4 de junho de 2026

Retrato em branco e preto, por Izaías Almada

Nunca o Brasil esteve tão doente às vésperas do dia D, onde se elege ou reelege um presidente da república.

Retrato em branco e preto

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por Izaías Almada

Quarta feira, dia 19 de outubro de 2022. Um belo final de tarde cai sobre a cidade de São Paulo às 17h50minutos, com o sol a manchar de dourado a copa das árvores e as paredes de seus incontáveis prédios espalhados por não sei quantos quilômetros quadrados.

A natureza sugere paz e tranquilidade para seus milhões de habitantes na correria em busca da estação do metrô mais próxima ou mesmo dos trens, da parada de ônibus, dos pontos de táxi, da caça ao uber pelos celulares, todos no velho e surrado caminho de volta para suas casas, muitos na expectativa de que chegue logo o dia 30 e termine esse filme de terror que vai tomando conta do país: a eleição presidencial.

Nunca o Brasil esteve tão doente às vésperas do dia D, onde se elege ou reelege um presidente da república.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Mortes, agressões verbais e físicas, debates onde a mentira e o linguajar grosseiro (exceção feita a um único candidato) tomaram conta da arena, onde bestas humanas estão à espreita, esperando para dar o bote final. Em apenas quatro anos de um governo incompetente e avesso ao diálogo o país foi transformado num circo de horrores.

Já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada, seus segredos sei de cor. Já conheço as pedras do caminho e sei também que aqui sozinho vou ficar, tanto pior”…

De tanta tristeza, minha memória foi buscar algum consolo nos versos de Chico Buarque e Tom Jobim, já que me é possível transformar numa licença poética a minha pátria como a mulher amada.

“Lá vou eu de novo como um tonto, procurar o desconsolo que eu cansei de conhecer”…

E lembranças vêm ao de cima, sempre à procura do encontro com a paz, o sossego e o amor. Com a possível comunhão de um povo mais feliz, menos sofrido e espezinhado, na expectativa de que em algum momento o chicote, ainda colonial, da humilhação e do preconceito seja visto numa foto em preto e branco dependurado numa parede de museu e exposto à visitação de um Brasil mais sadio e justo.

Que a esperança desse desejo ganhe novo fôlego no próximo dia 30 de outubro de 2022, pois caso contrário estará aberta a porta do inferno.

“Novos dias tristes, noites claras, versos, cartas, minha cara, ainda volto a te escrever que isto é pecado, trago o peito tão marcado de lembranças do passado e você sabe a razão”…

Que o povo vote bem e saiba escolher entre a esperança e o desespero…

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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