5 de junho de 2026

Da podridão que emana da Lava Jato até hoje na sociedade brasileira, por Eduardo Ramos

A podridão de que trata o título desse artigo, que afirmamos ter contaminado a sociedade brasileira, tem muitas faces.
AFP

Da podridão que emana da Lava Jato até hoje na sociedade brasileira

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por Eduardo Ramos

Esse artigo foi pensado/sentido no exato momento em que li o texto histórico do Nassif no GGN, “Lava Jato, o mais degradante episódio da história da mídia nacional”. Porque alguns eventos ou processos sociais têm esse poder, essa capacidade: tragicamente, tornam-se um marco, um símbolo, um auge, do que aquele grupo social pôde produzir de pior, de mais vergonhoso e pútrido em sua existência. E, nesse aspecto, dificilmente algo poderá, no futuro, disputar com a Lava Jato e o governo Bolsonaro esse título de grandes campeãs de malignidade e depravação moral: a Lava Jato e o bolsonarismo.

Se em seu artigo Nassif colocou no centro das atenções o papel da mídia, com toda a razão, diga-se, neste eu me recordei ao elaborá-lo em minha mente, do quanto, na verdade, a Lava Jato não foi só um processo político (por motivos óbvios), jurídico (por todas as ações e omissões sórdidas e covardes do Judiciário e MPF), midiático (nem vou comentar, de tão explicado por gente melhor do que eu na área…) mas, também, um processo SOCIAL, onde uma grande maioria das pessoas de todas as classes sociais não só comprou as ideias/ideologias e razões preconizadas no “movimento Lava Jato”, ou “onda Lava Jato”, pior que isso, muito pior, SE DEIXARAM MODIFICAR NA SUA EDUCAÇÃO, CIVILIDADE, VALORES, PRINCÍPIOS DE VIDA, para abraçarem sentimentos de nojo, ódio, fanatismos diversos, que jamais haviam permeado nossa sociedade como ocorreu naquele período – superado logo depois em intensidade e insanidade, é verdade, pelo que hoje conhecemos como “bolsonarismo”.

Mas esse segundo processo social, além de ser “filho” e “fruto” DIRETO da Lava Jato, não pode nos fazer esquecer toda a podridão a nós trazida por Globo, Veja, Folha e assemelhados, Janot, Moro, desembargadores do TRF4 e os procuradores da Lava Jato e sua arrogância doentia, suas mentes tornadas sádicas, enfermas, psicóticas em sonhos de uma grandeza pessoal que jamais pensaram para si e que se mostrou devastadora em suas humanidades, ética, civilidade e até mesmo sanidade, tamanhas as distorções neles percebidas através do que revelaram – para sua vergonha eterna! – as gravações do Vaza Jato.

A podridão de que trata o título desse artigo, que afirmamos ter contaminado a sociedade brasileira, tem muitas faces. Todas elas perversas, um legado maldito de selvagerias pessoais e sociais que, infelizmente, ainda inoculam nossa nação, nosso povo, não é sem motivo que pessoas como Nikolas Ferreira, Zaira Zambelli, Damares, e seus assemelhados, tantos deles, tenham se elegido com o número de votos que conseguiram. Não é sem motivos que São Paulo preferiu Tarcísio à Haddad… Regressões animalescas que nos colocam num nível próximo ao dos primatas, um vexame sem precedentes, cidadãos de países mais bem educados, se conhecessem a fundo esses deputados, senadores, governadores, sentiriam por nós o pior dos sentimentos: um misto de vergonha, horror, compaixão e espanto! TODAS AS REGRESSÕES, TODA A CATATONIA, TODA A DESEDUCAÇÃO, INCIVILIDADE, FANATISMOS, FALTA DE COGNIÇÃO COM A REALIDADE E OS OUTROS MALES EM NÓS PRESENTES, se não inoculados diretamente por esse processo nojento e maldito, a Lava Jato, dele derivam, como os troncos da árvore.

Num assomo de sinceridade, a sra. Rosângela Moro disse certa vez: “Meu marido e o governo Bolsonaro são uma coisa só!”

Não foi só uma afirmação orgulhosa, voluntariosa, vinda da alma. Talvez sem perceber, Rosângela disse uma verdade mais profunda do que podemos perceber a princípio na frase simples: Moro e Bolsonaro são um, TANTO QUANTO O LAVAJATISMO E O BOLSONARISMO SÃO UM! Na essência do mal, das perversidades, no uso das mentiras e distorções da verdade como armas constantes e permanentes, na forma maligna com que criam zumbis fanatizados, nos nojos e ódios que semeiam nas mentes e corações de seus súditos-soldados. É uma doença, uma praga, e como tal ambos devem ser combatidos com todas as nossas forças.

O antídoto? Os de sempre, vistos na história universal nesses casos: ações vigorosas de reconstrução da democracia, da civilidade, dos princípios de vida que nos humanizam, e investimentos MASSACRANTES em Educação, Educação, Educação….

Que a cassação de Dallagnol seja apenas o início, que venham todas as ações necessárias para o fim abjeto que merecem, lavajatismo e bolsonarismo, os ovos de serpente que cegos insensatos permitiram crescer no nosso meio.

Que venham os tempos de civilidade, humanismo e paz!

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

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  1. José Carvalho

    22 de maio de 2023 3:44 pm

    A separação existente dentro da sociedade brasileira, essa sociedade de castas que deixa bem definido o papel e as chances que cada grupo social possui tem seu melhor retrato exemplificado pela operação Lava Jato. Foi baseada nesses usos e costumes bastante típicos nas relações dessas partes da sociedade, em que parâmetros éticos ou morais jamais tiveram qualquer sentido, que a Lava Jato simplesmente pôs de lado aquilo que teoricamente deveriam ser as conformações jurídicas e legais do País. Se utilizando do espaço e das esferas públicas para intimidar uns e perseguir outros, sob os olhares complacentes de toda a Justiça. Um lugar onde a violação ou o respeito das normas não tem o mesmo efeito ou consequências, dependendo de quem for o infrator. O patrimonialismo que assola o Estado brasileiro, tomou o poder causando um desmanche na democracia, deixando o voto como única participação e representação aos restantes da sociedade. Quem representa de fato alguma coisa nos Poderes republicanos. Civilizatóriamente o Brasil permanece na idade média. O problema da Lava Jato foi o exagero na sua própria falta de limítes, quiseram se apropriar do País. Quebrar essa malignidade de uma sociedade de castas que atrasa e causa contínuo retrocesso ao Brasil é algo necessário para por fim a toda essa podridão.

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