A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) a terceira fase da Operação Rent a Car, batizada de Galho Fraco II. A ação tem como alvos principais pessoas ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ofensiva busca aprofundar as investigações sobre desvios de recursos públicos das cotas parlamentares. O deputado não é alvo direto das medidas nesta etapa.
Agentes federais cumprem cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. Na residência de um advogado mineiro, a corporação apreendeu dinheiro em espécie escondido dentro de um livro falso, além de relógios de luxo. Os investigadores apuram os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.
Desdobramentos e saques em espécie
O foco desta nova fase são os indivíduos que realizaram saques em dinheiro vivo e o advogado que apresentou a versão jurídica sobre a venda de uma propriedade do parlamentar. De acordo com a PF, “as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos“.
A polícia também apontou que “há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.“
A investigação original, iniciada em 2024, apura o uso irregular da cota parlamentar, verba mensal destinada a custear gastos do mandato, como passagens aéreas e combustíveis. A suspeita é de que uma empresa de locação de veículos tenha continuado a receber pagamentos da cota mesmo após ter sido dissolvida irregularmente.
Histórico e apreensões anteriores
Na fase anterior da operação, realizada em dezembro do ano passado, o próprio Sóstenes Cavalcante foi alvo de buscas. Na ocasião, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil em espécie em um endereço ligado ao parlamentar. À época, o líder do PL justificou que o montante provinha da venda de um imóvel realizada na semana anterior e que o comprador optou pelo pagamento em dinheiro vivo. Ele alegou que não havia depositado o valor ainda devido à “correria de trabalho” e afirmou sofrer perseguição política por ser de direita.
Outro parlamentar do partido, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), também foi alvo de buscas em etapas anteriores do caso e, na ocasião, criticou publicamente a ação nas redes sociais, classificando-a como “covarde”.
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