4 de junho de 2026

Um BC para chinês ver… e aplaudir, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Banco Central é independente. Portanto, não compete ao Judiciário revisar as decisões daquela instituição
Banco Central - Divulgação

Um BC para chinês ver… e aplaudir

por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Contrariando todas as expectativas da Confederação Nacional da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, do Ministério da Economia, dos maiores empresários da indústria e do comércio, do presidente da República e de uma parcela significativa da imprensa econômica mundial e brasileira, o Banco Central do Brasil manteve a taxa de juros em 13,75%

O Banco Central é independente. Portanto, não compete ao Judiciário revisar as decisões daquela instituição ainda que elas prejudiquem sobremaneira a retomada dos investimentos que alavancariam o crescimento econômico brasileiro. Todavia, há a fundada suspeita de que o presidente do BC prejudica deliberadamente os interesses do nosso país, o que nos leva a fazer uma pergunta essencial: “Quem está se beneficiando com a manutenção das taxas de juros elevadas?”

Os especuladores financeiros brasileiros e estrangeiros obviamente colhem benefícios decorrentes da perpetuação do rentismo estimulado pela política de juros adotada pelo BC. Todavia, é impossível individualizá-los. Mas existe um grande ator global que também está sendo beneficiado pela insistência do BC de retardar ou de impedir a retomada dos investimentos dos empresários brasileiros. Esse ator é a República Popular da China.

As relações comerciais bilaterais entre os dois países podem ser resumidas da seguinte maneira: os brasileiros exportam alimentos e minérios para a China; os chineses exportam produtos manufaturados para o Brasil. As relações de troca são desiguais, pois os produtos exportados pela China para o Brasil têm maior valor agregado que os produtos que ela importa do nosso país. Portanto, a perpetuação dessa situação transformará nosso país num quintal de Pequim.

Existe uma única maneira de contornar ou interromper a escalada da dependência de Brasília em relação a Pequim: a retomada da industrialização brasileira. Isso possibilitaria produzir aqui uma parte dos produtos importados da China. Além de reduzir o desequilíbrio na balança comercial dos dois países, a retomada dos investimentos na indústria aqueceria o comércio algo que se refletiria numa melhora da arrecadação de impostos e na redução do endividamento do estado.

Todavia, para que a retomada da industrialização brasileira ocorra os juros teriam que cair. Ao manter os juros autos, o BC não apenas está prejudicando os interesses econômicos do empresariado brasileiro e as ambições políticas e diplomáticas de longo prazo do Brasil. Na prática o BC está indiretamente incentivando a produção e a exportação para o Brasil de produtos industrializados chineses, pois na China os industriais têm acesso a dinheiro muito mais barato.

É nesse ponto que fica evidente um aspecto interessante da questão discutida.

No Brasil, em decorrência do que consta expressamente da Constituição Federal, compete exclusivamente ao presidente representar o Brasil no exterior e definir qual será a política externa do país. Ao manter os juros altos incentivando os concorrentes dos empresários brasileiros na China o Banco Central está fazendo sua própria política externa. E ela evidentemente é concorrente com aquela que foi definida pelo presidente da república, na medida em que o programa de governo de Lula preconiza o crescimento da economia mediante o incentivo à retomada da industrialização no país para que o Brasil possa deixar de ser quintal da China (e não volte a ser quintal dos EUA).

A política de juros do BC está criando uma vantagem comparativa para a China dentro do Brasil. Nesse sentido, não é justo que os contribuintes brasileiros continuem pagando o salário do presidente do BC. Quem se beneficia da política de juros é a República Popular da China. Então ela é que deve pagar o salário de Campos Neto e de todos os burocratas que compõe o órgão que decidiram manter a taxa de juros estratosférica. Pelo menos assim o BC e o Brasil economizariam algum dinheiro.

Foi pensando nisso que protocolei uma Petição no STF (Pet 11544) requerendo à Suprema Corte que intime o presidente da República, o presidente do BC e a Embaixada da República Popular da China para que eles se manifestem no processo acerca da possibilidade China arcar com os salários do presidente do BC e de todos os membros do órgão daquela instituição que são responsáveis pela perpetuação da política de juros que está causando danos à economia brasileira e beneficiando indiretamente os empresários chineses. Se não é possível obrigar Campos Neto a baixar os juros, podemos ao menos tentar humilha-lo publicamente.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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  1. josé Oliveira de Araújo

    30 de junho de 2023 9:00 am

    A propósito, o banco central da China, é controlado pelo governo, coisa abominada pelos nossos economistas de aluguel. No entanto, há mais de dez anos, que a inflação na China não passa dos 3% ao ano e como os interessados no assunto sabem, a economia chinesa cresce a taxas superiores a 5%, excetuando o período da pandemia, mas sem registrar índices negativos, enquanto no Brasil, sob a regência dos nossos renomados economistas, ditos liberais, amarga um baixo índice de crescimento, refém das âncoras fiscais, que como o próprio conceito de âncora demonstra, só serve para amarrar o barco da economia no cais da pasmaceira.

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