A diplomacia obriga a volteios para se atingir o alvo, especialmente em algo tão complexo e multifacetado como uma Assembléia Geral da ONU. Por isso mesmo, o voto do Brasil, apoiando a resolução que responsabilizava a Rússia pela guerra, foi mal visto por alguns setores internos.
Mas não significou submissão aos Estados Unidos. Pelo contrário, significou a vitória da estratégia diplomática de colocar-se como mediador do conflito. A opinião é de dois dos maiores diplomatas contemporâneos brasileiros, Celso Amorim e José Bustani.
Havia uma resolução responsabilizando a Rússia pela guerra, e nenhuma menção a uma iniciativa diplomática pela paz. O Brasil conseguiu incluir a recomendação pelo acordo de paz. Tornando-se co-autor da resolução, não poderia deixar de assiná-la.
Embora ressalvando que precisava de mais informações, Bustani considerou a resolução bastante positiva, e prova disso foi a reação do chanceler russo, aprovando a iniciativa brasileira, de Lula mediar um futuro acordo de paz.
Para Celso Amorim, a posição do Brasil reforçou a constância da postura de continuar perseguindo a paz.
Ronaldo de Almeida Bezerra
24 de fevereiro de 2023 4:29 pmO voto do Brasil mostrou que o país reagiu igual aos europeus, se ajoelhando aos EUA, simplesmente se acovardou.
Samuel
24 de fevereiro de 2023 5:57 pmNão tem vitória nenhuma da diplomacia brasileira. Tem é covardia. E submissão ao Tio Sam.
Cadê o Lula dos BRICS? Cadê a coragem do velho sindicalista?
CST command
24 de fevereiro de 2023 6:33 pmA vitória da diplomacia brasileira ???
Robson Santos Dias
24 de fevereiro de 2023 6:51 pmTalvez por influência da eloquência de Pepe Escobar e, certamente, as mais que compreensíveis desconfianças em relação aos EUA, muita gente das alas de esquerda entraram numa torcida pró-Rússia, como uma paladina da nova ordem mundial e contra o imperialismo estadunidense. Eu, particularmente, vejo tudo na política como um jogo de forças, em que há ações publicitárias e as ações que realmente importam. Existe, de fato, uma enorme pressão do estado profundo estadunidense pela escalada da guerra e uma luta ensandecida contra o declínio da hegemonia, que ocorre de forma evidente. Essa pressão está ocorrendo contra o governo Lula. Estando no quintal do Império, é sempre importante não dar bandeira para os americanos, principalmente para não armar seus porta vozes por aqui, que são muitos (sendo ainda mais realistas que o rei). A assinatura do manifesto desagrada os que gostam da publicidade da política, mas naquilo que realmente importa, que é o apoio às sanções e a entrega de armas aos ucranianos, o Brasil manteve sua posição de neutralidade. Não sendo um país realmente soberano, cabe a um democrata como Lula fazer o jogo equilibrista de tentar conversar com todo mundo. Acho que não há outro jeito, uma vez que o Brasil é muito dividido para assumir um posicionamento soberano mais efetivo.
Zé
24 de fevereiro de 2023 8:12 pmÉ bom lembrar: um dos primeiros reconhecimentos da vitória de Lula, no 30m de outubro, veio de Biden. A garantia de posse veio de Biden, nos dias 11/11 e 12/12. No 08/01, Blinken falou e Biden também falou, em apoio a Lula. Lula sabe quem garantiu sua posse e quem tem garantido seu governo até agora. Lula quer governar do modo que for possível. Não há jogo fácil com os democratas no poder. Não se esqueçam: Lula pode brincar internacionalmente no governo Bush, incluindo o enterro da ALCA (lançada por Clinton) em 2005, juntamente com Chavez e Nestor. Bancou a eleição e posse de Evo e de Lugo. O único país do América do Sul no qual não se conseguiu bancar um governo não-conservador foi a Colômbia. Mas, veio Obama, e Lula pulou fora do combinado, tentando, com Erdogan, o acordo com o Irã. Lula foi o “cara” a ser enquadrado, devidamente. Está mostrando que foi. Mas Nassif poderia fazer um debate entre Fiori, Amorim e Paulo Nogueira Batista Jr. a respeito do tema.
J. Fernandes
24 de fevereiro de 2023 8:24 pmEm vez de vitória eu vejo erro/derrota/submissão/vergonha etc… Não foi um passo atrás….foram milhas e milhas….BR sentado em colo americano…. goodbye Brics!!!
J. Fernandes
24 de fevereiro de 2023 8:27 pmQue diferença entre o Lula que teve peito e bateu de frente com a ALCA (que os EUA tentaram a todo custo enfiar goela abaixo) no primeiro mandato, e o Lula atual (submisso aos ianques)….
J. Fernandes
24 de fevereiro de 2023 8:29 pmO que esperar do Amorim “amiguinho” de Blinken (loool) e do Vieira (tucano)!!!?? Nada!!!
Carlos Lima
24 de fevereiro de 2023 8:55 pmNassif, vocês estão dando é dó, que vitória foi essa que você viu, com todo respeito. O LULA, é um traidor, só se for vitória de PIRRO. Esfacelou a verdadeira base do PT e selou o fim do partido por dentro. Nassif estude só um pouco o que aconteceu na sede do sindicato em ODESSA na Ucrânia, o exército AZOV, a mando de Zelansk queimou mais de 198 pessoas entre homens, mulheres grávidas e crianças e os praticantes dessas atrocidades, foram condecorados pelo Zelansk. Infelizmente o jornalismo brasileiro é de manada, não tem erudição de história, o LULA para mim é um traidor
Luiz Mattos
24 de fevereiro de 2023 10:10 pmQue bobagem, Lula coloca o Brasil de joelhos para os EUA e OTAN envergonhando a todos ,uma vergonha mesma essa submissão e um tapa na cara dos BRICS,nada ganhou com isso só perdeu inclusive o respeito de muitos que o elegeram
Luiz Mattos
24 de fevereiro de 2023 10:11 pmLULA MOSTROU QUE TEM LADO . O LADO DOS QUE NOS GOLPEIAM
Paulo Diniz d'Avila
24 de fevereiro de 2023 10:16 pmCreio que o Nassif não leu o artigo do Fiori!
Edson J
24 de fevereiro de 2023 10:41 pmQue saudade da política externa altiva dos primeiros governos Lula. Não adianta, agora, tergiversar. O Brasil se rendeu às pressões dos que provocaram a guerra e a alimentam, contando com a participação do governo da Ucrânia, que oferece a vida de seu povo para satisfação de interesses da indústria bélica. Não se trata, claro, de apoiar a Rússia. Mas responsabilizá-la, sozinha, pela guerra dos outros contra ela significou, além da óbvia rendição, o rompimento com os Brics, que sabiamente se abstiveram e a renúncia à mediação, tão almejada por Lula. A posição do chanceler russo foi anterior à assinatura. Vejamos doravante qual será.
Francisco Santos
24 de fevereiro de 2023 10:41 pmHá uma propensão ao encerramento da guerra mas não do conflito. A guerra encerra-se e ficam as duas fileiras da russia e otan se vigiando em fronteiras, mas a guerra é lucrativa, principalmente aos Eua e aos alemães, em que pese o dinheiro da população ser usado pra promover uma guerra comercial , como todas são, o que importa é o dinheiro
Jose
25 de fevereiro de 2023 12:55 amExistem duas narrativas para o conflito: A ocidental que acusa a Rússia de invadir um país soberano ao arrepio da lei internacional pois não foi aprovada pela ONU, o que é verdade, como um renascimento do imperialismo russo liderado por Putin,o que não temos certeza ser verdade justamente pela narrativa russa, que justifica sua operação militar para garantir sua segurança e não permitir que a otan chegue às suas fronteiras, o que é verdade, e também para proteger os cidadãos ucranianos de nacionalidade russa perseguidos pelo regime de Kiev, o que também não sabemos se é totalmente verdade, embora a postura anti-russa seja real. O fato é que diante destas duas narrativas o Brasil apoiou uma resolução que claramente defende apenas um ponto de vista e não leva em consideração a segunda narrativa, que é a posição russa, pois nada fala sobre a expansão da otan. Neste caso não vejo neutralidade nenhuma aí, pelo contrário, o lado russo foi abandonado com todas as suas consequências.
Para retornar à neutralidade e se colocar como mediador, se é que é possível, terá que exigir como contrapartida de segurança a retirada da otan e seu recuo para as fronteiras de 1997 a partir de agora, bem como a neutralidade da ucraniana em relação ao bloco. A frança propôs hoje garantir que a Ucrânia fique de fora da aliança mas mantendo a cláusula 5 como forma de segurança, que garante o envolvimento do bloco caso a Ucrânia seja atacada novamente no futuro pela Rússia. A questão é quem vai garantir que a Ucrânia vai respeitar o acordo e não vai provocar a Rússia como fez durante as várias violações dos acordos de Minsk? Aliás, seria uma boa forma de buscar revanche, provocar um ataque russo e trazer a otan para a guerra. Portanto a questão passa a ser: quem pode garantir que isso não aconteça? Acredito que apenas uma coalizão de países neutros lideradas pela ONU em missão de paz para controlar a fronteira possa ajudar, mas talvez não resolver.
Por fim, o imbroglio sobre os territórios conquistados e a vontade do povo de língua russa deixar de fazer parte da ucraniana, que acredito nenhum dos dois lado vão querer abrir mão. Quem sabe o caminho seja mesmo a independência destes territórios, ou mesmo sua federalização como proposto pelos malfadados acordos de Minsk…
Acho que o caminho é por aí, mas não sei se o Brasil terá condições de ajudar a partir de agora, a menos que defenda TB um a solução que leve em conta as preocupações russas.
Nabuco do nossô
25 de fevereiro de 2023 7:07 amMuita gente nos comentários abaixo e acima ao ser assaltado na rua a mão armada reagiria e protestaria pois se render e entregar seria uma covardia. Jamais entregariam os anéis, simples assim.
O Azenha aponta que não temos saída marítima no Pacífico, mas nem desenhando isso ganha importância para os “corajosos”. Até a Rússia compreende a posição do Brasil na Assembléia da ONU, e considera nosso voto uma manobra. Deus nos deu duas pernas, a esquerda e a direita, para quê? Seria para nos equilibrar e caminhar?
Lula deu um passo atrás e dará dois adiante? Na 2GM os EUA tinham plano de invadir o nordeste do Brasil para controlar o Atlântico. Às vesperas da 3GM precisamos vencer a Cordilheira dos Andes. Lula 3 não consegue demitir o BC e consumar a isenção de 5SM prometida nem trocar Mucio na Defesa nem mobilizar a classe trabalhadora a contento e devemos ter paciência.
A virtude necessária que Lênin falava aos revolucionários…
Luiz Mattos
25 de fevereiro de 2023 7:30 amQuem deseja a PAZ não deveria vender tanques de guerra ou será hipocrisia,o voto na ONU foi uma vergonhosa escolha de lado sim, Lula calçou os sapatos da Ucrania submetendo-se aos EUA e OTAN
Ricardo Fonseca Rabelo
25 de fevereiro de 2023 10:06 amAinda sobre os artigos de Nassif e Fiori sobre a Guerra OTAN/Rússia
A prova dos 9 virá se o Lula aceitar o convite de Zelenski e visitar a Ucrânia. E os resultados da possível viagem à China.A indicação da Dilma Roussef para presidir o Banco dos Brics, se for confirmada, será também um bom indicador.Ja tivemos várias indicações de pessoas de esquerda que acabam não assumindo o cargo para o qual teria sido indicado. O último caso foi da Rosilene, do MST , que não vai mais assumir a presidência do INCRA. No geral, no governo Lula , a direita está ganhando de goleada e os discursos do Lula podem acabar se revelando apenas bravata…
Eliseu Leão
25 de fevereiro de 2023 2:04 pmCarissimo Nassif,
não se deixe enganar pelas manobras do Amorim vaidoso e mentiroso ao serviço do Itamaraty. Vai ao site – Luogocomune.net e assista o video – Ucraina 2023 un anno di bugie
AMBAR
25 de fevereiro de 2023 4:15 pmPois é, a diplomacia brasileira, parece, resvala pelo perigoso caminho da galhofa.
WWagner Indigo
26 de fevereiro de 2023 8:16 amPois bem , depois deste ” gol” , temos certeza que Dilma será Presidente do Banco , ou será apenas um enfeite e olhada pela ” nuca” à toda decisão que tomar ? Acham mesmo que Lula sendo do Bric´s , EUA/ OTAN deixarão Lula ser protagonista , retirando deles o protagonismo da Paz ?
Pago prá ver !!!
Caminho Suave
26 de fevereiro de 2023 10:09 amConsidero que para o Brasil interessa mais adiar o início do conflito mundial, ou 3GM. Temos problemas em comandar nossas FFAA que se acham superiores ao poder civil, não? Então pensem em ter que se posicionar numa 3GM com militares assim.
A máquina industrial dos americanos eliminará sua capacidade ociosa em breve para tentar compensar com quantidade, a superioridade do arsenal russo.
Mesmo Vargas que tinha uma posição mais confortável que Lula 3, teve que enviar 40 mil pracinhas nos inverno europeu.
A América está dividida politicamente e bate cabeça todo dia. Biden é um governo fraco e se equilibra internamente. Não sabemos ainda se a visita à China trará investimentos para nossa reindustrializacao, necessária para reverter o desemprego nas cidades, base lulista que deu a vitória por pouco mais de 1 por cento dos votos. Ou esqueceram disso?
Se China continuar a encomendar apenas produtos primários do Brasil, fortalecendo o agro, de que adianta os BRICS?
No xadrez, algumas peças se movem para trás, recuam também. O Brasil não é um peão nesse tabuleiro.
Celso P. Pimenta
26 de fevereiro de 2023 10:57 amVitória?
WWagner Indigo
26 de fevereiro de 2023 1:30 pmVou mais longe , infelizmente.
Depois deste chute de ” canela” , Lula não apita mais !!! Foi um voto de cabresto e com esporas . Encurralou-se , dentro pelo Centrão , fora pelos Estados Unidos .
Sabotagem ou burrice mesmo ?
Sempre me preocupei com os ” inimigos intimos ” !!!
Celso P. Pimenta
27 de fevereiro de 2023 9:17 amVitória?
Cícero Floresta
27 de fevereiro de 2023 2:46 pmEntendo que o Brasil, com o voto, entra de vez nas negociações, assume um papel importante e ao mesmo tempo perigoso. O Brasil tem tamanho pra tal? Acho que sim, a diplomacia brasileira sabe qual o tamanho do problema, temos que ousar, afinal o governo Lula II já mostrou que sabe lidar com questões de grande complexidade nas relações internacionais, e em conflitos.