Por Juliana Sada, do Centro de Referências em Educação Integral.

Estudantes desestimulados, desinteressados e sem ver sentido na escola. Os desafios enfrentados pela Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz eram comuns a outras instituições de ensino médio. A partir de um chamado da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, a escola decidiu repensar seu funcionamento e implementar uma proposta de ensino de tempo integral, baseada na metodologia do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE).

Criada em 2002, em Recife, a proposta surgiu para modificar os baixos índices educacionais e a falta de perspectiva dos jovens em relação ao futuro. Nas escolas que desde então têm seguido o método, a primeira semana de aula é dedicada à construção do projeto de vida do estudante. Por meio de oficinas e dinâmicas, os alunos são estimulados a pensar no futuro e a sonhar. Ao longo dos três anos do ensino médio e por meio de um processo de tutoria, eles seguem pensando e escrevendo suas expectativas e sonhos para terminar o ensino médio com uma ideia mais estruturada de qual caminho seguir.
Na Alves Cruz, uma rápida conversa com um pequeno grupo de alunos traz uma diversidade de sonhos que mostra o desejo de seguir estudando e uma perspectiva de vida e ambição surpreendentes. Entre os estudantes, um jovem está em dúvida entre jornalismo e teatro, outro deseja estudar direito e ser agente da polícia federal; a garota mais falante do grupo quer fazer psicopedagogia e depois ir para a área de “coaching”, enquanto outra garota fica entre publicidade e eventos e outro garoto deseja estudar ciências da computação e ir trabalhar na Califórnia, um dos mais importantes polos de tecnologia do mundo.
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