4 de junho de 2026

Tenente ou temente?, por Rui Daher

Pela Convenção de Genebra, o Tenente Cid ao se entregar teria que dizer: nome, data de nascimento, posto e número de serviço
Geraldo Magela - Agência Senado

Tenente ou temente?

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por Rui Daher

A semana foi pródiga em mostrar ao povo da Federação de Corporações, brasileiros sem um Estado-Nação “pra chamar de seu”, o quanto estamos protegidos de ataques que, por desventura, possam vir do exterior.

O alívio foi-nos demonstrado pelo tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, em sua oitiva (11/7) na CPMI da tentativa bolsonarista de golpe, em 8 de janeiro deste ano.

Garantido por habeas corpus, concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso pela proba ministra Cármen Lúcia, mas podia ser por qualquer um deles, até de histórico menor, pois de acordo com a Lei cabe silêncio em caso de pergunta que possa autoincriminar o depoente, como por exemplo, visível calvície ficar em silêncio caso inquerido se é careca.

Não foi esse o silêncio do ajudante de ordens do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, mas bem que poderia ter sido, tantos os eloquentes silêncios de Cid diante de perguntas tão óbvias.

Embora, para mim, já fosse conhecido e esperado, ele pertencendo às Forças Armadas, membro ativo do Exército, de direito, se apresentar paramentado e amedalhado, tantos os embates militares em que defendeu o território brasileiro.

Depois de saber que durante o período em que esteve preso, por determinação do STF, o soldado graduado Cid, recebeu mais de 70 visitas, a maioria de militares de alta-patente, não seria eu a duvidar da coragem do ajudante de ordens em responder à oitiva com verdades. Como, por exemplo, “desde jovem luto com essa tendência de parte de meu cabelo escorrer à testa”. O provocante pega-rapaz faria rir alguns membros da CPMI, mas pareceria simpático e autêntico.

Fiquei pensativo. Como agiria Cid, em caso de suposta invasão do território brasileiro por nosso inimigo mais visado, a confrontante e “comunista” Venezuela, preso de guerra?

Pela Convenção de Genebra, o Tenente Cid ao se entregar teria que dizer: nome, data de nascimento, posto e número de serviço;

Como Ajudante de Ordens, o Temente Cid ao se entregar diria : “com todo o respeito, orientado pelos meus advogados, não irei responder a nenhum quesito que não esteja totalmente relacionado à fidelidade e respeito que nutro pelo presidente da República Anticomunista do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, onde desenvolvo tarefas relativas às suas ordens, tais como estar presente em qualquer manifestação contra aquilo que a esquerda chama de democracia, escolher os trajes que deverá usar em cada evento onde tiver que comparecer (nestes casos compartilho opiniões com a doutora Michelle), também …”;

O chefe do comando venezuelano que o mantém sob a mira do fuzil:

- Puedes parar. Que mierda es esto que no paras de hablar. ¿Vas a la cárcel o prefieres morir aquí?

“Conforme habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal da República Federativa do Brasil, orientação de meus advogados, minha vocação militar, as medalhas que ganhei na peteca do Posto 6, em Copacabana, e das mansas marés que banham os marimbás que ali nadam, sigo o povo brasileiro: Jair Bolsonaro é um puta político brasileiro e Nicolás Maduro um puto comunista ditador da Venezuela”.

Ratatatatá!!! Caxias: herói do exército ou municipio da baixada fluminense? SIGAM A SEMELHANÇA DO SAMBA ENREDO COM O DEPOIMENTO DE CID.

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Rui Daher

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