Ainda que o site do jornal Folha de S. Paulo tenha divulgado os principais números da última pesquisa do Instituto Datafolha (15), ressaltando que ela repete os resultados da pesquisa anterior do mesmo instituto, uma análise um pouco mais apurada revela que não é exatamente este o cenário retratado no último levantamento.
Se a distância entre os candidatos permanece a mesma, tanto considerando-se os votos totais quanto considerando-se apenas os votos válidos, e, ainda, mantenha-se inalterada a taxa de convicção dos eleitores de ambos os candidatos, é preciso registrar que a pesquisa revela a ocorrência de alterações significativas, mesmo que todos elas se mantenham dentro da margem de erro admitida de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em primeiro lugar, considerando-se os votos totais, ambos os candidatos perderam um ponto percentual entre uma pesquisa e outra: Aécio Neves caiu de 46% para 45% e Dilma Rousseff passou de 44% para 43%. Os dois pontos percentuais perdidos migraram para os votos em branco, nulo ou nenhum.
Em segundo lugar, considerando-se o grau de convicção de voto dos eleitores, a imobilidade dos percentuais dos eleitores já decididos, rigorosamente igual para ambos os candidatos, em 42%, contrasta com a oscilação dos percentuais daqueles que declaram que “talvez” possam votar em um ou outro candidato (considera-se, aqui, a categoria de votos não decididos, mas possíveis): Aécio Neves saiu de 22% para 18% e Dilma Rousseff passou de 14% para 15%, ou seja, o primeiro perdeu quatro pontos percentuais entre seus eleitores potenciais, enquanto a segunda ganhou um ponto.
Em terceiro lugar, considerando-se a rejeição aos candidatos, os que declaram que não votam em Aécio Neves “de jeito nenhum” foram de 18% para 22%, enquanto os que declaram que não votam em Dilma Rousseff “de jeito nenhum” passaram de 43% para 42%, revelando-se um aumento de quatro pontos percentuais na rejeição ao candidato tucano e diminuição de um ponto na rejeição à candidata petista.
Em quarto lugar, considerando-se a avaliação do governo Dilma Rousseff, os que consideram o governo como ótimo ou bom passaram de 39% para 40%, um aumento de um ponto percentual, enquanto os que o consideram ruim ou péssimo foram de 22% para 21%, com uma queda também de um ponto percentual.
O que se revela, portanto, é que, passada uma semana de campanha eleitoral no segundo turno, a tendência de crescimento de ambos os candidatos, ainda que em números reduzidos, apresenta-se invertida: Dilma Rousseff apresenta tendência positiva e Aécio Neves apresenta tendência negativa.
Tendências que podem não se manter e que dependerão, em muito, para se consolidar, tanto do desempenho dos dois candidatos nos debates eleitorais e em seus programas de rádio e televisão, quanto do empenho dos simpatizantes e militantes de cada candidatura para convencer os eleitores que ainda não decidiram seus votos.
Benedito Tadeu César – Cientista social
Publicado originalmente no site Sul21
http://www.sul21.com.br/jornal/pesquisa-datafolha-e-a-falsa-aparencia-de-total-estabilidade/

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