4 de junho de 2026

Oito bilhões, por Wilson Ramos Filho

Quando eu tinha 12 anos éramos noventa milhões em ação, salve a seleção. Hoje somos duzentos e quinze milhões de brasileiros

Oito bilhões

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por Wilson Ramos Filho

A humanidade ultrapassou a barreira que há 20 anos parecia intransponível. Lembro quando chegamos aos cinco bilhões e dos comentários eticamente malthusianos sobre o futuro do planeta. Desde então o mundo passou a alojar três bilhões de pessoas a mais.

E a China, quem diria, já não é o país mais populoso. Foi ultrapassada pela paupérrima e espiritualizada Índia.

Quando eu tinha 12 anos éramos noventa milhões em ação, salve a seleção. Hoje somos duzentos e quinze milhões de brasileiros, temos uma selecinha, já não podemos usar a camiseta da CBF para não sermos confundidos com os fascistas excessivamente cristãos, e ainda não aprendemos a fazer um controle de natalidade adequado.

Nossos filhos talvez vejam o mundo, devastado por catástrofes ambientais, chegar aos dez bilhões de habitantes, em torno de 2060. Todavia, dificilmente viverão em um mundo melhor, comparado ao que temos hoje, ainda que, apesar do capitalismo, consigamos frear as mudanças climáticas que estão em curso por causa do desmatamento e da emissão irresponsável de gases na atmosfera.

O futuro já não é o que costumava ser. Espiem os dados no link e haverão de concordar comigo

https://worldpopulationreview.com/?fbclid=IwAR1XDnuzPAn5QTrDkSwvJiOogvvYb5P4Vqy2PFacB_0GTfc1S76u37OVjWo&mibextid=tejx2t.

Para servir de conforto e de consolo, se não dermos um basta na irracional destruição intencional do planeta, o paraíso não será tão populoso. Apenas 1/3 dos terráqueos acredita no deus cristão e em seu único filho, amém. Os demais 2/3, por serem ateus ou por acreditarem no deus ou nos deuses errados, certamente irão diretamente para o inferno, sem escalas. E, graças ao bom deus, ao deus certo, não seremos mais do que um bilhão de pessoas nos acotovelando no céu, em meio a diáfanas nuvens e andróginos anjinhos com suas lindas guirlandas quando o mundo acabar em consequência do negacionismo e da devastação ambiental inerentes à maneira de existir baseada na propriedade privada dos meios de produção, no egoísmo e na exploração do trabalho alheio.

Xixo, 22 de fevereiro de 2023

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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