1 de julho de 2026

Do horror, do desespero e da tragédia de viver em uma distopia insana!, por Eduardo Ramos

Essa lavagem cerebral, esse ódio, a criação de um rebanho de zumbis PRECEDE ao bolsonarismo e teve seu nascedouro na mídia tradicional.
Reprodução Twitter

Do horror, do desespero e da tragédia de viver em uma distopia insana!

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por Eduardo Ramos

(sobre os artigos “O 8 de janeiro e o fator humano, parte 1 e 2, de Letícia Sallorenzo, no GGN – links no final)

Letícia Sallorenzo é mestra em linguística pela Universidade de Brasília. Essa informação só é relevante quando o autor de um texto usa seu conhecimento para UNIR sua bagagem acadêmica a uma linguagem acessível para que as pessoas compreendam os signos, as ideias que ele, autor, quer trazer à luz. É o caso desses artigos. Por isso, antes de qualquer coisa, recomendo aos amigos que os leiam. Esse artigo nada mais é do que uma reverberação das premissa da Letícia e do desespero que me acompanha há uma década, posso dizer, quando leio coisas semelhantes, que me lembram que estamos, nós brasileiros, vivendo em um cruel e insano MUNDO-MATRIX.

Uma das ideias que o texto traz em sua “parte 2”, é que os alucinados que participaram das ações criminosas contra o Estado Democrático de Direito, o fizeram essencialmente pelo estado mental enfermo em que se encontravam, Letícia chega a compará-los – com o que concordo totalmente – a “viciados em drogas” – sendo as drogas neles operantes, as Fake News, as milhares de informações que recebem cotidianamente, na verdade, de modo incessante, 24 horas por dia, num caótico e maligno processo de lavagem cerebral.

Ora, se isso tudo não é uma síntese perfeita da mais tenebrosa DISTOPIA, da existência entre nós de um palpável e real MUNDO-MATRIX, não consigo conceber o que poderiam ser ambas as coisas…

Mas hoje, assistindo por curiosidade ao primeiro capítulo de uma série cuja propaganda havia me instigado, a frase final do texto da Letícia “me pegou”, pela mente, pelo fígado, pelo coração. A série, “The Last of us”, traz o surradérrimo argumento de algo – dessa vez um fungo… – que penetra no cérebro humano e “rouba a humanidade da pessoa”, transformando-a em uma espécie de zumbi.

Na série, a humanidade é devastada pela tal praga, os seres humanos saudáveis estão presos em “cidades-prisão” de onde não se pode entrar ou sair. No mais, tudo devastado pelos “infectados pelo tal fungo do mal”…

Sim, confesso que em meio às melancolias que me acometem nesses tempos, me perguntei: “e se o buraco for mais embaixo, e se a Letícia, que reconhece ainda não ter pesquisado cientificamente suas teses, estiver sendo “branda” em sua teoria? E se a coisa for ainda pior do que comparar esse triste rebanho humano a viciados em drogas? E se essa massa humana capaz de todas essas loucuras que nos deixam estupefatos não estiverem aos poucos se tornando zumbis em sua perda de cognição com o mundo real…”?

Um segundo “e se” cabe aqui: “e se estivermos, ao em vez de exacerbar, suavizando a capacidade das “Cambridges Analyticas”, dos “Steves Bannons”, de criarem em todo o mundo, gente tomada por ódios, nojos, fanatismos, CEGUEIRAS, um exército capaz de, um dia, criar uma guerra, duas, ou golpes de Estado, como tiveram a ousadia de tentar, primeiro nos EUA, agora aqui, no Brasil?

E SE ESSA FOR UMA TENDÊNCIA, UMA ESTRATÉGIA, QUE VIERAM PARA FICAR, diante da tibieza das respostas dos governos, dos Estados?!?

Na verdade, há um aspecto que não podemos esquecer: por mais que os grupos de ZAP e TELEGRAM, além do uso das redes sociais em geral sejam sim a força motriz desses rebanhos humanos, AQUI NO BRASIL, BEM ANTES DISSO, FORAM A GLOBO, A VEJA, A FOLHA, O ESTADÃO, que impulsionaram a criação de um “MUNDO-MATRIX CHAMADO LAVA JATO”, o planeta perfeito onde um super herói adorado por quase todos os brasileiros, Sérgio Moro, nos livraria de “Satanás e seus anjos do mal” – uma época recente, mas, lembremo-nos, andar com uma camiseta do PT ou de apoio a Lula em determinados bairros ricos de Rio e São Paulo era o mesmo que implorar para sofrer agressões físicas e verbais de todo o tipo. Portanto, essa lavagem cerebral, esse ódio, a criação de um rebanho humano de zumbis toscos e agressivos, no Brasil, PRECEDE ao bolsonarismo e teve seu nascedouro na mídia tradicional. O que nos leva a crer que o tipo de mensagem, sua repetição à exaustão, a criação de um inimigo comum a ser odiado e a figura mítica de um “salvador”, essas sim, sejam as bases da criação de rebanhos humanos (??? ou de zumbis?) ao redor do mundo – sem deixar de reconhecer que os grupos de ZAP e TELEGRAM exacerbaram esse Hospício num nível que não podíamos imaginar.

A frase final do texto da Letícia que “me pegou pelo fígado, a mente e o coração?” essa aqui:

“dever de casa pros governos – de todo o mundo: equiparar a disseminação de desinformação ao tráfico de drogas. Em nível mundial. Ou isso ou, dada a capacidade do processo de Firehosing operar mais e mais de forma massificada, seremos derrotados. O pronome nós oculto na última oração diz respeito à raça humana, que fique bem claro.”

Me pergunto, se a coisa for pior ainda do que a premissa da Letícia: e se em vez de “apenas drogados”, essas pessoas, como a senhora da foto que ilustra esse texto, – e me inspira mais compaixão do que “raiva”… – estiverem se tornando no exército de zumbis da extrema direita…?

Façamos o “dever de casa”, todos nós. Refletir sobre essas questões a sério, lutar e agir. O mal absoluto que Bolsonaro representa não pode vencer o que há em nós de humano e civilizado.

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

https://jornalggn.com.br/politica/o-8-de-janeiro-e-o-fator-humano-parte-1-por-leticia-sallorenzo/
https://jornalggn.com.br/analise/o-8-de-janeiro-e-o-fator-humano-parte-2-por-leticia-sallorenzo/

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