5 de junho de 2026

Crianças Yanomami foram contaminadas pelo mercúrio do garimpo ilegal autorizado por Bolsonaro

"Bolsonaro não nos atendeu, não nos ouviu e apoiou o garimpo ilegal nas terras Yanomami", diz liderança indígena ao GGN. Assista
Crianças yanomami em situação de desnutrição são atendidas por profissionais de saúde
Foto: Condisi-YY/Divulgação

A tragédia humanitária que assola o território do povo Yanomami, em Roraima, começou a se desenvolver antes de Jair Bolsonaro assumir a presidência da República. Mas a crise escalou sobremaneira durante os 4 anos em que o extremista esteve no poder, dando sinal verde para a entrada do garimpo ilegal na região.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, para o canal TV GGN no Youtube, a liderança indígena Dario Kopenawa, da Hutukara Associação Yanomami, explicou que as crianças estão adoecendo e morrendo contaminas graças ao mercúrio que o garimpo ilegal despeja nos rios.

“Os Yanomami estão contaminados, a gente está tomando água suja! As crianças estão tomando água suja. A sociedade brasileira tem conhecimento disso. O mundo inteiro conhece que os Yanomami estão contaminados por mercúrio do garimpo ilegal. As crianças não estão com fome. As crianças estão doentes! Estão contaminadas por mercúrio. Isso tem que ficar bem claro.”

No último final de semana, o presidente Lula viajou à região para anunciar ações do Ministério da Saúde no atendimento à população Yanomami. Segundo a prefeitura de Boa Vista informou ao G1 na terça (24), há pelo menos 47 crianças Yanomami internadas no Hospital da Criança Santo Antônio, resgatadas pela Pasta.

Somente em 2022, último ano do governo Bolsonaro, 99 crianças Yanomami morreram de desnutrição e outras doenças tratáveis. O Ministério da Saúde estima que, durante os 4 anos do último governo, mais de 500 crianças Yanomami perderam a vida.

‘A TRAGÉDIA NÃO É DE ONTEM’

“A tragédia não é de ontem, não é de hoje. Nós da associação já alertamos mil vezes, falamos nas redes sociais, televisões, mostramos a realidade. (…) A crise vem de 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, e agravou bastante durante os 4 anos do governo Bolsonaro, quando ele congelou a assistência pública na saúde brasileira e para a população indígena. Essa crise humanitária cresceu nos últimos 4 anos e agora vocês estão vendo essa situação de gravidade, especialmente no povo Yanomami”, disse Dário.

Para o atual secretário de saúde indígena, a situação dos Yanomami é gravíssima e o governo federal deve construir hospitais de campanha. “É cenário de guerra. Nossas unidades de saúde funcionam basicamente como campo de concentração. É como se o governo brasileiro, nos últimos anos, tivesse ficado de costas para o povo Yanomami”, disse Weibe Tapeba em entrevista divulgada no Youtube.

GARIMPO ILEGAL

Dário contou ao GGN que a Hutukara Associação Yanomami denunciou às autoridades competentes – Ministério Público Federal, Polícia Federal, Exército, Supremo Tribunal Federal – os problemas que o garimpo ilegal têm gerado nas terras Yanomami.

“Garimpo é uma atividade ilegal”, ele frisou. “Essa atividade tem apoio de organizações internacional e de políticos locais. Garimpo ilegal mata pessoas, mata o meio ambiente, as crianças, os rios. Ainda tem o impacto da violência, abuso sexual e ameaça de morte.”

Somente nos últimos 4 anos, Dário perdeu 4 parentes Yanomami, todos assassinados, segundo ele, por garimpeiros.

“O governo Bolsonaro não nos atendeu, não nos ouviu e mais: ele apoiou o garimpo ilegal nas terras Yanomami. Os garimpeiros trazem muitas doenças. Tem mais de 20 mil garimpeiros até agora na terra Yanomami, onde vocês estão vendo desnutrição, malária, doenças”, comentou Dário.

De acordo com a liderança indígena, o povo Yanomami soma 30 mil pessoas no Brasil, sendo 20 mil concentradas na região de Roraima e no Amazonas. São 363 aldeias no Norte do País e na fronteira com a Venezuela – onde há outros 20 mil Yanomami. Na entrevista a Luis Nassif, Dário também falou sobre a origem e a cultura do povo Yanomami.

Assista:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. ed.

    25 de janeiro de 2023 5:41 pm

    O que me “estupefata” é o seguinte:
    Além de trazer prejuízos humanos, ambientais e econômicos, nem impostos trazer, ser contrabando, e nem ter controle e fiscalização, PODE um presidente da República AUTORIZAR uma atividade ILEGAL?
    Bem, se não pode, processo sumário, PRISÃO e ressarcimentos públicos, pô!

Recomendados para você

Recomendados