O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, afirmou durante a coletiva que cada um dos presos teve um papel no assassinato e que o executor confessou o crime e a motivação, mas que ainda é cedo para ignorar as outras linhas de investigação.
– Nós temos algumas linhas ainda de investigação em andamento. Se a gente antecipar qualquer uma dessas linhas, pode ser prejudicial, vai ser prejudicial à investigação. Então, a gente segue as investigações porque existem ainda outras medidas cautelares em andamento. Nós temos inclusive não só equipes trabalhando agora em campo em busca de outros elementos, de outras pessoas para serem ouvidas também. Temos recebido também diversas informações através dos denúncias através do 181, que estão também sendo reportadas à equipe de investigação para apuração, inclusive a possível identificação, localização do outro executor – disse.
Além do suspeito de assassinar a líder quilombola, o segundo homem que tem participação no crime teria guardado e escondido as armas usadas no crime e foi preso por porte ilegal de armas. O terceiro foi preso por interceptar os celulares levados da casa da vítima na noite do ocorrido.
Existe ainda um quarto suspeito de ter participado do assassinato, mas segue foragido. O homem em questão também teria efetuado disparos contra Mãe Bernadete.
Ainda de acordo com a investigação da polícia, os suspeitos pertencem a uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas e pistolagem na região.
O caso
Bernadete Pacífico, ou Mãe Bernadete, como era mais conhecida era chefe da Coordenação Nacional dos Quilombos (Conaq). Também era líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado no município de Simões Filho, na Bahia.
A líder foi assassinada em 17 de agosto, na frente dos netos. Dois homens usando capacete entraram no imóvel da vítima armados e efetuando disparos com arma de fogo. O filho de Bernadete, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, também foi assassinado seis anos antes.
Mãe Bernadete sofria com ameaças de morte há anos, por isso integrava o programa de proteção da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), que garantia a ela uma patrulha da Polícia Militar no quilombo onde vivia.
A Polícia Civil trabalha com três linhas de investigação para o assassinato da líder quilombola. Além das hipóteses de briga por território e intolerância religiosa, a mais destacada é a disputa entre facções criminosas.
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