São João europeu
por Homero Fonseca
Garanhuns se prepara para viver um São João tipicamente europeu. Assim começava reportagem publicada no Diario de Pernambuco, em junho de 1980, cujo título era: FRIO É DESTAQUE EM GARANHUNS.
Não resisti e mandei uma carta à redação, sob pseudônimo, com este teor:
Parabéns pela matéria, Sr. Redator.
Como conhecedor dos cinco continentes posso asseverar que quem chega em Garanhuns nessa época e vê a brancura da Igreja de Santo Antônio tão bem caiada pensa estar em Lausanne num dia de neve.
Canjica, pamonha e pé-de-moleque iguais aos de Garanhuns somente encontrei em Londres, numa cálida noite de junho, nas barraquinhas da Trafalgar Square.
Somente na Tchecoslováquia é possível ouvir forró, xaxado e baião igual ao que se escuta por aqui: haja sanfona, zabumba e triângulo na Bohemia.
Para finalizar, sr. Redator, lembro como se fosse hoje da noite de São João que passei na River Gauche: o que vi de francês acendendo a fogueira, soltando peido-de-velha e queimando a rodinha não está no gibi. Saudações.
Homero Fonseca é pernambucano, escritor e jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi editor da revista Continente Multicultural, diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor chefe do Diario de Pernambuco e repórter do Jornal do Commercio. Foi também professor de Teoria da Comunicação e recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Atualmente, dedica-se à literatura e mantém um blog em que aborda assuntos culturais.
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José de Almeida Bispo
2 de julho de 2023 3:49 pmKkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu, não sei se adoro (pra tirar onda), desespero-me ou entro em pânico com tamanho complexo de vira-lata de certos mestres da opinião brasileiros; meus conterrâneos nordestinos, em particular. ‘G-zuis’ da ‘goiabêra’!