4 de junho de 2026

Por que declarar o voto nas redes sociais

Com exceção daquelas pessoas engajadas em uma ou outra das campanhas à presidência, boa parte dos eleitores que já definiram o próprio voto no segundo turno das eleições, a estas horas, está dividida sobre manifestar ou não sua preferência nas redes sociais.

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Os motivos são muitos. Variam desde a limitação auto-imposta de não discutir política na sua vida “on line” para evitar mal-entendidos e aborrecimentos, até seguir os ‘conselhos’ de “consultores” de recursos humanos que dão palestras e falam no rádio dizendo que os recrutadores das empresas utilizam os perfis pessoais da internet como fonte de avaliação de candidatos a emprego e, por isso, esses devem ter a preocupação de serem discretos e adequados a atender o intragável conceito neoliberal da “empregabilidade”.

Há outro apelo, muito conspícuo nestes dias, de ordem mais pessoal e privada que tem circulado em “memes” pela rede: “proibido destruir amizades por causa de política”.

É preciso, antes de qualquer coisa, ter em mente que amizade e convivência são temas completamente distintos, ainda que frequentemente confundidos, em especial agora, em tempos de ‘amigos virtuais’. Uma amizade que não suporta o desacordo, e até um eventual exagero, destempero ou teimosia do parceiro não deve ser tratada por esse nome. Uma das características das verdadeiras amizades é estar baseada numa intimidade suficiente para entender – mesmo sem aceitar – as razões e irracionalidades dos amigos. Em especial no tema da política, em que, simultaneamente, todos têm e não têm razão, haja vista que quaisquer escolhas políticas projetam o futuro, sobre o qual cada indivíduo pode ter convicções, mas jamais poderá alegar ter certeza a respeito dos seus prognósticos.

Assim sendo, é preciso considerar a única limitação inelutável a respeito desta decisão, enfatizando que se está a considerar a situação daqueles que já têm segurança sobre o seu voto: manifestar-se agora ou silenciar, no mínimo, pelos próximos quatro anos.

As redes hoje congregam em torno de uma pessoa de perfil comum, isto é, sem exposição pública decorrente de suas atividades profissionais ou outras circunstâncias, a família, seus amigos de fato, que conhecem muito bem seus ideais e convicções políticas; amigos que se aproximam pela rede, mas que, na verdade, estão apenas no âmbito da convivência e aqueles que se agregam às listas, exclusivamente, de forma indireta pela própria internet.

Com base nesse entendimento parece justo pensar que é possível, sem necessariamente estar engajado numa das chapas em disputa, um eleitor comum optar por uma ação de responsabilidade histórica e exercício de cidadania simplesmente abrindo mão da condição inquestionável de segredo do voto, com o objetivo consciente de auxiliar, por meio do exemplo do seu sufrágio, em acordo com a percepção das pessoas das suas listas de amigos nas redes sociais a seu respeito, a decisão daqueles que, sem essa orientação informal, poderiam deixar para escolher de modo quase aleatório, sujeito a influências de última hora e sem qualquer fundamentação de veracidade ou confiança que uma declaração individual de voto é capaz de proporcionar para aqueles que ainda estão indecisos.

Vote e, se estiver convicto de sua decisão, declare, sem receio e alarde, seu voto nas redes. Em especial, no caso de disputas muito acirradas, como a que se apresenta nas eleições presidenciais de 2014, esta atitude pode ser de grande valia e consequência para o futuro, o seu próprio, daqueles por quem se tem afeto e do país como um todo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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