do blog de Gilberto Cruvinel

Com tema de Virgílio, o Latino,
e de Lino Pedra-Azul, o Sertanejo
Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.
Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.
Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido
que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!
Soneto “LÁPIDE” de Ariano Suassuna, declamado pelo autor, com fotos do Parque de Esculturas Ilumiara Pedra do Reino, em São José do Belmonte-PE.
Antonio Passos
24 de julho de 2014 3:37 pmDesculpe, mas não é “dorso alardeado”
Acredito que seja “dorso aluciado”, que quer dizer lustroso em espanhol.
lenita
24 de julho de 2014 6:35 pmVc tem razão, é aluciado
Vc tem razão, é aluciado mesmo.
Gilberto Cruvinel
24 de julho de 2014 11:50 pmAntonio, obrigado pela
Antonio, obrigado pela observação. Eu notei que havia erro no texto depois que o post foi subido ao blog. Na declamação do Ariano, ele diz dorso alanceado (ferido com lança). Sua solução encaixa bem no contexto, mas não é o que se ouve Ariano dizer.
Antonio Passos
25 de julho de 2014 3:28 amPode ser alanceado mesmo
De qualquer forma é maravilhoso. É Ariano, um brasileiro insubstituível.
Gilberto Cruvinel
25 de julho de 2014 1:03 pmIncrível ver a mistura que
Incrível ver a mistura que ele faz de influências poéticas juntando o poeta latino e o poeta nordestino.