4 de junho de 2026

Mitos tucanos (2): A inflação está descontrolada?

grafico índice de rendimento médio real de pessoas ocupadas 20013-2013

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Nota do Brasil Debate

Os tucanos mentem ao dizer que a inflação está fora de controle e que o governo tem sido leniente no controle da inflação. É fato inconteste de que, desde o governo Lula, a meta de inflação tem sido atingida (ver AQUI).

A grande questão é a diferença entre a retórica tucana e suas reais intenções. Por um lado, o argumento PSDbista é de que a inflação pode corroer o poder de compra do trabalhador, caso o aumento de preços na sua cesta de consumo seja maior do que o ganho salarial, o que não tem ocorrido no Brasil.

De fato, os salários reais têm crescido acima da inflação, o que eleva seu poder de compra, como pode ser visto no gráfico acima.

Resta entender qual é o real objetivo tucano ao preconizar tal descontrole inflacionário.

Direto ao ponto: o patamar da inflação não é dos mais confortáveis. O processo de distribuição de renda envolve aumento do salário mínimo e do salário da base da pirâmide de rendimentos, o que gera uma rigidez da taxa de inflação, particularmente no setor de serviços.

Há dois caminhos possíveis para reduzir o patamar da inflação: 1) valorização cambial e 2) arrocho salarial. Ambas possuem contradições entre o objetivo de política monetária e o processo de desenvolvimento brasileiro.

Nos anos em que o centro da meta foi atingido, houve valorização da taxa de câmbio. O problema é que, com uma indústria fragilizada pelas dificuldades impostas por uma ordem internacional em que impera a extrema competitividade chinesa, recorrer à valorização cambial pode acentuar a perda de densidade da indústria brasileira.

A segunda estratégia pode ser implantada de duas formas: cessar o aumento do salário mínimo (ou até reduzi-lo) e gerar uma enorme recessão na economia brasileira, por exemplo, por um ajuste fiscal de grandes proporções ou uma forte elevação dos juros. As políticas fiscal e monetária contracionistas resultam num menor poder de compra e numa redução do poder de barganha para os trabalhadores.

Claramente, tal estratégia significaria exterminar o processo civilizatório pelo qual a economia brasileira tem experimentado pela decisão de crescer com distribuição de renda.

Nos debates, Aécio Neves se esquiva de dizer publicamente como ele reduziria a inflação, apesar de frequentemente afirmar que a inflação está fora de controle. O banqueiro Armínio Fraga, o ministro da Fazenda de Aécio, também não disse como reduziria a inflação no debate com Guido Mantega promovido pela Globonews (ver AQUI).

No entanto, o indício de como será o combate à inflação foi dado por Armínio em outra ocasião (ver AQUI): ele considera que os salários estão muito elevados. A estratégia, provavelmente, será adotar o arrocho salarial, por meio da contenção do salário mínimo, do ajuste fiscal e da elevação da taxa de juros.

Dizer que a inflação corrói o poder de compra do trabalhador e que ela está fora de controle é o falso pretexto tucano para justificar o que eles realmente querem: reverter o processo de distribuição de renda, elevar os juros e favorecer os detentores da riqueza financeira. Caso o problema para os tucanos fosse realmente o poder de compra para o trabalhador, o arrocho salarial não seria a alternativa escolhida para reduzir o patamar da inflação.

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12 Comentários
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  1. Jorge Luis

    21 de outubro de 2014 5:52 pm

    Acabei de me deparar no

    Acabei de me deparar no Facebook, novamente com aquela imagem manjada falando do que se comprava com R$ 1,00 em 1994 e do que se compra em 2014. A velha tentativa (“velada”, mas não tanto) de jogar nas costas do PT a desvalorização do poder de compra do Real, também conhecida como inflação.

    Eu até poderia responder a quem postou isso no Face, mas como eu já conhece o resultado, resolvi poupar o meu latim. De qualquer forma, resolvi pesquisar os índices de inflação para ver quem seria o maior responsável por essa desvalorização do Real.

    Peguei os índices anuais do IPCA consolidados, desde 1995 ate 2013 e simplesmente somei os percentuais dos 8 anos de FHC e dos 11 anos de PT (não apliquei índice sobre índice, o famoso “juro composto” para não dar muito trabalho, já que a idéia é só comparar os dois períodos).

    O resultado:

    Período FHC (1995 – 2002, ou seja, 8 anos): 73,96%

    Período PT (2003 – 2013, ou seja, 11 anos): 64,53%

    Conclusão:

    Mesmo pegando um período com 3 anos a mais, a inflação total dos 3 governos do PT é quase 10% menor que a do período FHC.

    Então, quem foi mesmo que mais colaborou para que o Real hoje compre bem menos do que em 1994?

    1. Bispo da Dama

      21 de outubro de 2014 7:46 pm

      Ledo e Ivo engano

      O pior, Jorge é que tem muito eleitor achando que a inflação está descontrolada e que só Aécio Neves poderá domá-la. 

      1. aliancaliberal

        22 de outubro de 2014 3:36 am

        E que o eleitor vai no

        E que o eleitor vai no supermercado e leva menos com o mesmo dinheiro ai não adianta “inventar um outro país.”.

  2. GabrielPM

    21 de outubro de 2014 6:11 pm

    Acho bizarro essa brincadeira

    Acho bizarro essa brincadeira com o exagero nas palavras. 

    O fato de se querer comparar um período logo pós os anos de hiperinflação com a realidade de hoje denota certo analfabetismo econômico. No mundo das comparações petistas é sim possível comparar a média de inflação nos anos FHC com os anos de Dilma. Qualquer pessoa minimamente educada em finanças e conomia sabe que isso é uma comparação bastante pobre e que omite as boçal diferença da estrutura econômica do país.

    É triste ver pessoas distorcendo números para justificar o injustificável. 

    Vale lembrar também que a inflação atual de 6.5% sequer incorpora os preços represados de energia e gasolina pelo governo. 

    Em um país sério um artigo desses seria ridicularizado! Ou ele foi escrito com má intenção ou é fruto de pura incapacidade de entender o que é uma economia.

  3. altamiro souza

    21 de outubro de 2014 6:19 pm

    a falácia da eficiencia

    a falácia da eficiencia tucana engana 

    alguns mas não a todos felizmente.

    esse papo de inflaçlão alta é furado porque nos últimos

    doze anos ela está dentro da meta.

    o papo tucano é para arrochar salários e elevar juros.

  4. W K

    21 de outubro de 2014 6:54 pm

    Um dos serviços que nossa justiça

    deveria fazer, mas tragicamente não o faz, seria responsabilizar todos aqueles mandantes na economia brasileira pelas encrencas que o povo passou, a grande maioria deles desnecessariamente. 

    Ficaria feliz em ver alguns desses pseudo-gurus que já ocuparam cargos no Banco Central e nos diversos ministérios fazendo estragos no bolso da sociedade pagarem pelo que fizeram. 

    Claro, nenhum deles tem grana suficiente para cobrir os prejuízos, mas cassação de diploma, proibição de obter empréstimos, de movimentar investimentos, etc. deles / por eles já seria um bom começo. 

    Isto ocorrendo, quem ocupar cargos assemelhados daí em diante, vai pensar umas 20 vezes antes até de abrir a boca para ameaçar a economia do povo.

  5. Calvin

    21 de outubro de 2014 8:50 pm

    Errados, como sempre

    segue o gráfico

    http://governobrasil.blogspot.com.br/2014/10/dados-que-voce-nao-ve-inflacao-media.html

  6. basílio

    21 de outubro de 2014 10:09 pm

    Inflação Galopante

     

    Caso este ano a inflação chegue mesmo a 6,5% como parecem torcer certos canais neoliberais, voltará ao patamar de 2011,  o que representa pouco mais que metade da inflação de 12,53%, no ano que os tucanos deixaram o poder (2002),  lembrando que a meta inflacionária naquele ano era de 3,5% +-2p.p, ou seja a inflação resultou em mais que o dobro do teto da meta por eles estipulada, o que demonstrou, mais uma vez, a “enorme” capacidade de planejamento e competência dos quadros do PSDB.

    Sem falar que o IGP-M naquele ano, índice que reajusta aluguéis e contratos-que-devem-ser-honrados (telefone, etc.) foi superior a 25%, contra menos de 5% previstos para 2014.

    Planejamento aliás é o forte dos tucanos e seus aliados tanto que deixaram o planejamento determinativo do setor elétrico para a iniciativa privada, colhendo por esse e outros motivos um apagão eletro-econômico em 2001.

     

    O gráfico demonstra o oposto, mas o candidato tucano fala de boca cheia sobre “a volta da inflação” ou sem nenhum escrúpulo e demagogicamente que a dona de casa “não compra hoje nada pelo mesmo preço de antes”, como se isso fosse possível em um quadro de não deflação.

    Esqueceu de comentar que os reajustes salariais superaram a inflação nestes governos trabalhistas, já nos tempos “bons” de FHC e Armínio…

     

     

     

    O canto tucano me seduz

    Deixaram São Paulo sem água

    E o Brasil todo sem luz

     

    Desculpa, Romério….

    1. aliancaliberal

      22 de outubro de 2014 3:34 am

      O problema e inflação alta e

      O problema e inflação alta e PIB negativo ou nulo.

      1. basílio

        22 de outubro de 2014 2:55 pm

        Problema é

        O problema é  desemprego, salário arrochado, falta de escolas técnicas, acesso reduzido e privilegiado ao ensino universitário, falta de um programa habitacional decente e acessível, cobertura social incipiente, falta de oportunidades, em suma miséria e concentração de renda, isso sim é  o fim do mundo.

  7. Márcio de Carvalho

    22 de outubro de 2014 2:19 am

     
    Inflação Brasil  entre 1995

     

    Inflação Brasil  entre 1995 – 2010 – Índice IPCA 

     

    Mais dados em : http://brasilfatosedados.wordpress.com/2010/12/11/inflacao-em-baixa-governos-1994-2010/

     

     

    Inflação Média - Índice IPCA - % - BRASIL - Evolução - 1995 - 2014

    Inflação Média por governo - Índice IPCA - % - BRASIL - Evolução - Governos - FHC - LULA - DILMA

     

  8. aliancaliberal

    22 de outubro de 2014 3:52 am

    Mitos de academicos

    Mitos de academicos  militantes petistas.

    “Há dois caminhos possíveis para reduzir o patamar da inflação: 1) valorização cambial e 2) arrocho salarial. Ambas possuem contradições entre o objetivo de política monetária e o processo de desenvolvimento brasileiro.

    Não, o unico caminho para redução da inflação é combater a sua causa não efeito, o que leva ao que se convencionou erôneamente chamar de inflação é o aumento da quantidade de moeda na economia, isso é desde que o homem encontrou a Commodities de maior liquidez.Salários não geram inflação po que não criam moeda.Câmbio não gera inflação pq não cria moeda. Outro mito.Governos não aumentam salários.Quem determina salário é a produtividade marginal do trabalho.Esta “lei” não foi revogada nem pela URSS de Stalin.Hoje o salário médio pago ao trabalhador brasileiro é o mesmo que era pago em 2002, com uma redução no periodo 2004 a 2012, penas agora em 2014 que retornou ao mesmo patamar de 2002. ……………..Aécio Neves se esquiva de dizer publicamente como ele reduziria a inflação, apesar de frequentemente afirmar que a inflação está fora de controle. Qualquer um sabe como reduzir a inflação é so não inflacionar a moeda, ou seja não criar moeda sem lastro.O governo Dilma crou moeda para financiar o governo.

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