23 de junho de 2026

Como Richarlison perdeu a posse de uma mansão para o amigo de Flávio Bolsonaro

Disputa por imóvel avaliado em R$ 10 milhões envolve manobras jurídicas e suspeita de fraude em assinaturas

A atuação de Richarlison na estreia do Brasil na Copa do Mundo no Catar, com dois gols do camisa 9 contra a Sérvia, aumentou as buscas pelo jogador no Google e também nas redes sociais. Além de louvar o ativismo político e social de Richarlison, internautas resgataram também uma reportagem do site Metrópoles que lançou luz sobre manobras jurídicas encampadas por um advogado amigo de Flávio Bolsonaro, que conseguiu tirar do jogador a posse de uma mansão “paradisíaca” em Angra dos Reis (RJ).

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Na matéria de Metrópoles, consta que o advogado teria dado início ao processo para tomar a posse da mansão de Richarlison somente após o senador Flávio Bolsonaro e esposa terem visitado e demonstrado interesse na propriedade.

Mas depois que a reportagem repercutiu em vários sites, o advogado Willer Tomaz negou que Flávio seja o destinatário do imóvel e ainda envolveu outro político mineiro na questão, tudo em nota enviada à imprensa explicando o imbróglio.

Como Richarlison perdeu a posse da mansão

O advogado Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro

Segundo a matéria original, Richarlison e seu sócio na empresa Sport 70, Renato Velasco, teriam comprado a mansão avaliada em 10 milhões de reais em meados de 2020. Eles compraram a posse do empresário Antônio Marcos Pereira Silva.

O imóvel em Ilha Comprida tem histórico: pertenceu à cantora Clara Nunes até 1983. Em 1986, o viúvo da cantora vendeu a possa para a empresa M Locadora. Desde então, a propriedade passou ainda para outros dois donos, antes de ser adquirida por Antônio Marcos, que revendeu a Richarlison.

Só que o advogado amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, passou a disputar a mansão na Justiça alegando que a única dona de uma propriedade em território da Marinha é a União. “Não há propriedade de particulares”, disse o advogado em nota à imprensa em setembro de 2022.

Tomaz ainda alegou à imprensa que “contratos particulares após 1986 assinados por pessoas diversas de M Locadora não têm nenhum valor jurídico, sendo que vender coisa alheia e pública pode configurar estelionato e ilícito administrativo.”

Na Justiça, Tomaz conseguiu uma ordem de reintegração de posse em desfavor de Richarlison e seu sócio. Eles até conseguiram reverter, mas perderam em segunda instância, e a esposa grávida de Renato Velasco, sócio de Richarlison, teve de desocupar o local.

Suspeita de fraude

A chave de tudo está na forma como o amigo de Flávio Bolsonaro conseguiu para si os direitos sobre a propriedade. Ele teria pago 2 milhões de reais em “pendências fiscais e administrativas da M Locadora, em troca da transferência do bem”, segundo apurou o Metrópoles.

Com isso, o advogado de Flávio Bolsonaro deu início ao processo de regularização da posse junto à União. Tomaz diz que os herdeiros da M Locadora não questionaram a transferência na Justiça. Mas uma das herdeiras diz que foi enganada para assinar documentos. Em outubro de 2022, o Metrópoles revelou que um laudo técnico realmente identificou fraude nas assinaturas.

Hoje, segundo o advogado de Flávio Bolsonaro, “a WT Administração [de Willer Tomaz] é a única e legítima titular de direitos sobre o bem, regularmente registrados e adquiridos da antiga titular, M Locadora, tendo igualmente obtido decisão judicial para entrar e ficar na posse do bem.” O caso segue tramitando na Justiça, e a hipótese de fraude pode gerar uma reviravolta.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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3 Comentários
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  1. Esmael Leite da Silva

    25 de novembro de 2022 11:30 am

    Nenhuma novidade, negócios escusos envolvendo Flávio Bolsonaro são apontados constantemente, desde empreendimentos mobiliários a envolvimento com milícias, no entanto ele será o sucessor de Jair Bolsonaro, visto que Eduardo Bolsonaro é visto e tido como tipo intratável com a grande mídia. Flávio Bolsonaro será apontado como extrema direita soft, tanto é assim que seus atos, embora apontados pela grande mídia, não são acompanhados no dia a dia, caindo no esquecimento.
    O judiciário é leniente e lento. Enfim, é mais do mesmo. Parabéns ao GGN pela matéria.

  2. Edson Silva

    25 de novembro de 2022 2:23 pm

    Cara se sou o Richarlison e com a sua possibilidade de contatos aqui e fora iria com “os dois pés no peito” desse advogadozinho picareta. Uma questão de hora acabaria com a carreira desse chave de cadeia.

  3. AMBAR

    28 de novembro de 2022 8:50 pm

    Dizem nos meios imobiliários que se todos os proprietários da Ilha Comprida reclamassem seu domínio ela deveria possuir no mínimo 3 andares. Comprei certa feita, de uma parenta, a qual, com o argumento de que deveríamos ter um lugar para nos escondermos em tempo de guerra, conseguiu me convencer, dois lotes em Ilha Comprida e, após o pagamento, em suaves prestações mensais, o próprio dono da gleba, sobre a qual cobrava condomínio para a manutenção dos lotes, convidou-nos para a regularização e escritura. O tabelião de Iguape, de quem Ilha Comprida era subdistrito na época, vinha periodicamente à São Paulo colocando-se à disposição de quem quisesse fazer a escritura e respectivo registro. Muitas pessoas o fizeram. O tempo passou, a cidade tornou-se independente e a maioria dos reais proprietários sequer conhecia o lote que comprou.Com a construção da ponte que a Ilha interligava com Iguape, o olho do setor imobiliário cresceu, e então foi invasão pra todo lado Sucede que Ilha Comprida é composta, principalmente por aluvião.
    ” Aluvião é um depósito de sedimentos clásticos formado por um sistema fluvial no leito e nas margens da drenagem, incluindo as planícies de inundação e as áreas deltaicas, com material mais fino extravasado dos canais nas cheias.Wikipedia (PT)
    A Ilha, sob vigilância extrema da política ambiental, proibiu a construção e poda em muitos locais da ilha, entre os quais um dos lotes meus, sem aviso, e cobrando IPTU normalmente. . Se há uma pessoa que merece ter um imóvel em Ilha Comprida é o filho do Bozo. Mais cedo ou mais tarde a água leva tudo aquilo.
    Richarlison deveria ser melhor assessorado para não comprar imóvel em terreno invadido entre o rio e o mar que vai sumir um dia destes, e o amigo do bozo, ou filho do bozo, seja lá quem esteja metido nesse imbroglio, que façam bom proveito.

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