Um novo tempo
por Izaías Almada
Após um mês de férias e de exames médicos, pois sofro daquele mal comum a todos nós, o envelhecimento, aqui estou de volta, tentando entender o Brasil e o mundo.
E posso garantir que nessa tentativa (ainda) não estou ficando louco, embora não faltem fatos e acontecimentos para isso.
O Brasil da reconstrução entrou no seu quarto mês, cujo primeiro dia é chamado de “o dia da mentira”.
Mês em que no ano de 1792, o alferes José Joaquim da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, foi enforcado na cidade do Rio de Janeiro, após a denúncia de alguns traidores, sendo Joaquim Silvério dos Reis o mais conhecido deles.
Empresários, donos de terras e comerciantes endividados denunciaram à Coroa Portuguesa (Os Estados Unidos da América ainda estavam em formação) o movimento de sedição em Minas Gerais, onde a prisão e a tortura se fizeram presentes.
Uma simples e parcial coincidência histórica com os dias atuais, sem a “patriótica” operação Lava-Jato, é claro.
Os traidores da pátria hoje são outros.
Homens honrados, como diria Shakespeare em sua peça “Julio Cesar”… Também empresários, donos de terras, comerciantes e alguns advogados e juristas de renome.
Nesse clima de euforia para muitos brasileiros, mas cercados de fascistas por todos os lados, o presidente Lula visitou a China de Xi Jiping e o mundo pode assistir a uma belíssima solenidade de confraternização entre dois grandes países do mundo atual, mas ainda com algumas dificuldades a resolver, se o capitalismo neoliberal e selvagem ainda encontrar forças para atrapalhar.
E na sua caminhada sobre um tapete vermelho, onde crianças acenavam bandeiras, Xi Jiping e Lula iam ouvindo a linda canção de Ivan Lins, cujos versos podem ser ouvidos e entendidos na canção mostrada abaixo.
Natural que Ivan Lins se emocionasse e o Brasil democrático também.
Infelizmente há uma pergunta que não quer calar: será mesmo um novo tempo para o Brasil? Todo cuidado é pouco…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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