“Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção de palavras em toda a folha.— Por que você não me poupou dessa humilhação? — perguntou, furiosa, a folha de papel para a tinta.— Espere — respondeu a tinta —, eu não estraguei você. Eu cobri você de palavras. Agora, você não é mais apenas uma folha de papel, mas sim uma mensagem. Você é a guardiã do pensamento humano. Você transformou-se num documento precioso!E, realmente, pouco depois, alguém foi arrumar a mesa e apanhou as folhas para jogá-las na lareira. Mas, subitamente, reparou na folha escrita com tinta, e então jogou fora todas as outras, guardando apenas a que continha uma mensagem escrita”.

Discussões sobre suportes e meios não importam tanto quanto aquilo que se imprime na folha que está em branco. Não são as tecnologias que trarão o sentido de inovação e sim as palavras! São delas este poder de permanência .
Com o “poder” da tinta sobre o papel desenham-se e materializam-se ideias que auxiliam o povoar e habitar de outras mentes e outros pensamentos: a escrita é virtuosa exatamente porque “contamina”.
Tal como um vírus, ela se altera tanto quanto se dissemina.
Gosto de pensar que as palavras materializam ideias e disseminam prismas e quiçá num futuro, possam ser lidas como testemunho de um passado distante.
Felizmente a vida vai passando, com elas muitas tecnologias e nós vendo-as passar e coexistir.
Talvez seja essa a magia: perceber que tudo permanece pela eternidade que lhe é possível e em conformidade com o seu tempo e sua audiência.
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altamiro souza
17 de setembro de 2014 3:34 pmlindo texto.
belíssimo
lindo texto.
belíssimo exemplo do genio da pintura.
tem muito de leonardo, em “Variedades”,
livro do grande poeta paul valery….
as palavras é que ficam,
em qq suporte,
síntese racional e artística de uma época… .