5 de junho de 2026

A corrupção salvará o capitalismo?, por Izaías Almada

Os processos abertos para investigar o 08 de janeiro vão mostrando quem e o que estava por trás da invasão da Praça dos Três Poderes.
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A corrupção salvará o capitalismo?

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por Izaías Almada

         Infelizmente a corrupção faz parte do DNA brasileiro desde as bugigangas cabralinas e da instituição das capitanias hereditárias.

         Quem se preocupa em conhecer o seu país nos diversos ramos de atividade e do saber, bem como de suas instituições nos poderes executivo, legislativo e judiciário, é capaz também de avaliar como estamos nos formando como nação.

         É inegável, entretanto, no atual momento político em que vive o país, ressaltar a coragem, a força e a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontrar soluções para os desastres do neoliberalismo caboclo, da irresponsabilidade do governo bolsonarista, dos desarranjos institucionais e da violência e do ódio provocados por inúmeros exemplos nos anos de 2016 a 2022  e pelo nosso fascismo caipira.

         O presidente Lula nos faz lembrar, com todas as viagens e encontros com autoridades dos mais diversos países pelo mundo, o imortal personagem de Miguel de Cervantes: Dom Quixote de La Mancha.

         Contudo, não há aqui inimigos imaginários que possam ser confundidos com moinhos de vento ou coisa semelhante. Os inimigos estão aí à solta e é possível identificá-los sempre que necessário.

         Os processos judiciais abertos para investigar a tentativa de golpe em 08 de janeiro vão mostrando claramente quem e o que estava por trás da invasão da Praça dos Três Poderes.

É preciso que se diga a verdade e que todos nós, cidadãos brasileiros, tenhamos consciência de que vivemos num dos países mais corruptos do mundo.

         E não adianta tapar o sol com a peneira.

         No sistema capitalista o poder se exerce com a força do dinheiro. Quem tem dinheiro manda, quem não tem obedece ou então procura por ele. De uma maneira ou de outra. Terreno fértil para a disseminação de formas de enriquecimento ilícito.

A democracia representativa deixa de existir quando os donos do dinheiro em excesso desconfiam que outros seres humanos precisam também do dinheiro que lhes sobra, sobretudo na saúde, na educação e no trabalho.

         Para muita gente a corrupção passou a ser a tábua de salvação, seja para fugir da miséria ou pela necessidade de mostrar alguma riqueza e algum poder aos patrões ou aos idiotas que moram na casa ao lado.

         “Você viu o carrão que o vizinho do sexto andar comprou? Onde é que ele arranja tanto dinheiro? Trabalhando como gerente numa loja de departamentos é que não pode ser”.

         E assim os anos passam e vamos vivendo, convencidos de que somos um país de sadia formação democrática quando, na verdade, vamos refinando o jogo da dissimulação e da corrupção.

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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2 Comentários
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  1. josé Oliveira de Araújo

    29 de junho de 2023 3:26 pm

    Embora remonte a antiguidade, foi no capitalismo que a corrupção encotrou o ambiente mais adequado para sua expansão e permanência. Não podemos datar com exatidão o seu surgimento, mas podemos afirmar, que no passado longíquo, em algum lugar no planeta terra, quando um potentado transformou, provavelmente com uso da força, uma área de terra de posse coletiva, numa propriedade particular, surgindo desse ato, a propriedade privada e a corrupção, sendo portanto irmãs gémeas. Sem a propriedade privada, a corrupção se tornaria inviável, daí para acabar com a corrupção, é preciso acabar com a propriedade privada. Enquanto esta existr a corrupção existirá. Não sei se um dia tal se dará, mas certamente não será no sistema capitalista, enquanto isto, só podemos combater os seus efeitos mais peversos. Não foi à toa que Marx escreveu: “O capitalismo já nasceu suando sangue e lama por todos os poros”

  2. Renato Lazzari

    30 de junho de 2023 11:22 pm

    Se o vizinho do sexto andar é gerente numa loja de departamentos, é impossível que seja corrupto. É que quem rouba de empresa privada é ladrão, não corrupto. Rouba de uma pessoa – o dono da empresa – e, para ser realista, quase sempre é perdoado, ou porque o que a iniciativa privada adora é ausência de leis ou porque diretores detestam assumir que suas empresas tem falhas na segurança…

    O vizinho do sexto andar só poderia ser corrupto se fosse funcionário público. Não que todo funcionário público se corrompa, há muitos mais exemplos de funcionários públicos incorruptíveis do que sonha a vã filosofia dos capitalistas. Subvertendo os dogmas capitalistas que recitam que todo mundo tem seu preço, há, de fato e no Brasil quem não se venda e não por falta de oportunidade mas sim por imperativos de consciência, por fibra moral mesmo. Exemplos pessoais não são bons para estatísticas mas pessoalmente conheço gente assim. Honesta e legalista. Talvez leve mais tempo do que gostaríamos mas com certeza haverá o tempo em que saberemos, brasileiros, distinguir com clareza o que é público do que é privado.

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