu deus o Capital?
Se o Brasil é assim, imagine a Jamaica
Se o Detran daqui é assim, imagine o da Jamaica
Se o Whisky Paraguaio daqui é assim, imagine o da Jamaica
Se a minha sogra aqui é assim, imagine na Jamaica