O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Türk, se manifestou nesta terça-feira (24) sobre os ataques racistas contra o jogador de futebol brasileiro Vinicius Júnior, atacante do Real Madrid, durante um jogo em Valência, pelo Campeonato Espanhol.
Segundo Türk, o episódio é um “lembrete gritante” do racismo existente no meio esportivo e, por isso, as organizações esportivas devem estabelecer mais estratégias que possam prevenir e combater, de fato, a discriminação racial no esporte.
“O abuso sofrido contra Vinicius Jr. é um alerta claro da prevalência do racismo no esporte“, disse. “Peço que os organizadores tenham estratégias para prevenir e conter o racismo (…) Muito mais precisa ser feito para erradicar discriminação racial e isso precisa começar por ouvir os afrodescendentes, envolvendo eles significativamente e tomando passos genuínos para agir sobre suas preocupações”, afirmou.
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Para Türk, as autoridades espanholas estão dando uma resposta ao caso Vini Jr., com prisões que ocorreram ontem (23). Mas os órgãos esportivos, como a Federação Internacional de Futebol (Fifa), também precisam se movimentar sobre as questão de direitos humanos.
“Vai exigir que todos estejam implicados. É um assunto de toda a sociedade. Precisamos das autoridades, mas houve de fato uma reação forte por parte das autoridades (espanholas), que iniciaram detenções. Mas também exige que aqueles que organizam o esporte assumam esse tema de forma séria. Estamos apelando para que todos os organismos que organizam o esporte que contenham, combatam e façam uma prevenção ao racismo. Eles precisam fazer isso de forma séria e com a determinação que é exigida“, disse.
Em meio a diversos casos de racismo no esporte, a ONU ainda indicou que irá criar um informe e um guia para que as federações possam ter acesso.
“Vimos o que ocorreu na Copa e pedi ao escritório para preparar um informe“, explicou. “Quero criar um guia para federações sobre padrões de direitos humanos. Esporte reúne as pessoas e é positivo. Mas também precisam lidar com as áreas de sombras“, alertou.
Türk ainda ressaltou que grande lição é que “combater o racismo exige uma resposta de toda a sociedade. Todos precisam se perguntar: eu sou tendencioso? Eu tomo cuidado com minhas palavras? O que está acontecendo? Como eu reajo quando vejo alguém está abusando de outro de forma racista? Eu respondo? Eu encontro caminho para dizer que isso não é mais aceitável no século 21? Temos de superar isso”, completou.
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Célio Knipel Moreira
24 de maio de 2023 7:05 pmAlto lá! Aqui na arena corintians em Itaquera, ou Itaquerão, a torcida corintiana ficou entoando baixarias ofensivas e homofóbicas de tal sorte que a partida (Corintians e São Paulo) ficou interrompida por oito minutos. E isso não teve a menor repercussão na nossa imprensa. Mesmo sabendo-se que o crime de homofobia é equiparado ao de racismo pelo STF.
Ningém foi preso (pelo menos, que eu saiba). Além disso, a imprensa parece estar morta. Parece que para nós, brasileiros, o problema também não somos nós, são os outros, são os estrangeiros.Parece que somos um bando de trumpistas-bolsonaristas. Ficamos chocados com meia duzia de gatos pingados ofendendo um jogador de futebol brasileiro e fechamos os olhos e ouvidos a mais de mil corintianos homofóbicos contando hinos homofóbicos que levaram o árbitro a paralisar a partida por oito minutos e isso ocorreu bem debaixo de nossos narizes.
Sem nenhum pedido de desculpas, sem nenhuma manifestação do corintiano que nos governa e sem mais nada.
Tempos sombrios.