O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na disputa eleitoral deste ano. O anúncio foi feito em coletiva na sede do PL, em Brasília, com Flávio cercado por nomes que também chegaram a ser cotados para a vaga, como Tereza Cristina (PP-MS), Bia Kicis (PL-DF), Daniella Marques (Republicanos) e o coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN).
Segundo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a escolha já havia sido combinada entre Flávio e Marinho havia cerca de seis meses, mantida em sigilo até a definição oficial.
Ao anunciar o nome, Flávio destacou a trajetória de Gaspar na segurança pública, sua passagem pelo Ministério Público e a atuação como relator da CPMI do INSS, citando também a defesa que o deputado fez dos aposentados na comissão e sua ligação com o Nordeste.
Em seu discurso, Gaspar agradeceu a confiança de Flávio, definiu-se como alguém de origem simples e nordestina e prometeu lealdade ao projeto político, afirmando que caminhará ao lado do candidato “de cabeça erguida” para tentar mudar o país. Ele também lembrou o pai já falecido e mencionou Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar.
Chapa pura
A formação da chapa só com nomes do PL é resultado do fracasso das negociações de Flávio com outros partidos de centro-direita. Legendas como Republicanos, União Brasil e PP optaram pela neutralidade na disputa presidencial e não formalizaram coligação, ainda que lideranças isoladas dessas siglas, caso de Marcos Pereira (Republicanos) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tenham sinalizado apoio pessoal a Flávio.
Nomes femininos chegaram a ser avaliados para a vice-presidência, movimento pensado para atrair o eleitorado feminino, maioria do total de eleitores do país. Tereza Cristina e Daniella Marques discursaram no evento em apoio a Flávio, mas ambas foram descartadas depois que seus partidos decidiram não integrar formalmente a chapa. Tereza Cristina afirmou que o voto feminino se baseia em valores, não apenas no gênero do candidato a vice.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não esteve no evento, assim como não participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio. A ausência foi justificada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que disse que Michelle está cuidando de Jair Bolsonaro. Segundo Damares, a relação entre Michelle e Flávio segue boa.
Alfredo Gaspar
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto tem 55 anos, é natural de Maceió (AL) e formado em Direito, com pós-graduação em Direito Público. Assumiu o primeiro mandato como deputado federal em 2023, eleito pelo União Brasil por Alagoas, migrando depois para o PL.
Antes da política, construiu carreira no sistema de Justiça e segurança pública: foi promotor de Justiça em Alagoas por mais de duas décadas, chefiou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas e chegou a procurador-geral de Justiça do estado. Também comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos (2015-2016 e 2021-2022) e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, vinculado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais.
Na Câmara, já passou pelas comissões de Constituição e Justiça, de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, além de colegiados sobre Direito Digital e Inteligência Artificial. Coordenou a comissão externa que acompanha o colapso do solo em bairros de Maceió e integrou CPIs como a das Pirâmides Financeiras e a do MST.
Seu momento de maior projeção nacional veio como relator da CPMI do INSS, criada para investigar desvios bilionários em aposentadorias e pensões. Ele assumiu a relatoria após a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) para presidir a comissão, resultado que contrariou as indicações articuladas pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, e afastou o nome inicialmente combinado, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), próximo a Motta.
No relatório final, Gaspar propôs o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre parlamentares, ex-ministros, dirigentes estatais e Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Lula. O texto acabou rejeitado por 19 votos a 12, e a CPMI foi encerrada sem relatório aprovado. Lulinha, vale lembrar, responde a três inquéritos no STF por suspeitas não relacionadas diretamente ao caso do INSS.
*Com informações do g1 e da CNN.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário