24 de junho de 2026

Crise bancária dos EUA está apenas começando, diz pesquisador

Falências de bancos afetaram confiança e expuseram alguns dos principais problemas do sistema financeiro norte-americano
Foto: Alexander Grey via Unsplash

As recentes falências de bancos nos Estados Unidos deixaram à mostra alguns dos principais problemas do sistema financeiro norte-americano, e a possibilidade de que novas quebras ocorram nos próximos meses não está descartada.

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“Medidas de emergência do Federal Reserve e do Tesouro dos EUA foram necessárias para interromper várias corridas bancárias em andamento que ameaçavam a solvência de dezenas de instituições”, lembra o pesquisador econômico Eric Basmajian, em artigo publicado no site EPB Research.

Ao resumir a atuação de um banco, Basmajian lembra que um banco ganha dinheiro e se torna lucrativo quando ganha mais juros sobre os títulos e empréstimos do que paga em juros, mas perderão recursos se tiverem de pagar mais juros sobre seus depósitos do que ganham em juros, ou se os empréstimos que fizeram forem ruins.

Após a crise bancária de 2008 e a regulamentação que atingiu os grandes bancos, as instituições de menor porte passaram a responder por uma quantidade maior de empréstimos e depósitos.

“Pequenos bancos assumiram todos os empréstimos arriscados, incluindo edifícios de escritórios e lojas de varejo especificamente. Esses ativos foram permanentemente prejudicados, mas o setor bancário ainda não percebeu as perdas”, afirma o economista.

Recuperação de ativos quase nula

Com a possibilidade de recuperação desses ativos quase nula, a fuga de depósitos poderia forçar a descoberta dos preços para esses ativos depreciados e revelar o problema real do setor bancário norte-americano: uma onda de centenas de bilhões de dólares em perdas potenciais de ativos depreciados.

“Esses eventos recentes, mas mais importante, a lacuna estrutural entre as taxas de depósito e as taxas dos títulos do Tesouro causarão uma saída sustentada de depósitos, particularmente em bancos menores que têm carteiras de empréstimos questionáveis e não têm o suporte de segurança de serem grandes demais para falir”, alerta o pesquisador.

Conforme os bancos menores deixam de emprestar dinheiro, as empresas que dependem do aumento do crédito (em especial o setor imobiliário) podem enfrentar um aperto de capital que pode derrubar os preços dos ativos imobiliários comerciais.

Embora não exista a garantia de que a situação evolua para tal patamar, Eric Basmajian ressalta que só os imóveis comerciais deixaram todo o sistema bancário com um patrimônio ínfimo e, após o resgate realizado em 2008, uma nova operação de resgate do contribuinte não seria bem vista.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    3 de abril de 2023 9:55 am

    Hoje a Folha comemorou o aumento dos juros nos EUA e aconselhou os tolos endinheirados a investir naquele país. Os Bancos norte-americanos estão todos inadimplentes (Nouriel Roubini). O colapso total da economia financeirizada dos EUA é previsivel. Quando isso ocorrer os endinheirados que investirem nos EUA sofrerão prejuízos cataclismicos.

    Mas a Folha continua elogiando o esquema Ponzi criado e operado pelos gringos espertalhões como se fosse aconselhável correr riscos desnecessários investindo nos EUA. Quando alguém que perdeu a fortuna processar a Folha porque seguiu os conselhos idiotas dos jornazistas econômicos qual será a defesa do jornal? A Folha culpará seu “caneta” ou dirá que não recebeu jabá dos gringos para aconselhar os tolos a investir num mercado financeiro que está afundando?

  2. Antonio Uchoa Neto

    3 de abril de 2023 11:41 am

    E desde quando os capitalistas e rentistas estão preocupados que as manobras de governos para livrá-los da quebradeira não sejam bem vistas? Desde quando eles ligam para isso? Estão andando e andando para o restante da humanidade, Nassif. Já andam e andam para os otários que os enriquecem, imagine em relação a imensa maioria da humanidade que não tem um mísero tostão para investir, e de cujos bolsos saem essas ajudas humanitárias. Aplicar, melhor dizendo. O pequeno investidor, ou devedor, é que morre de medo e vergonha de ver seu nome sujo na praça. Eles não se preocupam com isso. Pobre é que tem vergonha quando sua dívida é perdoada, se é que isso algum dia aconteceu nesse mundo. Os outros não estão nem aí, desde que tudo permaneça do mesmo jeito, e eles possam continuar a enriquecer.

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