4 de junho de 2026

Lewandowski modifica métodos questionáveis do CNJ em quatro dias

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Jornal GGN – O novo presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Ricardo Lewandowski, em quatro dias no cargo, modificou mecanismos que impediam a ampla defesa de julgamentos no órgão e restringiu custos de viagens de seus membros e servidores.

A retomada da eficiência e celeridade foi anunciada por Lewandowski como necessidade a ser estampada no CNJ, em seu primeiro dia de sessão ordinária. “Espero contar com a colaboração de todos os conselheiros do CNJ para que imprimamos aqui esse ritmo de eficiência e de celeridade que todos almejam”, disse o ministro, em 5 de agosto.

O discurso já se aliou à prática. No dia seguinte, uma quarta-feira (06) e data da primeira sessão plenária após o recesso, Ricardo Lewandowski pediu aos conselheiros que analisassem cuidadosamente os pedidos de prorrogação de PADs (Processos Administrativos Disciplinares) contra magistrados.

Foram concedidas as prorrogações por 90 dias contra cinco magistrados, que inicialmente teriam prazos superiores: de 140 dias. O objetivo de Lewandowski era que os pedidos estivessem devidamente fundamentados. Além disso, o direito do investigado foi uma preocupação do ministro. Enquanto os julgamentos não são concluídos, os magistrados são afastados preventivamente de suas funções por longos períodos, “punindo-os” sem que a pena seja necessariamente determinada.

No dia posterior (07), Ricardo Lewandowski atendeu a uma solicitação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e pôs fim à chamada “pauta rápida”. O mecanismo feria três princípios constitucionais: da publicidade, do contraditório e da ampla defesa.

Eram reuniões fechadas entre os conselheiros do CNJ, que discutiam todos os temas dos processos e, ainda, votavam antecipadamente. No dia do julgamento, o plenário apenas apresentava o resultado das votações. Segundo a AMB, viola o princípio da publicidade, pois o CNJ “não garante o efetivo controle, pelas partes e interessados no processo, além da sociedade, das decisões do Conselho”.

Do contraditório e da ampla defesa, em suprimir “a possibilidade de as partes e interessados, devidamente habilitados no processo, em poder fazer intervenções necessárias para contribuir com o julgamento, com sustentações orais, questões de ordem, as devidas e necessárias intervenções dos presidentes das associações nacionais, conforme previsto no Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça”.

A votação em “Sessão Secreta”, como classificada pela AMB, era denominada de procedimento eletrônico de votação antecipada, alegando o Conselho, anteriormente, que o mecanismo à surdina trazia maior celeridade. O ministro suspendeu liminarmente o mecanismo.

Solicitação AMB para acabar com "pauta rápida"

E, na sexta-feira (08), Lewandowski determinou à tecnologia a serviço do Judiciário para reduzir os altos custos de viagens dos membros e servidores do Conselho Nacional de Justiça. O corte nos valores é uma Instrução Normativa assinada pelo presidente em exercício, que tem como Art. 1º:

“Na realização de reuniões de Grupos de Trabalho, Comissões, Comitês e quaisquer atividades que envolvam participantes de diferentes localidades do País, deve-se privilegiar a utilização do sistema de videoconferência ou a delegação da prática dos atos a autoridades locais”.

Determina que, em casos de imprescindibilidade do deslocamento físico, uma solicitação justificada deverá ser encaminhada à presidência do CNJ, com mínimo de 30 dias de antecedência. E a decisão será submetida a Plenário. Eventos de tribunais ou outras entidades que não permitam a videoconferência serão custeados pelas próprias entidades interessadas.

Instrução Normativa (IN) 59/2014

Leia, abaixo, na íntegra a Instrução Normativa 59/2014 e o pedido da AMB.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

15 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Maria Helena Correa

    11 de agosto de 2014 7:01 pm

    que isso sirva de inspiração

    Quando a presidenta Dilma tiver de indicar o próximo ministro do STF, no lugar do midiático Barbosa, desejamos todos os brasileiros que ela venha a escolher com toda a calma e aponte ao Senado uma figura efetivamente notável, como é o ministro Lewandovsky. Justiça e não justiçamento, é o que esperamos dos nossos tribunais.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    11 de agosto de 2014 7:03 pm

    Com todo respeito ao novo
    Com todo respeito ao novo presidente da instituição, devo dizer que o CNJ já não serve mais para merda nenhuma. Um servidor mequetrefe com um carimbo ARQUIVADO faria o mesmo que o Corregedor do CNJ tem feito à exaustão custando bem menos aos jurisdicionados engabelados por aquele membro do órgão (eu mesmo entre os tais).

  3. Orlando Soares Varêda

    11 de agosto de 2014 7:13 pm

     
    Interessante medida

     

    Interessante medida saneadora. Aos poucos, o Ministro Lewandowski vai detetizando a casa. Prédio público, que por pouco os dois últimos dirigentes não transformaram numa imunda pocilga.

    Por certo, tal medida deverá coibir a viadiagem das excelências que viviam alegando dores nos quartos pra gazetear o trabalho. No entanto, adorava bater perna em botecos granfinos.

    Lá, ainda estão aboletados uns cabras que não dispensam uma viagem custeadas com o dinheiro público, via de regra, pra tratar de seus interesses privados.

    Orlando

  4. Cristiana Castro

    11 de agosto de 2014 7:42 pm

    Em 4 dias!!!!! Quem quer

    Em 4 dias!!!!! Quem quer fazer; faz e pronto.

    1. rosenvald flavio barbosa

      11 de agosto de 2014 7:52 pm

      sensatez!!

      Cristina, os sensatos vão elogiar Ricardo Lewandowski……….

      mas alguns ( aqueles de sempre-tipo Walker que tá sempre no GGN) vão dizer que o STF está sendo aparelhado pelo PT.

      1. Malú

        11 de agosto de 2014 11:10 pm

        Os órfãos do Joaquim estão

        Os órfãos do Joaquim estão inconsoláveis.

  5. Joel Miranda

    11 de agosto de 2014 7:55 pm

    Brasil, a esperança retorna

    Brasil, a esperança retorna ao STF!

  6. Álvaro Noites

    11 de agosto de 2014 8:19 pm

    Que diferença em relação ao

    Que diferença em relação ao Joaquim Barbosa.

    Aliás, qual foi a contribuição do Torquemada ao Judiciário?

    Contribui apenas para a Globo?

  7. Schell

    11 de agosto de 2014 8:48 pm

    Menos, muito menos. Decisões

    Menos, muito menos. Decisões popularescas nem sempre chegam a bom termo. Antes de qualquer coisa, devia se inteirar do que verdadeiramente está sendo feito pelo CNJ, depois, sendo o caso, tomar as medidas cabíveis; pelo visto, estão “botando a carroça em cima dos bois”. Se por um lado (julgamentos, por estar correto), de outro, corregedoria, administração e informatização, nada de bom até agora aconteceu.

    1. Cristiana Castro

      11 de agosto de 2014 9:30 pm

      Até entendo o seu ponto mas

      Até entendo o seu ponto mas se a imagem da Corte foi enxovalhada em todos os níveis ela deve ser recuperada em todos os níveis, inclusive e, sobretudo junto a setores da sociedade não ligados ao sistema judiciário.

    2. Luiz Cesar 2

      11 de agosto de 2014 11:50 pm

      “O presidente do STF exerce

      “O presidente do STF exerce também a presidência do CNJ e nas ausências e impedimentos dele, o vice-presidente do STF assume a chefia do Conselho”.

      Schell, ele tem conhecimento, amplo, do que é o CNJ, ou você acha que não?

      O final do seu texto não entendi. Ficou meio confuso.

       

    3. André LB

      12 de agosto de 2014 1:40 am

      “O novo presidente do

      “O novo presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Ricardo Lewandowski, em quatro dias no cargo (…)”

  8. MThereza

    11 de agosto de 2014 9:46 pm

    Tomara que o Ministro

    Tomara que o Ministro Lewandowski consiga devolver ao STF a seriedade, responsabilidade, respeito às leis e às pessoas. No meu ponto de vista, o CNJ precisa de uma adequação de suas funções, pois como órgão de controle externo – era isso, não? não pode ser presidido pelo presidente do STF. E, por favor, que o Presidente mande apagar os holofotes e desligar os microfones. Boa sorte pra ele e para nós.

  9. leonidas

    12 de agosto de 2014 3:42 am

    O cara só pq puxou o saco da

    O cara só pq puxou o saco da galera do PT e o novo santo magistrado da esquerda.

    Amanha ou depois ele concorda em condenar alguem do PT e vao falar mal dele como falam do Barbosa

    O Barbosa foi cria do PT e hoje na maior cara de pau ( coisa rotineira ) dizem ou tentam fazer de conta que eles nao tem nada que ver com esse senhor…rs

    É hilario as viagens dessa turma…

    1. leonidas

      12 de agosto de 2014 3:44 am

      A proposito aumentar o praza

      A proposito aumentar o praza defesa de magistrado era uma coisa ja esperada da parte de um juiz.

      eles sempre precisam ser defendidos de todas as formas possiveis e imaginaveis para que   NUNCA  possam ser punidos…

Recomendados para você

Recomendados