6 de junho de 2026

No capitalismo não ficamos ricos trabalhando, por Saulo Barbosa

Tudo bem, há pessoas que tiveram ideias geniais e enricaram, mas aí é exceção. O problema destas exceções é que buscam transformá-las em regra

No capitalismo não ficamos ricos trabalhando

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por Saulo Barbosa Santiago dos Santos

Apropriação e acúmulo de riqueza se dão por duas maneiras: a primeira é aquela legalmente aceita e a segunda por atividades ilegais, não há uma terceira via para isso no capitalismo. É comum ouvirmos que a pessoa enriquece com muito trabalho, dedicação e mérito. O capitalismo divide a sociedade em classes distintas, os que detém a hegemonia econômica que acumula capital moldando as bases sociais e intelectuais, e os trabalhadores. Uma vez que você seja trabalhador, só por um milagre deixará de ser, não importa se ganha R$ 20 mil ou que sua empresa gere R$ 2 milhões por ano, no final das contas, será um trabalhador, com ou sem CNPJ, que está muito mais perto da classe pobre ou média e a milhares de quilômetros da classe rica, desta forma, o objetivo deste texto é demonstrar a falácia da pessoa que fica rica trabalhando sem privilégios dentro de uma sociedade capitalista.

A regra é que ninguém fica rico trabalhando ou estudando. Ou você herda riqueza e privilégios ou se adquire com atividades ilegais. Tudo bem, há pessoas que tiveram ideias geniais e enricaram, mas aí é exceção. O problema destas exceções é que buscam transformá-las em regra, como se ficar rico fosse uma questão de escolha e que qualquer um pudesse ser, bastando somente querer. Fico pensando no cara pobre, que quer ser rico, vai até um prédio e diz no balcão o desejo, como um passe de mágica, ele sai do prédio bem vestido com uma limosine a sua espera. Muitos coachs da vida diz que é “preciso trabalhar enquanto outros dormem”, talvez o padeiro da sua esquina trema quando ouve isso. Vestir a camisa da empresa? Em outras palavras, está dizendo para trabalhar mais sem receber por isso e a empregadora somará mais riqueza através do seu suor para comprar aquele sapatinho maravilhoso de R$ 20 mil porque está estressada. Ninguém quer ser pobre ou muito menos escolhe pobreza, pode até fazer voto de pobreza, mas todos querem ter acesso à educação, alimentação, residência, segurança, saúde, sem dinheiro, não temos liberdade para tais coisas.

Os defensores do capitalismo, muitas vezes pífios pobres de direita, buscam grandes nomes para afirmar a eficácia do sistema, vão logo para Jeff Bezos ou Ellon Musk, dependendo da regiam variam os nomes, mas a ideia é igual para todos, nenhum deles ficou rico por trabalho ou merecimento, aliás, a ideia de meritocracia por si só é uma farsa. Só respondendo, Bezzos foi aluno da universidade de Princeton, a anuidade mais barata desta universidade custa R$ 300 mil e quando concluiu os estudos, tinha quase R$ 1 milhão na conta para iniciar seus negócios. Musk não começou do nada, seus pais exploravam minério em terras africanas e com o dinheiro deles saiu comprando ideias dos outros a preço de banana até alguma dá certo, a tecnologia do tesla nem de longe é dele, do twitter muito menos.

Como todos começam de algum lugar, de onde estes bilionários surgiram? De algum ponto privilegiado com um longo processo histórico de acumulação e apropriação de riqueza explorando trabalhadores. Quem não conhece alguém que trabalha num shopping ganhando salário mínimo e por dia vende mais de R$ 25 mil. Se você acha normal, infelizmente já naturalizou a desgraça e isso é um problema. Acredita que juntar dinheiro vai enricar? Mesmo que não seja a realidade do trabalhador classe média, se você passar 11 anos guardando R$ 100 na poupança, só terá no final R$ 83 em juros.

Podemos concluir que, no capitalismo, embora haja exceções, não há formas legais para enriquecer sozinho, mesmo que trabalhe muito, exceto, se for herdeiro de família rica e possua privilégios da classe dominante, não se esqueça que casar com alguém rico também é herdar riqueza e privilégios. Quanto mais você trabalha, mais “trocados” você recebe, mais doença adquire e mais riqueza gera para os outros, mesmo quando trabalhe para si. Lute para que sua carga horária de trabalho diminua sem perda de salário, muitos países europeu conseguiram isso e aqui no Brasil não pode ser diferente. Sua vida, família e saúde é mais importante que o lucro das empresas e seu cargo, o trabalho é inerente ao ser humano, mas não vivemos em modo de sobrevivência o tempo todo, chega o momento que o corpo falha.


Saulo Barbosa Santiago dos Santos – Filósofo, guarda civil e autista

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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1 Comentário
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  1. Nathaniel

    13 de março de 2023 11:07 am

    O texto precisa de uma forte revisão…

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