10 de junho de 2026

Confira os julgamentos mais marcantes de Ricardo Lewandowski

O ministro Ricardo Lewandowski se aposenta nesta terça-feira do STF. Confira a cronologia dos julgamentos mais marcantes
Foto: SCO – STF

Ricardo Lewandowski se aposenta oficialmente hoje do Supremo Tribunal Federal (STF), completando 17 anos de carreira na Suprema Corte.

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Desde que foi nomeado, em 2006, pelo presidente Lula, Lewandowski percorreu uma trajetória marcada pela atenção aos direitos constitucionais e dos mais vulneráveis, às garantias constitucionais e sensibilidade de interpretações.

Nos últimos anos, ele foi decisivo em julgamentos polêmicos e de grande impacto, como o Mensalão e a Lava Jato. Abaixo, listamos algumas decisões marcantes do ministro Ricardo Lewandowski:

Sob sua relatoria, o Supremo garantiu a manutenção de cotas raciais e sociais em universidades públicas, em 2012.

Foi o responsável por transformar, em 2018, a prisão preventiva de mulheres gestantes e puérperas em prisão domiciliar. Também de mães de crianças de até 12 anos e responsáveis por pessoas com deficiência.

Durante a pandemia, contra as vontades do então presidente Jair Bolsonaro, permitiu que os estados e municípios comprassem e distribuissem vacinas contra a Covid-19 e que a imunização se tornasse compulsória.

Também relatou recurso na Suprema Corte que proibiu a prática de nepotismo, de contratação de parentes de autoridades para cargos públicos, em 2008.

Lewandowski foi também decisivo em dois grandes e polêmicos julgamentos do STF: o mensalão e a Lava Jato. No primeiro, ficou conhecido como o “revisor”, por apresentar os principais votos de contraponto ao então relator das condenações, o ministro Joaquim Barbosa.

Na Ação Penal 470 (conhecida como mensalão), Lewandowski decretou a inocência do ex-ministro José Dirceu e de José Genoino (PT), por constatar que não haviam provas suficientes de crime, mas teve seu voto vencido pela maioria da Corte. Naquele julgamento, conseguiu tirar a condenação de formação de quadrilha de Dirceu.

Em outros 90 julgamentos do mensalão, foi o seu voto que foi aceito pela maioria dos ministros da Corte, como a absolvição de Marcos Valério de quadrilha e de João Paulo Cunha de lavagem de dinheiro.

Em balanço feito à época pelo Conjur, enquanto Joaquim Barbosa defendeu a condenação de 84% dos réus do STF no mensalão, Lewandowski constatou o crime em somente 37%: decisivo para equilibrar as condenações finais do Supremo, que totalizaram 57% dos casos.

Na Lava Jato, Ricardo Lewandowski foi um dos votos decisivos para confirmar Sergio Moro suspeito e parcial na condução dos processos da Vara Federal de Curitiba na condenação de Lula, em 2021, devolvendo ao atual presidente a garantia de inocência e o direito de se candidatar.

Ainda durante a prisão de Lula, em 2018, o ministro foi quem permitiu o então ex-presidente de conceder entrevistas, mesmo detido.

Também no andamento da Lava Jato, Lewandowski assegurou à defesa de Lula o direito de ter acesso às conversas entre procuradores a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, em meio à VazaJato, e decidiu que o acordo de leniência da Odebrecht contra Lula era inválido.

Na véspera de deixar a Corte, o ministro manteve a postura garantista frente os processos da Lava Jato e persistiu que as acusações contra o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, desfiladas pelo advogado Tacla Duran, permanecem na alçada da Suprema Corte.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    11 de abril de 2023 3:14 pm

    Ah Lewa, se todos fossem iguais a você…

  2. Mário Mendonça

    12 de abril de 2023 11:14 am

    E o mais terrível e inesquecível, presidiu o golpe contra uma presidente inocente!

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